
Amor e Traição Musical
Capítulo 3
A promessa de Lucas sobre uma \\"música genial\\" e o \\"topo\\" soou vazia, um eco de centenas de outras promessas que ele fez ao longo dos sete anos. Sofia sentiu um cansaço profundo, uma exaustão que vinha da alma. Ela não disse nada, apenas ouviu a respiração dele do outro lado da linha, a música alta da festa vazando ao fundo. Ele nem se deu ao trabalho de ir para um lugar mais silencioso para mentir para ela.
Ela percebeu, com uma clareza dolorosa, que não era a primeira vez. Quantas outras noites ela ficou no estúdio, trabalhando nas batidas dele, enquanto ele estava \\"fazendo networking\\"? A traição não era apenas Bruna, era o desprezo, a dissimulação contínua, o desrespeito por tudo que ela era e tudo que ela fez.
\\"Sofia? Você tá aí?\\" a voz de Lucas soou impaciente.
Antes que ela pudesse responder, a ligação foi interrompida. Não por ela. Sofia olhou para a tela do celular. \\"Chamada encerrada\\". Ele tinha desligado na cara dela. Provavelmente Bruna o chamou para mais uma foto, mais uma taça de champanhe.
Ela estava prestes a jogar o celular longe quando a tela se acendeu novamente. Desta vez, era uma notificação do grupo de WhatsApp do estúdio, um grupo que incluía ela, Lucas e alguns freelancers que eles contratavam.
Uma mensagem de Bruna.
\\"Gente, alguém sabe por que a Sofia não atende o telefone? O Lucas tá tentando falar com ela sobre a agenda de gravação de amanhã e ela não responde. Isso atrapalha todo o planejamento.\\"
A mensagem era pontuada por um emoji de carinha triste, uma performance de inocência e preocupação.
Sofia sentiu o sangue ferver. A audácia. A manipulação descarada na frente de todos.
Antes que Sofia pudesse digitar uma resposta, a mensagem de Lucas apareceu logo abaixo.
\\"Deixa pra lá, Bruna. A Sofia deve estar ocupada com alguma coisa. Se ela não conseguir se organizar, a gente se vira sem ela. O importante é não deixar a sua produção parar. Você é a prioridade.\\"
A declaração foi uma facada pública. Ele não apenas a desmentiu, mas a rebaixou profissionalmente na frente de pessoas que ela gerenciava. Ele a descartou como se ela fosse uma peça insignificante, uma assistente incompetente, e não a co-fundadora e principal produtora do estúdio que levava o nome dele.
Sofia olhou para a tela, vendo os \\"...\\" que indicavam que outros membros do grupo estavam digitando. Mas ninguém enviou nada. O silêncio deles era uma resposta em si. Eles viram a humilhação, a troca de poder acontecendo em tempo real, e escolheram o lado do cavalo que parecia estar ganhando. Eles escolheram Lucas e sua nova protegida.
Ela sentiu um frio na espinha. Não era apenas o fim de um relacionamento, era um golpe. Ela estava sendo metodicamente apagada da própria vida que construiu. A solidão no estúdio agora era diferente, mais opressiva. Não era mais sobre um namorado ausente, era sobre estar cercada por inimigos e cúmplices silenciosos.
O estúdio, seu santuário, de repente pareceu uma armadilha. As paredes que ela mesma pintou, o isolamento acústico que ela pesquisou e instalou, tudo parecia zombar dela. Ela se sentou na cadeira de couro que comprou para Lucas de aniversário, a mesma cadeira onde ele agora planejava o sucesso de outra mulher, e sentiu o peso de sete anos de sacrifício desmoronar sobre ela.
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