
Amor ou Vingança?
Capítulo 3
O dia do funeral chegou frio e cinzento, como se o céu também estivesse de luto. A mansão dos Brown, geralmente cheia de vida e risos, estava agora envolta num silêncio denso e opressor.
O caixão de mogno, coberto por um manto de rosas brancas, parecia demasiado pequeno para conter a vastidão da ausência de Linda.
Alberto estava quebrado. Ao lado do caixão, ele era a imagem da desolação. Vestido num fato preto imaculado, que parecia engolir a sua figura antes robusta, ele segurava a mão de Shilla com uma força desesperada. Os seus olhos estavam vermelhos e inchados de dias e noites sem sono, mas não havia lágrimas. Havia apenas uma dor estática e insuportável, o vazio de quem perdeu o seu porto seguro e o seu grande amor.
Shilla, por outro lado, estava numa espécie de transe de choque. Estava vestida de preto, uma sombra da jovem vibrante que fora. O seu rosto estava pálido e emaciado, os seus olhos claros fixos num ponto distante, incapaz de aceitar a realidade da terra que seria atirada sobre a mãe. Ela não chorava em soluços; o seu luto era um choro silencioso e interno, uma negação que a mantinha de pé, mas a esmagava por dentro. De vez em quando, um tremor incontrolável percorria o seu corpo.
Entre as centenas de convidados, Amanda e Esmeralda mantinham-se discretamente próximas, mas com uma visível distância emocional. Amanda usava um véu preto elegante, que lhe dava uma aura de luto respeitável. De vez em quando, abraçava Alberto de forma breve e calculada, oferecendo palavras vazias de apoio que soavam a metal frio.
Esmeralda, ao seu lado, fingia secar os olhos secos com um lenço de seda. O seu olhar, contudo, vagava sobre os presentes, notando os bens da família, as joias das outras convidadas e, finalmente, o rosto desfeito de Shilla. No fundo do seu coração, sentia um triunfo silencioso: o primeiro obstáculo havia sido removido.
Quando o caixão começou a ser baixado, Alberto soltou um grito rouco e animal, um som de partir o coração que ecoou no silêncio do cemitério. Shilla, sem força, caiu nos braços do pai, a sua voz finalmente se libertando num soluço agudo e desesperado, o som da sua inocência a ser enterrada junto com a mãe.
Amanda observou o colapso, e nos seus lábios, escondido sob o véu, pairou um sorriso fugaz e implacável. O jogo estava prestes a começar.
Após o enterro, o salão principal da mansão Brown foi aberto para receber os amigos, sócios e conhecidos que vinham prestar as suas últimas homenagens.
O ambiente estava pesado, abafado pelo cheiro a flores e pela tristeza.
Alberto, com o olhar perdido, ficava de pé ao lado de Amanda, recebendo os apertos de mão e os abraços de pêsames. Ele mal registrava as palavras, agarrado à mão de Shilla, que parecia feita de vidro.
Shilla, no entanto, mal conseguia suportar o peso dos olhares curiosos e das frases repetitivas de conforto.
As pessoas vinham, abraçavam-na, e repetiam que Linda estava num "lugar melhor" - palavras que a atingiam como mentiras cruéis. Ela apenas balançava a cabeça, incapaz de falar.
Foi então que Vincent, o namorado, se aproximou. Ele era a sua âncora naqueles dias de tormenta.
- Meu amor, você precisa se sentar - sussurrou ele, a voz quente e urgente, guiando-a gentilmente para um sofá de veludo num canto menos iluminado.
Ele sentou-se ao lado dela, envolvendo-a num abraço apertado. Shilla, finalmente, permitiu-se desabar. Ela enterrou o rosto no peito dele, molhando a camisa com as suas lágrimas silenciosas.
- Eu... eu não consigo, Vince. Eu não consigo respirar - ela soluçou, a voz embargada pela dor.
- Shhh. Eu sei, eu sei. Dói muito, meu anjo. - Vincent acariciava-lhe o cabelo com ternura, a sua presença sólida sendo o único conforto real que ela sentia no momento.
- Mas eu estou aqui. Eu não vou sair do seu lado, Shilla. Nós vamos superar isto juntos.
Ele parecia sincero, os seus olhos castanhos transmitindo uma promessa de lealdade. Shilla agarrou-se àquela promessa, àquele calor. Naquele momento, Vincent era a sua única esperança de que a vida ainda pudesse ter um futuro.
Enquanto isso, Amanda e Esmeralda observava a cena de longe. Elas via o quanto Shilla dependia de Vincent.
Elas sabiam que, para destruir Shilla completamente, não bastava roubar-lhe o dinheiro e o pai; era preciso arrancar-lhe o coração. O sorriso falso que elas dirigiam aos convidados cintilava de antecipação. O destino de Vincent, e o de Shilla, já estava selado.
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