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Capa do romance Amor com Chocolate

Amor com Chocolate

Isabella, uma escritora em crise criativa, busca refúgio em Leavenworth na casa de seus avós para recuperar a inspiração. Lá, ela conhece Levi, um charmoso confeiteiro viúvo que vive apenas para sua filha, Abbie, cujo maior desejo é ter uma nova mãe. Em meio à neve e ao sabor do chocolate, nasce uma conexão profunda entre os dois. Juntos, Isabella e Levi descobrem que o afeto sincero pode curar feridas antigas, transformando suas vidas em uma nova e doce história de amor.
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Capítulo 1

15 dias para o Natal

Nova York

Isabella

Em minha cama, permaneço olhando para a tela em branco do meu notebook.

Por amar escrever, escolhi a carreira de escritora e sempre tive facilidade para transformar pensamentos em palavras. No entanto, desde que comecei esse novo livro, venho enfrentando um bloqueio criativo e até agora não consegui sequer escrever o prólogo.

O que também não ajuda em nada é a pressão do meu editor, Travis Simmons. Ele tem ficado no meu pé, querendo que eu entregue algo para ele, para que já comece a trabalhar em como será a divulgação e capa.

Sou tirada dos meus pensamentos com toque do celular. É só pensar no diabo, que ele logo aparece.

- Boa tarde, Travis.

- Boa tarde, Bella.

Levanto-me da cama e me vou até a sacada do meu quarto, daqui tenho uma perfeita vista do Central Park, e devido à altura, o barulho dos carros quase não incomoda.

- Então Bella, como anda a escrita do seu novo livro?

Essa tem sido sua pergunta, quando me faz a ligação diária para cobrança.

- Continuo sem conseguir escrever.

- O que está acontecendo com você Bella? Sempre foi tão boa para escrever, e agora está assim.

- Como dizem, tem uma primeira vez para tudo.

- Estou percebendo, já está há quase um mês parada, só tentando escrever.

- Infelizmente estou com bloqueio, é algo que todo escritor passa em algum momento.

- Sei disso. O que quero saber é quanto tempo esse bloqueio criativo irá durar?

- Não faço ideia, Travis. O que estou tendo não tenho como saber em que momento ele irá passar.

- Assim fica difícil, Bella.

- E você me ligando apenas para ficar pressionando não ajuda em nada, só deixa tudo pior. - Não tinha intenção de ser grossa com ele, só estou cansada.

- Desculpe, é que também estou sendo pressionado para ter esse seu novo romance. Mas vou te dar alguns dias de sossego para ver se resolve.

- Também sinto muito.

- Tudo bem, entendo que não está fácil. Será que posso dar uma sugestão a você?

- Claro.

- Ficar trancada em seu apartamento não faz bem para seu bloqueio. Então faça uma viagem, aproveite que o Natal está chegando e visite algum lugar que consiga relaxar, para encontrar de novo sua inspiração e voltar a escrever.

- É uma boa ideia, vou fazer isso sim, só não sei para onde irei.

- Pense com cuidado, se precisar de dicas me avise.

- Pode deixar, obrigada Travis.

- Disponha.

Encerramos a ligação, e permaneço olhando o parque, pensando em para onde posso viajar e ter esse sossego que preciso para superar o bloqueio.

Eu poderia ir para qualquer lugar, sei que existem muitas opções, por vezes já vi lugares lindos em alguma pesquisa para meus livros. No entanto, passar o Natal sozinha, rodeada de estranhos, não é legal. E sendo assim, só existe um lugar onde terei sossego e boa companhia.

Estou decidida... irei para Leavenworth, ficar com meus avós. A pequena cidade localizada no estado de Washington, tem pouco mais de dois mil habitantes e é uma reprodução da Alemanha, tanto que possui a mais frequentada Oktoberfest fora de Munique. Ela é também muito Natalina, e nessa época do ano tem muitos festivais.

Novamente meu celular toca, porém dessa vez é Madison me chamando para encontrá-la na cafeteria, pois tem um tempinho livre antes do próximo paciente. Por ela ser dentista, é raro seus momentos de descanso, então vou logo ao seu encontro.

Antes de sair, apenas troquei de roupa para uma mais apresentável e que me agasalhe do frio. Optei por uma blusa de gola alta, uma preta justa no corpo, com uma bota de salto agulha fino. E para fugir de parecer alguém de luto, por toda roupa preta, escolhi um casaco vermelho.

Por ser perto, resolvo ir andando e ao entrar no Sabarsky, parei próxima a porta, procurando por minha amiga em meio as mesas ocupadas. Ela me vê primeiro e levanta a mão, vou até ela e nos abraçamos.

- Espero que não se importe, mas já fiz nossos pedidos, assim temos mais tempo.

Aqui é nosso lugar de encontro, sempre estamos aqui, já sabemos o que pedir.

- Sem problemas.

- Que bom, aproveitei que o paciente cancelou a pouco e quis te ver. Como você está?

- Estou bem, e você?

- Também estou bem. Mas e a escrita, tem conseguido escrever?

Ao contrário das perguntas de Travis, sei que ela está realmente preocupada comigo.

- Bem que eu queria, não estou conseguindo escrever nada.

- Nada mesmo?

- Não, nem sequer decidi qual vai ser o plot da história, e sem isso não sei como seguir em frente. Esse bloqueio está me matando.

- Não fica assim, você é muito talentosa e logo vai conseguir escrever um novo bestseller.

- Tomara amiga. O Travis me deu uma ideia para superar esse bloqueio.

A garçonete vem trazendo nossos pedidos e os coloca na mesa, agradecemos e ela se afasta. Madison pediu uma Mozarttorte, que é feito com massa Nougat com recheio de pistache e glaceado com chocolate. O charme dele está nas claves desenhadas em cima com chocolate branco.

- E qual ideia ele deu?

- Para que eu faça uma viagem e descanse um pouco.

- É uma grande ideia, e está pensando em ir para onde?

- Pensei em ir para Leavenworth.

- Vai ficar uns dias com os seus avós?

- Sim, tem um tempo que não os visito. Estou com saudade de poder dar um abraço bem apertado neles.

- Eles vão gostar.

- Com certeza sim, eles vivem querendo que eu vá para lá.

- Se dependesse deles, você já morava lá há muitos anos.

- É verdade, até tenho um quarto só meu na casa deles. E indo para lá, não passarei o Natal sozinha.

Tento não me abalar com essa questão, desde o divórcio de meus pais, nunca mais comemorei a data com eles. Em alguns anos, meus avós vem ficar comigo, porém sempre somos só nós três.

- Ei, nada de ficar triste. Você vai viajar e se divertir, e não se preocupe com nossa comemoração de pré-Natal, podemos fazer depois, quando você voltar.

- É bom poder contar com vocês.

Ficamos um pouco em silêncio para comer nossa torta, por vezes não sei o que seria de mim sem meus amigos por perto. Todo o grupo está junto desde o Middle School.

O tempo de descanso dela está terminamos, então pagamos a conta e nos despedimos, prometendo nos encontrar antes da viagem.

Enquanto vou andando para casa, fico observando as pessoas andando, imersas em suas próprias vidas e cada uma com seus problemas. A empolgação das crianças, mesmo com todo esse frio é fofo, elas estão tranquilas em seu mundinho livre de problemas e dores, ao menos assim desejo a elas. Acho graça dos turistas deslumbrados andando no Central Park e tirando fotos. Não sei se é por ter sempre morado por aqui, mas não acho nada de tão inédito um parque no meio da cidade.

De volta ao meu apartamento, peguei o notebook para falar com meus avós. Já tem alguns anos que os presenteei com um computador para que possamos conversar quase todo dia, mesmo morando tão longe, eles sempre estiveram presentes em minha vida. Joane e Harold são pessoas muito carinhosas e bem gentis, eles são muitos queridos por todos que os conhecem.

Não foi preciso tocar muito, e logo sou recebida pelos sorrisos de meus avós na tela.

Como tenho a resposta deles de que posso ligar e o que faço, foi preciso de dos toques para que atendam sorridente e faço questão de retribui sorrindo de volta. Consigo identificar que estão na sala de jantar devido à decoração do ambiente.

- Nossa querida netinha como você está?

- Estou bem e vocês?

- Bem também, só com saudade de poder dar um abraço em você.

- Também estou com saudades. E tenho uma novidade para contar aos dois.

- O que aconteceu menina?

- Estou precisando de um descanso e decidi passar o Natal com vocês, se não tiverem outros planos.

- Querida, para você sempre deixaremos qualquer plano. - Fico emocionada com as palavras deles. - E ficamos muito alegres com sua visita.

- Que bom, vovó

- Que dia virá?

- Imagino que daqui uns três ou quatro dias, é o tempo que preciso para organizar tudo para essa viagem.

- Estaremos esperando ansiosos.

Sorrio para eles, é possível ver a felicidade deles por saber que passaremos o Natal juntos.

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