
Amor Inesperado: Irmão do Noivo
Capítulo 2
A última cirurgia de remoção de cicatrizes finalmente terminou, o médico disse que a recuperação foi perfeita, a pele das minhas costas estava lisa como nova, sem nenhuma marca deixada para trás.
Dois anos, dois anos inteiros, eu finalmente podia voltar a ser uma pessoa normal.
Saí do hospital com o coração aos pulos, a luz do sol parecia mais brilhante do que nunca, eu mal podia esperar para contar a boa notícia ao meu noivo, José.
Uma semana depois seria nossa festa de noivado, e eu finalmente poderia usar o vestido de noiva de costas nuas que eu mesma desenhei, para ser a noiva mais perfeita dele.
Eu praticamente corri para casa, a alegria me fazendo flutuar, mal sentindo o chão sob meus pés.
Nosso ninho de amor, a casa que escolhemos juntos, estava silenciosa. Estranho, José deveria estar em casa a esta hora.
Deixei a bolsa no sofá da sala e subi as escadas, um sorriso bobo no rosto, pronta para surpreendê-lo.
Mas, ao me aproximar do nosso quarto, uma voz feminina e delicada chegou aos meus ouvidos, uma voz que eu conhecia bem, era a de Clara, a cuidadora que meu pai contratou para me ajudar depois que me queimei.
"Zé, já se passaram três meses, o médico disse que o bebê está seguro, não vai ter problema nenhum."
A voz dela era manhosa, cheia de um charme que eu nunca tinha ouvido antes.
Meu corpo congelou no topo da escada.
O que ela estava falando? Bebê?
"A cama de vocês é tão grande, vocês ainda não a usaram, não é? Você não disse que sentia nojo só de olhar para as costas dela, cheias de cicatrizes?"
O ar fugiu dos meus pulmões, meu sorriso congelou e se quebrou em mil pedaços.
Eu não ouvi a resposta de José, não precisei.
O que veio a seguir foi o som de gemidos alegres, de beijos molhados e do ritmo inconfundível da paixão vindo do nosso quarto, do quarto que eu decorei com tanto carinho.
Acontece que o homem que dizia que não ousava me tocar por medo de machucar minhas feridas, o homem que eu amava com todas as minhas forças, já tinha um filho com outra mulher.
E eles estavam se divertindo na cama de casal que eu escolhi, a cama onde eu sonhava em começar nossa vida juntos.
A náusea subiu pela minha garganta, um gosto amargo de bile e traição.
As paredes pareceram girar, o mundo feliz e colorido de minutos atrás desabou em cinzas.
As cicatrizes nas minhas costas não doíam mais, mas meu coração estava sendo rasgado em pedaços, uma dor mil vezes pior.
Todo o meu sacrifício, toda a minha dor, tudo por ele, e a recompensa era essa.
Naquele instante, a vontade de contar a ele que eu estava curada desapareceu.
A vontade de me casar com ele se transformou em pó.
Ouvindo a respiração ofegante deles, o som da cama rangendo, peguei meu celular com as mãos trêmulas.
Meus dedos mal conseguiam digitar, mas a raiva me deu uma força fria e precisa.
Enviei uma mensagem para o meu pai, Pedro.
"Pai, não vou me casar com o José."
A resposta dele veio quase imediatamente, cheia de preocupação. "O que aconteceu, filha?"
Eu ignorei a pergunta dele por um momento, meus olhos fixos na porta fechada do quarto.
Lá dentro, o homem da minha vida me traía.
Lá dentro, meu futuro era destruído.
Com uma determinação gélida que eu não sabia que possuía, digitei uma segunda mensagem, uma decisão que mudaria tudo.
"Vou me casar com o irmão mais velho dele, João."
---
Você pode gostar





