
Amor Inesperado: Irmão do Noivo
Capítulo 3
Eu continuei ali, parada no corredor, enquanto os sons da traição continuavam a sair de dentro do quarto.
Cada gemido de Clara era uma tortura, cada risada baixa de José era um veneno que se espalhava pelas minhas veias.
O tempo parecia se arrastar, cada segundo uma eternidade de agonia. Eu me sentia presa, incapaz de me mover, forçada a ser uma espectadora auditiva da minha própria humilhação.
"Ah, Zé, você é tão bom nisso," a voz de Clara sussurrou, alta o suficiente para que eu ouvisse claramente. "A coitadinha da Maria da Luz nunca saberia como te agradar assim, não é? Com aquelas costas horríveis, que nojo."
A raiva me sufocou, quente e violenta, eu cerrei os punhos com tanta força que minhas unhas cravaram na palma da minha mão.
Nojo.
Ela sentia nojo das cicatrizes que eu ganhei para salvá-lo.
A memória daquele dia voltou com uma clareza brutal.
O fogo.
Estávamos em uma cabana nas montanhas, um fim de semana romântico planejado por ele. Um curto-circuito iniciou um incêndio que se espalhou em segundos. O pânico tomou conta de José, ele ficou paralisado, incapaz de se mover.
Uma viga em chamas estava prestes a cair sobre ele.
Eu não pensei duas vezes.
Corri e o empurrei para fora do caminho.
A viga caiu sobre mim, o fogo devorando minhas costas, a dor era insuportável, como mil agulhas em brasa perfurando minha pele.
A última coisa que vi antes de desmaiar foi o rosto aterrorizado de José.
Lembro-me de acordar no hospital, meu corpo todo enfaixado, a dor uma companheira constante. José estava ao meu lado, chorando.
Ele segurou minha mão e fez promessas.
"Luz, meu amor, eu sinto muito, foi tudo culpa minha."
"Eu nunca vou te abandonar, eu juro. Eu te amo, não importa como você fique. Vou cuidar de você para sempre."
Suas palavras foram o meu bálsamo, a minha esperança durante os dois anos de cirurgias dolorosas e recuperação lenta.
Eu acreditei nele. Acreditei em cada palavra.
Que idiota eu fui.
Uma nova onda de gemidos veio do quarto, mais alta desta vez, seguida pelo som inconfundível do clímax.
O silêncio que se seguiu foi quase tão ensurdecedor quanto o barulho.
Senti um vazio profundo, uma sensação de náusea e repulsa tão forte que precisei me apoiar na parede para não cair.
O homem por quem eu arrisquei minha vida, o homem que jurou me amar para sempre, estava ali, a poucos metros de distância, nos braços de outra mulher, na nossa cama.
Com as pernas trêmulas, dei as costas para aquela porta e caminhei lentamente até o banheiro de hóspedes no fim do corredor.
Fechei a porta sem fazer barulho e me olhei no espelho.
Meu rosto estava pálido, meus olhos vermelhos e inchados pelas lágrimas que eu não deixei cair.
Com um movimento lento e deliberado, virei de costas para o espelho.
Usando o pequeno espelho de maquiagem, olhei por cima do ombro.
Minhas costas.
A pele era lisa, perfeita, sem uma única cicatriz. A pele pela qual eu esperei e sofri por dois longos anos.
Era irônico.
Eu finalmente tinha o corpo perfeito que ele supostamente desejava, mas agora, isso não significava mais nada.
A visão da minha própria pele curada me encheu de um sentimento de zombaria amarga.
Tudo aquilo, por nada.
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