
Amor Além da Fama
Capítulo 2
O fim daquele encontro foi como uma espécie de conto de fadas. Mãos dadas, risadas, músicas cantadas em dueto no meio da rua, uma dança rápida. Não tinham nenhum rumo, andando pela larga calçada daquela grande avenida.
- Acho melhor eu ir pra casa, agora! - Disse ela.
- Onde você deixou seu carro? - Aron perguntou.
- Eu não ando mais dirigindo, prefiro a liberdade de fazer o que quiser e depois uso algum aplicativo pra chamar algum carro que me leve pra casa.
- Eu te levo, então!
- Aron, não seria uma boa chegar em casa com você, não agora. Você tem meu número, não tem? - Liberty perguntou para ele.
- Eu não faço ideia. - Aron respondeu, realmente não se lembrando se tinha o contato dela.
- Não vou te passar, tenho certeza que você será capaz de descobrir - ela respondeu sorrindo e dando um ar de mistério. Chegou bem perto dele, segurou seu cabelo pela nuca, colocou a outra mão em seu rosto, deu um suave beijo em sua bochecha e se despediu.
Aron achou que não conseguiria dormir, chegando em casa, mas caiu em um sono pesado.
Sonhou com Liberty e o sonho foi todo o complemento da noite que tiveram. Não foi um sonho sexual, foi sensual, apaixonante, com sentimento. Nunca tinha sonhado com ninguém assim.
Acordou pela manhã com uma chamada tocando.
- Filho, vou passar aí para te buscar, precisamos discutir como vamos acabar com os Fenders. Preciso da sua ajuda. Temos que achar todos os podres possíveis deles. - Gregory, o pai de Aron, falou, assim que ele atendeu, no seu jeito desesperado de conversar a distância.
- Pai, eu jamais faria isso. Você sabe que eu não concordo com o que estão fazendo! - Aron argumentou, mas nem foi ouvido.
- Chego em cinco minutos.
Gregory era do tipo de pessoa que preferia fingir que não ouvia as coisas que iam contra o que ele estava falando. Na verdade, só fazia isso com quem ele sabia que tinha menos poder que ele.
Não houve tempo sequer de Aron se arrumar e o pai já estava em seu quarto.
- Já disse para o Philip não deixar você entrar desse jeito. - Aron falou ao pai, se referindo ao seu secretário, que na verdade era mais uma espécie de governanta da sua casa.
- Ele não é maluco de me fazer esperar. Vamos direto ao assunto. Eu sei que você tem contatos com o pessoal da banda e que eles, com o incentivo correto, podem contar histórias sobre Fact. Precisamos de tudo. Talvez até alguns podres da irmã dele. - Aron detestava o comportamento do pai mas nunca o enfrentava. Aquele momento foi um divisor de águas.
- Eu sempre te respeitei, mesmo no ápice das suas loucuras, mas agora você vai me escutar! Não ouse falar de Liberty! Na verdade, não deveria sequer estar fazendo todo esse estardalhaço. Chega! Meu irmão merece descanso!
- Você tem coragem de levantar a voz para mim, defendendo aquela vadia da irmã dele? Não me diga que você está comendo ela? - Aron deu um tapa na cara do pai, como um impulso, quase que como um movimento de reação.
Gregory virou com um soco no nariz do filho, derrubando-o e fazendo seu sangue esguichar longe.
- Escuta aqui! Você acha que pode dar um tapa na cara de seu pai? Pois acredite que se quiser se voltar contra mim ou contra o que eu acredito que seja o melhor para nossa família, eu vou fazer tudo que estiver ao meu alcance para proteger você de você mesmo. Inclusive quebrar seu nariz para você aprender. - Ele deu de ombros e saiu, sem dizer mais nada. Aron nunca imaginou que seu pai faria aquilo.
- Aron, o que aconteceu? Meu Deus! - Philip entrou no quarto e viu o rapaz caído no chão, sem conseguir levantar, meio tonto, sangrando muito.
- Não foi nada, Philip - respondeu Aron, caindo novamente, enquanto se levantava.
- Até parece, está aí destruído! Vou pegar gelo! Vocês são malucos, isso sim! - Philip saiu correndo e logo voltou com um pacote com gelo. Sentou Aron, segurando-o nos braços e colocou o gelo no seu nariz.
- Talvez fosse bom chamar um médico, parece que ele te pegou de jeito. Pode ter algum trauma na cabeça, aí! - Ele sugeriu, mas Aron, imediatamente pediu para que ele esquecer disso, que já estava melhor.
Philip o colocou na cama e trouxe o café da manhã.
- Não acostume, não! Só trouxe algo para você comer, para não desmaiar!
Aron agradeceu e sequer respondeu nada, além de um obrigado, quase murmurando.
Depois de comer, voltou a dormir.
Liberty acordou cedo.
Diferente de Aron, ela pensou nele por alguns momentos, ficou empolgada com a noite anterior, mas sua mente tinha alguns mecanismos que dê alguma forma a impediam de criar expectativas. Dormiu pouco e não teve sonhos, pelo menos não lembrou-se de ter. Ela fazia um serviço social, pela manhã, ajudando num hospital infantil do câncer.
A tarde ela dava aulas de piano e fazia ensaios com a orquestra da qual ela fazia parte. A mulher mais jovem a ocupar uma vaga de pianista numa orquestra daquele porte, apesar de não ganhar muito, ela tinha muito orgulho do que fazia e amava aquilo.
Seus pais não eram ricos, apesar de não passarem dificuldades e da vida ter melhorado muito depois do sucesso do irmão. Fact a amava e valorizava tudo que ela fazia. Teve inspiração musical nela, a quem dedicava muito de sua fama.
Entre uma aula e outra, resolveu escrever para a mãe:
"Oi, mãe, tudo bem? Espero que tenham pensado melhor sobre o acordo a respeito do espólio!"
"Oi, filha, tudo bem, espero que esteja bem também! Não chegamos, infelizmente. Eu falei para seu pai pedir metade, propor isso, mas ele acredita que no momento que propuser isso, o crápula do Gregory irá automaticamente pedir mais, mudar seus termos novamente. Ele não acha justo. Eles tem tanto e não reconheceram em nenhum momento, sequer, que o trabalho deles era meio a meio."
Seus pais tinham razão, mas chega uma hora que a razão não deveria mais ser levada em consideração.
"Mãe, eu tive um encontro com Aron, nada aconteceu, mas estamos envolvidos e acho que algo pode rolar. Precisava que você soubesse!"
"Querida, a única coisa que posso te aconselhar sobre isso é: Se afaste dele, não se envolva, enquanto ainda é tempo!"
Ela não chegou a responder sua mãe. Recebeu uma mensagem de Aron:
"Achei seu número! Será que podemos nos ver hoje a noite novamente?"
Liberty quis se fazer de difícil, mas não viu motivo para ir contra o que queria.
"Sim. Acho que sei um lugar tranquilo, vou te mandar a localização e o horário."
Liberty sorriu, terminou de escrever e voltou a dedilhar as teclas do piano, enquanto aguardava a chegada de seu aluno.
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