
Amor Marcado Pelo Destino: A Reconstrução
Capítulo 3
A minha mãe abraçou-me com força enquanto eu soluçava incontrolavelmente.
"Mãe, eles não podem obrigar-me. É o meu corpo. É o meu bebé."
"Eu sei, querida, eu sei," ela sussurrava, a sua própria voz a tremer. "Vamos dar um jeito."
Mas que jeito? Eles eram ricos e poderosos. O pai do Pedro, Carlos, era um advogado de renome. Eu era apenas uma estudante universitária, e a minha mãe uma professora de escola primária.
A noite foi um inferno.
Cada vez que fechava os olhos, via o sorriso do Pedro, ouvia a sua voz a falar sobre os nomes que daríamos ao nosso filho.
De manhã, uma enfermeira entrou com uma prancheta.
"Ana, está na hora de se preparar."
"Preparar para quê?" perguntei, o meu coração a bater descontroladamente.
"Para o procedimento. A família do seu noivo já tratou de tudo."
O pânico tomou conta de mim.
"Não! Eu não consenti! Não podem fazer isto!"
A minha mãe tentou argumentar, mas a enfermeira simplesmente disse que estava a seguir ordens e que a autorização legal tinha sido assinada pelo tutor do Pedro, o seu pai.
Eles queriam levar-me. Eu resisti. Gritei.
Dois seguranças do hospital foram chamados.
Eles agarraram-me pelos braços. A dor na minha perna partida explodiu, branca e ofuscante.
Eu gritei o nome do Pedro.
Gritei por ajuda.
Ninguém me ouviu. Ou fingiram não ouvir.
Fui sedada contra a minha vontade.
A última coisa que me lembro é do rosto da minha mãe, distorcido pela dor e pela impotência.
Quando acordei, a minha barriga estava vazia.
O meu bebé tinha desaparecido.
O silêncio no quarto era mais pesado do que qualquer som.
Um pedaço de mim tinha sido arrancado.
Fiquei a olhar para o teto, seca de lágrimas, sentindo apenas um vazio imenso.
Eles tinham-mo tirado.
Eles tinham matado o meu filho.
Naquele momento, o amor que eu sentia pelo Pedro transformou-se em cinzas. E no lugar dele, começou a crescer outra coisa.
Ódio.
Um ódio frio e calculista.
Eles iam pagar. Todos eles.
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