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Capa do romance Amor e Dor: O Fim de Miguel

Amor e Dor: O Fim de Miguel

Miguel deixou Minas rumo a São Paulo por Isabela, a mulher que o salvou após ele perder a memória. Contudo, o sonho vira pesadelo quando Lucas, noivo dela, o humilha publicamente e o joga em uma piscina. Entre dores de cabeça e sangramentos, Miguel nota que a fria anfitriã não é a sua doce Amora. Preso em um jogo cruel de manipulação, ele luta para recuperar seu passado e desvendar a terrível traição escondida por trás de seu acidente.
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Capítulo 2

O salão de festas da mansão em São Paulo brilhava com uma luz que feria os olhos, lustres de cristal pendiam do teto como estrelas artificiais e o som de taças de champanhe se chocando misturava-se a conversas superficiais e risadas forçadas.

Miguel Oliveira sentia-se um peixe fora d'água, um pássaro com as asas cortadas naquele ambiente que não era o seu.

Seu terno, o melhor que tinha, parecia simples e mal ajustado em comparação com os trajes de grife dos outros convidados, ele podia sentir os olhares de desdém pousando em seus ombros, pesados como chumbo.

"Olha só, o caipira de Minas conseguiu um convite", uma mulher sussurrou para a amiga, a voz pingando veneno.

"Isabela deve ter um gosto muito exótico para trazer alguém assim para o nosso círculo", a outra respondeu, abanando-se com um leque de seda.

As palavras, mesmo ditas em voz baixa, chegaram aos ouvidos de Miguel como chicotadas, ele encolheu os ombros, o rosto queimando de vergonha e raiva.

Ele não pertencia àquele lugar, ele sabia disso, cada fibra do seu ser gritava para que ele fosse embora, para que voltasse para a simplicidade e o calor de sua pequena cidade.

Lucas Almeida, o noivo de Isabela, aproximou-se com um sorriso presunçoso nos lábios, seus olhos frios analisando Miguel de cima a baixo com um desprezo mal disfarçado.

"Aproveitando a festa, interiorano?", Lucas perguntou, a voz carregada de sarcasmo.

O sorriso dele era cruel, um deleite claro na humilhação de Miguel, ele se deliciava com o desconforto alheio, especialmente o de Miguel, que ele via como um inseto insignificante em seu caminho.

"Estou bem, obrigado", Miguel respondeu, a voz baixa, tentando manter a compostura.

"Não parece", Lucas insistiu, dando um passo à frente, invadindo o espaço pessoal de Miguel. "Você parece um cachorrinho perdido, esperando a dona voltar".

Miguel cerrou os punhos ao lado do corpo, sentindo o sangue ferver.

Ele queria responder, queria apagar aquele sorriso arrogante do rosto de Lucas com um soco, mas sabia que não podia, ele estava ali por Isabela, sua Amora.

Ele deu um passo para trás, tentando se afastar, escapar daquela situação sufocante.

"Com licença, eu preciso ir ao banheiro".

Mas Lucas foi mais rápido, ele agarrou o braço de Miguel com uma força surpreendente, seus dedos apertando o músculo com força.

"Aonde você pensa que vai? A diversão mal começou", Lucas disse, sua voz agora um rosnado baixo, a fachada de civilidade desaparecendo completamente, revelando o predador por baixo.

A força do aperto era um aviso, uma demonstração de poder que deixava claro quem mandava ali.

De repente, a mão de Lucas soltou o braço de Miguel apenas para pegar uma taça de champanhe da bandeja de um garçom que passava.

Sem qualquer aviso, ele virou a taça, derramando o líquido gelado e borbulhante sobre a cabeça de Miguel.

O champanhe escorreu por seu cabelo, por seu rosto, encharcando o colarinho de sua camisa.

O riso de Lucas ecoou pelo salão, alto e cruel, e alguns convidados próximos se juntaram a ele, apontando e rindo da figura patética de Miguel.

"Acho que você precisava se refrescar um pouco", Lucas zombou, jogando a taça vazia no chão, onde ela se estilhaçou em mil pedaços, o som agudo cortando o ar como um grito. "É assim que nós, da cidade grande, damos as boas-vindas".

Miguel ficou parado, imóvel, o champanhe pingando de seu queixo, a humilhação queimando mais do que qualquer ferida física, ele se sentia pequeno, impotente, um tolo.

Foi por ela, ele pensou, um pensamento desesperado para se agarrar a algo, foi por Amora.

Ele se lembrou do pedido dela, da voz doce e suplicante ao telefone, pedindo que ele viesse a São Paulo, que a ajudasse a reconquistar o que era dela por direito, ele acreditou nela.

Ele acreditou que seu amor era forte o suficiente para superar qualquer obstáculo, qualquer diferença social, mas agora, encharcado de champanhe e ridicularizado, ele sentia a primeira rachadura naquela fé cega.

Mesmo assim, uma determinação teimosa se firmou em seu peito, ele não fugiria, ele ficaria e lutaria, por ela, por sua Amora, sem saber que estava lutando em uma guerra que já havia perdido.

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