
Amor com Chocolate
Capítulo 2
Isabella
- Sua mãe também virá? - Posso sentir a esperança na voz de minha avó, uma que já perdi tem um tempo.
- Não sei, vovó. Ainda não falei com ela sobre a viagem, mas duvido que Kendra vá viajar, não deixará o trabalho de lado por isso.
- Uma pena queria ver a Kendra.
- Querida, não fique assim, sabe como nossa filha é.
- Sei sim, nunca nos liga e se ligamos, não fica conversando mais do que cinco minutos.
Bem que a minha mãe poderia dar mais carinho aos pais, quem vê de fora, pensaria que eles foram horríveis na criação dela. Quando na verdade, ela não poderia ter sido criada por pais melhores. O problema é mesmo com minha mãe, que é uma mulher fechada que não demonstra seus sentimentos. Tudo por culpa do meu pai, que fez até mesmo ela se fechar para mim.
- Vovó ela sempre está ocupada com o trabalho, não para pôr nada.
- O trabalho é só desculpa, sua mãe sempre está muito ocupada é para família.
- Harold não fale assim.
- E a verdade, Joane. A Kendra deixa bem claro que o trabalho dela é mais importante do que a família.
Meu avô está muito certo. Às vezes me sinto órfã tendo os pais vivos.
- Harold, ela apenas gosta de trabalhar.
- E tem momentos que só isso que ela parece gostar, Joane. A Kendra mora em Nova York e quase não se encontra com a filha. Não é Bella?
- Sim, vovô, Kendra nunca teve tempo para mim e isso não mudará. Muitas vezes liguei chamando ela para sair comigo, ou mesmo ir em um restaurante só para comer juntas, mas ela recusa dizendo que não pode porque tem que trabalhar.
Sei que o trabalho é algo importante, entretanto não pode ser a única coisa que importa na vida, a família é mais importante, mas para Kendra Bennett o que mais importa é o trabalho. Ela se tornou uma mulher muito bem sucedida, mas para isso esqueceu a família. Só queria ter uma mãe amorosa, como é o caso das minhas amigas, mas esse é um desejo que nunca se realizou.
- Nos deixa triste ver o seu olhar quando comenta que o único interesse da sua é trabalho.
- Vovô, não gosto de falar sobre isso.
- Sabemos disso querida. Então vamos falar sobre sua viagem, quando chegar te levaremos a Ambrosia.
- Ambrosia? O que é isso?
- É uma confeitaria da cidade, foi inaugurada depois da sua última visita. Isso já tem uns 6 anos?
- Deve ser, acho que fui no meu aniversário de 18 anos, depois que formei no colégio vocês que sempre vem para cá.
Sei que eles fazem isso, pois é a única forma deles verem minha mãe, que depois do divórcio se fechou por completo, até mesmo com a própria família. Assim nós que vamos até ela, nunca o inverso.
- E sobre essa confeitaria, eu conheço o dono ou dona dela?
- Se conhecer, não sei se irá se lembrar. Mas tenho certeza de que irá se dar muito bem com o Levi.
Apenas dou um sorriso, deve ser um senhorzinho fofo, aquele tipo de vozinho que fica dizendo que devemos comer mais, e por isso acreditam que vou me dar bem com ele.
- Harold tem razão, você é uma formiguinha, vai amar os doces que ele faz.
Deve ser divertido alguém de mais idade cozinhando, eu me divirto muito quando vou para a cozinha com meus avós.
- Vou gostar de conhecer ele então.
Conversamos mais um pouco antes de desligar, eles vão jantar na casa de um vizinho. Já eu ficarei sozinha nesse apartamento.
Por vezes essa solidão me sufoca, e penso se não é isso que está causando meu bloqueio. Eu consigo escrever histórias lindas para meus personagens, com finais felizes e encontrando um amor maravilhoso. E não tenho nada disso para vivenciar.
Até quando vou ficar sozinha nessa vida
💝💝💝💝💝
14 dias para o Natal
Leavenworth
Levi
O som estridente do despertador me faz acordar para mais um dia de trabalho, só queria ficar um pouco mais na cama, que está tão quentinha.
Após usar o banheiro, sigo para o quarto de Abigail, minha pequena está dormindo abraçada em seu ursinho de pelúcia. A única iluminação no quarto, vem do abajur de borboleta, que combina bem com o tom de rosa do quarto.
Quando minha amada esposa morreu em um acidente há dois anos, foi pela Abbie que levantei da cama toda manhã e não me entreguei ao luto. Minha princesa tinha apenas três anos e não entendia por que a mãe não estava mais em casa.
Decido deixá-la dormindo mais um pouco e desço para a cozinha, vou preparar as panquecas que ela tanto gosta, já que hoje precisarei tirar ela cedo da cama, pois sua babá ligou ontem à noite avisando que a família está com virose e ela não quer expor Abbie a doença.
Com tudo pronto, retorno ao quarto dela e me abaixo próximo a cama, fazendo um carinho em seus cabelos para acordá-la. Que só abriu um pouquinho os olhos e virou para o outro lado.
- Hora de acordar, princesa.
- Não quero, papai, deixa dormir mais um pouquinho.
- Se ficar na cama, suas panquecas de ursinhos vão ficar geladas.
Rapidamente ela levanta da cama, correndo para o banheiro, sabia que as panquecas iriam animar ela. A peguei no colo e desço a colocando em sua cadeira perto da ilha, para que possamos comer juntos.
A vendo assim, penso no que tenho ouvido de tantas pessoas da cidade. Que está na hora de superar o luto e arrumar uma namorada. O que não entendem é que para entrar em um relacionamento a moça tem que gostar da minha filha, e Abbie gostar da mulher, pois ela é e sempre será a minha prioridade. Quando essa mulher aparecer, não irei me recusar a essa nova chance para o amor.
Deixo esses pensamentos de lado para focar em minha garotinha, que está terminando de comer.
- Papai, porque acordei cedo, a Bruna não vem?
- Não princesa, ela ficará uns dias em casa, cuidando do Luan e Emma.
Emma é mãe solteira, e minha diarista, então contratei Bruna para cuidar de Abbie, por ser conhecida e de confiança. Por vezes, ela traz Luan junto, ele e Abbie são bem amiguinhos e estudam juntos.
Abbie deu um sorriso e voltou a comer, mesmo com apenas cinco anos, ela é muito inteligente, e também bem sapeca.
Ao terminar, subo com ela e a visto primeiro, optando por colocar um macacão de unicórnio, que é quase um pijama, mas bem quente e confortável. Arrumei seu cabelo com duas trancinhas, e coloco o gorro.
- Agora fique aqui assistindo um pouco de desenho, que o papai vai se arrumar e já volta.
- Tudo bem, papai.
Beijo sua testa e vou direto para o meu quarto, não me demoro muito, pois tenho uma parte do closet só para roupas de trabalho, composta de jeans e camisetas. A única diferença está no uso do casaco.
- Vamos princesa, na Ambrosia você assiste mais desenho.
Por morar perto da confeitaria, prefiro ir caminhando e aproveitar o clima frio que dura tão pouco no ano. Como Abbie tem dificuldade em andar por conta da neve, eu a carrego no colo. Acho fofo como ela vai dando tchau para todos que encontramos no caminho, ela é uma criança muito amorosa.
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