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Capa do romance Amor à Toda Prova

Amor à Toda Prova

De volta ao Brasil após cinco anos, Chloe conhece Roger, um misterioso amigo de seu irmão que esconde laços familiares profundos. A atração é imediata e se intensifica quando passam a trabalhar no mesmo setor da empresa dos pais dela. Embora mergulhem em uma paixão intensa, segredos obscuros emergem para abalar essa união. Entre conflitos e revelações amargas, o casal enfrentará provações constantes, culminando em um desafio final que decidirá o futuro do relacionamento.
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Capítulo 2

- Uau! Até que enfim. - Antony abriu os braços ao ver-me entrando na cozinha.

- Quanto tempo, cidadão. - O abracei forte.

Tony era amigo do meu irmão desde sempre. Morou na nossa rua, estudaram juntos; e assim como o André, ele também tinha um instinto protetor e se julgava meu irmão.

- Você sempre foi linda, Chloe, no entanto os cinco anos na Itália transformaram-na em uma mulher extremamente exuberante.

- Obrigada. - O abracei novamente. E só aí me dei conta de que, além do André e do Tony, havia outro homem que eu nunca tinha visto. Mesmo porque, se tivesse, dificilmente teria esquecido. Ele era lindo, alto, cabelos castanho-escuros até a altura do pescoço, pele bronzeada e os olhos pretos e expressivos. Os italianos eram homens belíssimos, galanteadores. E esse não perdia em nada; pelo contrário, era um páreo duro.

- Esse é o Roger, é com ele que você vai trabalhar - André nos apresentou. - Roger, essa é a minha irmãzinha, Chloe.

- Oi! Prazer - cumprimentei-o com dois beijos no rosto.

- Prazer, Chloe. Vai ser muito bom ter você na nossa equipe. - Sua voz soou como um acorde de violino nos meus ouvidos.

- Fico feliz - retribuí a recepção com um discreto sorriso.

Eu não contava que, ao voltar e assumir um cargo na metalúrgica do meu pai, eu teria essa surpresa. Trabalhar ao lado de um homem cujo olhar era fascinante.

- Nos conte, Chloe. Como foi a experiência de viver cinco anos longe do seu irmão? - perguntou Tony, em tom de brincadeira.

- Uma maravilha, eu diria mais... uma bênção. - Caminhei rindo até a geladeira e peguei uma cerveja.

- Você bebendo cerveja? - meu irmão indagou com sua velha conhecida cara de espanto.

- André! Acorda. - Encostei minha latinha na dele. - Fratello salute.

- Saúde - responderam Tony e Roger em uníssono.

- Está com uma carinha ótima, filha - comentou minha mãe, assim que entrou na cozinha acompanhada do meu pai.

- Obrigada, umas horinhas de sono me caíram muito bem. - Sorvi um pouco da cerveja estudando o meu futuro colega de trabalho.

- A Chloe tornou-se uma linda mulher - reafirmou Tony.

Sorri agradecida e troquei olhares com Roger, que estava totalmente à vontade com no meu seio familiar.

- Tony, cai fora! Você é dez anos mais velho que a minha irmã, se enxerga.

- Eu não ligo para a idade, Tony. - Pisquei para ele, brincando. Eu adorava irritar o André, assim como ele amava me infernizar; já estava com saudades de seus devaneios em relação aos homens e seus galanteios. Isso sempre o tirou do sério, deixando-o puto da vida a ponto de querer me trancar dentro de casa, como acontecera certa vez.

Quanto ao Tony, ele era muito bonito, loiro, cabelos bem curtos e lisos, olhos castanhos, esguio e extremamente educado, sabia exatamente dizer as palavras certas no momento certo. Sempre foi tranquilo, caseiro e por isso acabou se casando com uma golpista que soube direitinho se aproveitar das qualidades dele.

Ele era dono de uma rede de lavanderias, herdou o negócio do pai e multiplicou sua herança ao longo dos anos. Com seu coração grande, não percebeu que estava caindo em uma cilada e acabou se casando com uma mulher, que dois anos mais tarde enfiou uma faca em seu peito ao trocá-lo por outro. E se não bastasse levou também uma fortuna junto com ela. Eu não presenciei a história toda, pois já havia me mudado para a Itália. Fiquei sabendo, porque meus pais e irmão me colocaram a par da situação e mesmo de longe demonstrei minha solicitude.

- Nem de brincadeira - meu irmão insistiu, dando um ligeiro soco no braço do Tony, que correspondeu rindo.

- Que tal minha famosa caipirinha? - perguntei já separando os ingredientes.

- Roger vai provar a melhor caipirinha do mundo - Tony caminhou em minha direção, pronto para me auxiliar como sempre fizera.

- Então, vamos lá! - Empolgada com toda a situação, principalmente pelo estimulante amigo novo do meu irmão, preparamos dois litros de caipirinha.

- Aceita, Roger? - inquiri erguendo um copo.

- Por favor - ele anuiu e eu o servi.

Roger bebeu um generoso gole e lançou seu olhar desestabilizante em minha direção. Aquele capaz de fazer qualquer mulher existente na face Terra, aquecer-se como se estivesse em pleno climatério.

- Perfeita, Chloe. - O atraente amigo do meu irmão virou o copo na boca, olhando-me com curiosidade, como se estivesse me estudando e seu potente olhar, esquentou-me ainda mais.

- Obrigada. - balbuciei

Nossos olhares foram interrompidos pelo som da campainha. André retirou-se e voltou acompanhado por duas mulheres. Uma loira abraçada a ele e uma morena, que tascou um beijo na boca do Roger assim que o viu. Caramba! Por essa eu não esperava. Sem graça diante da revelação desestimulante murchei como uma flor sedenta por míseras gotas de chuva em um verão escaldante.

- Olá! - disse a loira.

- Dafne? Essa é a Chloe, minha irmã.

- Oi! Prazer - cumprimentei-a com um beijo.

- Que legal! Até que enfim estou conhecendo a irmã do André, ele fala muito em você.

- Espero que bem. - Pisquei para o meu irmão e sua simpática namorada sorriu.

- Ah! Essa é a Kelly, namorada do Roger.

- Oi, Kelly. Prazer - cumprimentei-a também.

- Prazer o meu - retribuiu com extrema polidez.

- Estão servidas? - ofereci a caipirinha, tentando disfarçar o meu desapontamento.

Se toca, Chloe, você acabou de conhecer o cara. - Minha voz interna tentou me chamar à razão, no entanto, parte de mim não estava disposta a cooperar.

- Meninas, não bebam demais, isso sobe que é uma beleza - meu pai recomendou e saiu para a área da churrasqueira, eu quase o segui se não fosse pela curiosidade da Dafne.

- E aí? Me conta, cunhada, como está sendo a sua volta? - questionou esticando o braço para pegar o copo e se servir da bebida.

- Por enquanto ótima. - Ri. - Eu amava o meu emprego, minha casa, os amigos que fiz por lá, mas já era hora de voltar. Estava com muita saudade de todos e de tudo. Sabem como é... "Um bom filho à casa torna". - Sorri novamente e sorvi minha caipirinha.

— Deixou algum gato italiano por lá? — Kelly perguntou bebendo seu segundo copo.

— Não. Já havíamos terminado há quase quatro meses. Viramos grandes amigos.

— Tinha namorado? Como nunca nos disse? — André franziu o cenho ao me indagar.

— Se liga, André! Belíssima como a Chloe é, acha que ela ficaria esses anos todos solteira? — frisou Tony.

— Acho que o Tony respondeu. — Tilintei no copo do meu amigo. André era tão protetor, que chegava a ser hilário.

— Chloe! — André beliscou meu braço. — O que aconteceu com a minha irmã?

— Não faço a mínima ideia. — Devolvi o beliscão. — Provavelmente ela se livrou das amarras e foi ser feliz por aí?!

— Poderíamos sair nós seis para dançar. O que acham? — sugeriu Kelly.

— Não é uma má ideia, o Tony está sozinho e a Chloe também — comentou Dafne.

— Estou gostando da ideia. — Tony aproximou-se e envolveu minha cintura.

— Pois eu não. Tira suas patas da minha irmã. Já disse é muito velho pra ela.

— Você também é oito anos mais velho do que eu, assim como o Roger é sete mais velho que a Kelly — protestou Dafne. — O que tem de errado nisso?

— Viu? — Beijei o rosto do Tony entrando na brincadeira e observei que o Roger só me fitava calado, com sua namorada gostosona a tiracolo.

— Posso me servir? Sua caipirinha é divina — perguntou Kelly, no seu quarto copo.

— Claro! — respondi ao ajudá-la.

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