
Amor Além da Fama
Capítulo 3
"Espero que não pense que usar um Motel como ponto de encontro signifique que tem uma intenção de sexo por trás. Costumo ir sozinha nesse lugar sempre que quero privacidade, servem uma comida deliciosa e a decoração é incrível. Pensei que evitaria problemas com gente nos reconhecendo, jornalistas fazendo matérias, etc. Te vejo mais tarde? "
A explicação de Liberty, junto com o endereço, teria feito a mente de Aron viajar longe, com as possibilidades daquele convite, se ele não estivesse com a cara inchada, depois de ter colocado no nariz no lugar, sozinho e anestesiado pelas medicações que tomou por conta própria. Respondeu que sim para a pergunta e foi no horário combinado.
- Aron, o que aconteceu? - Foi a reação de Liberty ao ver a cara do rapaz, quando ele chegou, correndo em direção a ele.
Ele contou cada detalhe da visita matutina do pai, inclusive que aquela havia sido a primeira vez que ele o enfrentou na vida.
Liberty não resistiu e beijou Aron que não aguentou a dor por muito tempo, apesar de ter tentado, pois ele queria muito aquele beijo.
- Nossa, me desculpe! Mas ouvir você falando que deu um tapa no seu pai e tomou um soco de volta, para me defender, foi um pouco Irresistível para mim.
A palavra irresistível fez Aron notar pela primeira vez como Liberty estava produzida. Ela usava um vestido vermelho escuro, bem justo, que combinava com a cor do batom, que ressaltava ainda mais seus lábios grossos. O estilo era um pouco diferente do habitual dela, que normalmente chamava a atenção, mesmo tendo um perfil mais "clean", com maquiagem leve, roupas claras e poucos acessórios.
Mas, naquela noite, ela inconscientemente se vestiu para matar. Poderia facilmente ser eleita a mais linda e sexy de uma noite de premiações, isso tudo, sem parecer exagerada.
- Você está incrível. Não que normalmente você não esteja, mas você fez essa preparação para me ver? - Aron tentou expressar pelo menos um pouco de seu espanto.
- Estou muito exagerada? Queria fugir um pouco do básico que sempre uso. - Liberty olhou no espelho, ouvindo o elogio e assimilando como algo completamente diferente, algo que fazia parte de sua personalidade, por não ser tão confiante em si mesma e achar que todos a elogiavam por simpatia.
- Eu me sinto honrado por você ter se arrumado dessa forma para me ver. O seu básico já é algo de parar qualquer trânsito, mas você arrumada, assim, podia subir ao palco de um grande show. Juro que eu te beijaria dessa vez, se não parecesse que tem um buraco de dor no centro do meu rosto.
Liberty acariciou o cabelo dele e o abraçou. O aumento da temperatura corporal de ambos, no contato, foi imediato.
Ela se afastou e pediu pra ele se sentar e escolher o que comer.
- Você tinha razão, esse lugar é mesmo impressionante. Tenho a sensação nesse ambiente que estamos num restaurante famoso e já vejo pelo outro lado que a parte do quarto também parece mágica. - Aron percebeu depois daquele abraço que dificilmente, mesmo em seu estado, eles não acabariam naquela cama.
Pegou o cardápio e escolheu um prato leve e um vinho. Liberty o acompanhou e fez o pedido através de uma tela digital que ficava fixada na mesa.
- Contei para minha mãe que pretendo me envolver com você... - Liberty contou.
- Sério? Você pretende se envolver comigo? - A curiosidade de Aron foi maior em relação a essa revelação do que sobre a reação da mãe.
- Não tinha ficado evidente? - Liberty respondeu com seu tradicional sorriso encantador.
- Mas ouvir isso da sua boca, com certeza resolve algumas dúvidas.
- E você pretende se envolver comigo?
- Mais envolvido do que já fiquei? Só se eu morar dentro de você... - Aron percebeu como aquilo tinha soado e tentou se corrigir. - Digo, no sentido de alma, de pensamento, você entendeu, né? - Ambos riram e foram interrompidos pela campainha que indicava o serviço de jantar. - Fui salvo!
Ele se levantou, permitiu a entrada do garçom que serviu os dois e desejou um bom apetite.
- Um brinde? - Sugeriu ela.
- A uniões improváveis, repentinas e inesperadas? - Aron perguntou de volta.
- Parece uma ótima causa - ela concluiu, os dois brindaram e provaram o vinho.
- Mas o que sua mãe te respondeu? - Finalmente ele perguntou, após o gole.
- Que eu deveria ficar bem longe de você e me afastar o mais rápido possível, enquanto isso ainda estava no começo. Chamou seu pai de crápula, eu acho...
- A palavra é um pouco antiquada, mas não parece tão errada para definí-lo. Eu sei que faz parte de como ele foi criado, forçado a aprender que precisava fazer o que fosse para manter a herança de meu avô. Foi jogado nessa realidade muito cedo e os tempos eram outros. Não consigo julgá-lo pois, para mim, ele é só uma vítima dessa realidade que lhe foi imposta.
- Ainda assim, isso não muda as consequências das ações dele, não é? - Liberty tentou fazer Aron pensar.
- Você tem razão, não muda. - Aron respondeu, pesaroso, ficando em silêncio por um tempo, enquanto comia com dificuldade.
- Pelo menos não perdeu nenhum dente. Foi um soco digno de um lutador - Liberty analisou.
- Tá horrível, né? - Aron perguntou.
- Tá sim, chego a ficar com dó de você. Fico um pouco chateada que na nossa primeira vez você não poderá usar muito bem nem a boca e nem a língua. - A cara que Liberty fez para Aron, com um olhar de baixo para cima, provocante, merecia uma atitude de arremessar longe tudo que estava em cima da mesa e pular em cima dela, mas Aron só continuou aproveitando a visão por uns segundos.
- Nossa primeira vez, então? - Ele quis fazer ela falar mais sobre suas intenções.
- Bom, de verdade não era minha intenção em primeiro lugar, mas eu sabia que haviam grandes chances daquela cama ter nós dois, pelo menos abraçados. Sua cara amassada podia parecer um fator negativo, mas o motivo dela estar assim, foi fundamental para eu querer arrancar sua roupa e beijar cada pedacinho do seu corpo. - Aron estava extasiado por como ela conseguia ser direta em seus desejos e ao mesmo tempo tão encantadora.
- Bom, acho que isso finaliza o jantar e pede a cama com urgência. - Ele se levantou, pegou ela no colo, a jogou na cama e começou a tirar a própria roupa.
Ela fez o mesmo e os dois admiravam os corpos um do outro durante o processo, como se nunca tivessem visto alguém nu antes.
Liberty levantou, deu a volta nele e jogou Aron na cama, empurrando-o pelo peito.
- Agora, você fica quietinho que sou eu quem começo!
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