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Capa do romance Amor à Toda Prova

Amor à Toda Prova

De volta ao Brasil após cinco anos, Chloe conhece Roger, um misterioso amigo de seu irmão que esconde laços familiares profundos. A atração é imediata e se intensifica quando passam a trabalhar no mesmo setor da empresa dos pais dela. Embora mergulhem em uma paixão intensa, segredos obscuros emergem para abalar essa união. Entre conflitos e revelações amargas, o casal enfrentará provações constantes, culminando em um desafio final que decidirá o futuro do relacionamento.
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Capítulo 3

Meu celular vibrou e fui atendê-lo na sala. Fugir mesmo que por alguns minutos da tensão era bom. Sentei-me no sofá e Fog, como se me conhecesse a vida toda, colocou sua cabeça no meu colo. Acariciando meu recente amigo peludo conversei por quase meia hora com Enrico, um amigo da Itália. Quando encerramos a conversa e eu voltava para a cozinha esbarrei acidentalmente em Roger, que saía do banheiro.

- Ai, desculpa. - Afastei-me por conta do susto.

- Imagina! Eu assustei você. - Roger afirmou, apertou meu ombro com delicadeza e ao sentir seu toque quente na minha pele por ora fria, fez-me querer correr dali antes que não conseguisse sequer afastar-me da presença enigmática dele.

- Tudo bem! - Vislumbrei seu rosto quadrado, másculo e um convite ao pecado. - Estava distraída, não descansei o suficiente, quando cair na cama tenho certeza que vou desmaiar. - Trocamos um sorriso e até isso nele era tentador.

O moreno charmoso se afastou, deu-me passagem e caminhando a passos lentos atrás de mim seguimos em direção à cozinha.

- Vamos ao jantar? - minha mãe perguntou e soltei uma piada um tanto sem graça, eu diria:

- Ué! Pensei que o caldeirão fosse ferver - brinquei.

- Te enganei! Bobinha. - confirmou, André sugando com exagero os lábios da namorada e cheios de chamego rumaram para o quintal.

Meus pais prepararam comida para um batalhão, nós nos sentamos e entre uma garfada e outra conversamos sobre tudo, minha estadia em Pádua, amizades, namoros e, claro, meu regresso para a metalúrgica dos meus pais. Eu descobri que o Roger na verdade era amigo do Tony antes de ser do meu irmão. Eles estudaram juntos na faculdade e haviam perdido o contato, mas há quatro anos se reencontraram. Tony o apresentou ao André e, pronto, estava formado o trio de gostosões, para o terror da mulherada. E desde então ele trabalhava na empresa da minha família. Acabei descobrindo também que namoravam as garotas, que eram amigas há menos de seis meses. A Kelly bebeu tanto, que nem se deu conta das olhadas furtivas do namorado direcionadas a mim, deixando-me desconfortável.

Terminamos o jantar e nos sentamos na área onde ficava o jardim da casa. A lua estava linda, exuberante e eu não sabia se contemplava o céu estrelado ou o Roger me encarando com suas pupilas escuras num tom incomum. Quanto a namorada dele, a moça se amontoou em uma das cadeiras e adormeceu totalmente embriagada, não só pela caipirinha, mas por toda bebida

alcoólica que fora servida. Ela literalmente apagou.

- Ela bebe, né? - sussurrei no ouvido do Tony, mostrando a Kelly discretamente com a cabeça.

- Não sei o que o meu amigo viu nela - Ele balbuciou dando um meneio de cabeça.

- Ela é linda. - eu disse por fim.

- Você é linda e não bebe feito um gambá - brincando, Tony me empurrou com o ombro e devido ao impacto acabei me desestabilizando.

- E você continua um gato. - Rindo, baguncei o cabelo dele e não pude deixar de notar os olhares de Roger sobre nós.

- Estão cheios de graça, hein? - André debochou do amigo.

- Não enche, André, por favor, acabei de retornar, deixa para pegar no meu pé nas próximas semanas, preciso de folga, pelo menos da sua atenção excessiva. - retruquei, rindo. - Sabe que não curto microgerenciamento da minha vida, menos ainda feito por você, maninho.

Achando graça da briguinha entre irmãos, meus pais se despediram e sonolentos se recolheram.

Tony e eu lavamos a louça e limpamos a churrasqueira. Enquanto André engolia a boca da Dafne, Kelly dormia amontoada na cadeira como um saco de batatas e Roger apenas observava tudo calado, inclusive minha intimidade com o Tony.

- Acho que vou decolar também. Estou morta de cansaço e sono - comentei. - E amanhã... quer dizer mais tarde, porque já são três da manhã, preciso desfazer as malas. Buona notte pra quem fica. Trouxe um presente pra você, gatão. - Apontei para o Tony.

- Não precisava. - Ele se aproximou. - Aliás, sábado tem uma festa beneficente. Tanto seu pai quanto eu apoiamos a causa. Quer me acompanhar? - sussurrou. - Seria uma grande honra levá-la, serei o homem mais sortudo do local.

- Awn... Você continua um fofo e eu nem fazia ideia dessa tal festa. - Sorri para ele. - Eu vou sim, aceito ser sua acompanhante. Trouxe um vestido novinho de grife, ótima ocasião para vesti-lo - murmurei imitando-o, como se precisássemos esconder algo de alguém. - Até mais, gatão. - Dei um beijo e ele retribuiu. - Tchau, Roger, foi um prazer. Dafne também e a Kelly... - Olhamos para ela, que continuava apagada. - Enfim, um prazer geral reencontrar velhos e novos amigos. - Acenei.

- Até segunda, Chloe. - Roger se levantou e caminhou em minha direção. - Temos muito para conversar, trabalharemos juntos. Bem-vinda à equipe. - Sorriu discretamente e minhas pernas bambearam. - Precisamos alinhar algumas questões, mas tenho plena convicção que tirará tudo de letra. - Ele proferiu cada palavra me sorvendo com os olhos como se eu fosse a mais saborosa das bebidas.

- Ah! Claro. - O encarei. - Obrigada e até segunda. - Virei-me rapidamente, pois não queria que percebessem o quanto meu rosto estava ruborizado, era corajosa e às vezes ousada, entretanto, um pouco de prudência não fazia mal a ninguém.

Antes de sair da presença deles, Roger e eu trocamos um último olhar, um com uma energia quase tangível, ainda confusa com tudo que sentira, subi para o meu quarto e tomei outro banho, desta vez um gelado, somente a gélida água seria capaz de me fazer sair do transe, eu estava num misto de sono e alteração da consciência. Entorpecida, rolei de um lado ao outro da cama até sentir minhas forças se esvaindo.

- Socorro, no que eu estou me metendo?! Acabei de chegar e me deparo com o amigo gostosão do meu irmão, tão atraente e charmoso quanto desafiador. Roger... Roger, espero ter uma noite de sono reparador atrelado a bons sonhos, só espero que você não os invada também.

Sorrindo como uma boba, bocejei, ajeitei-me e adormeci.

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