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Capa do romance Amante [Morro]

Amante [Morro]

Bg é o criminoso mais caçado do país. Após vingar a irmã e assumir o tráfico aos dezesseis anos, ele se tornou um homem gélido e poderoso. Sua vida muda ao desejar Samantha, uma estilista de sucesso que o detesta profundamente. Criada em meio a traumas familiares, ela venceu sozinha no mundo da moda. Agora, uma proposta inesperada sela o destino desse casal oposto. Entre a frieza dele e a alegria dela, uma paixão explosiva e perigosa começa a queimar.
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Capítulo 1

Karol

Abri a porta de casa depois de mais um dia cansativo, o estágio que eu fazia era em uma grande clínica veterinária do outro lado dessa porra de cidade. Entrei vendo as marcas de sangue no chão, coloquei a mão na boca estática pela quantidade. Sentados no meu sofá estavam dois caras que eu reconheci serem vapores aqui do morro e deitado no maior estava um homem baleado. Fechei a porta atrás de mim e caminhei até eles.

 Karol: O que porra tá acontecendo aqui? – O magrinho que é um dos amigos do meu primo eu já conhecia, uma vez ele veio trazer umas compras aqui em casa para mim.

 Magrinho: Aí mina, disseram que tu é médica e o mano aqui tá precisando retirar a bala do peito. – Neguei sabendo da intenção deles.

Xx: Qual foi mina? Vai me deixar morrer? Eu te pago pelo serviço pode deixar. – O cara que estava deitado no meu sofá praticamente morrendo de sangrar disse com a voz fraca.

Não era sobre isso, era sobre eu ter aprendido a cuidar de animais e não de pessoas. Caminhei até o armário da cozinha e peguei uma caixinha de primeiro socorros que eu deixava lá.

Peguei os produtos para higienizar e me sentei em um banquinho na frente dele.

Karol: Toma. – Estendi um pano de prato pra ele. – Morde isso aí pra você não gritar tanto.

Ele colocou a toalha na boca assim que eu despejei o líquido na ferida, os gritos abafados pela toalha na sua boca eram estridentes.

Peguei a pinça com as mãos tremendo e retirei a bala do ferimento. Quando eu peguei a agulha pra começar a suturar o ferimento o cara segurou a minha mão me impedindo.

Xx: Toma cuidado aí Doutora. – Revirei os olhos.

Terminei tudo e me levantei, lavei as mãos na pia e voltei encontrando ele sentado no meu sofá.

Karol: Você vai comprar um novo pra mim, destruiu o meu sofá de sangue! – Murmurei.  Por hoje a minha raiva por eles terem sujado a minha humilde casa superou o medo de levar um tiro no meio da testa.

  Xx: Qual é o teu nome todo mandada?

 Karol: Karolynne Santos de Almeida, vai me cadastrar no bolsa família?

 Xx: Satisfação Karol, o vulgo é Noronha. Amanhã um menor vem trazer uma meta aqui na tua porta. – Ele tentou se levantar bruscamente, mas parou quando sentiu a dor.

Karol: Você não vai conseguir sair assim, é melhor você dormir aqui mesmo. – Ele concordou. – Qualquer coisa eu tô no meu quarto. – Murmurei.

Entrei no quarto e peguei a minha toalha passando direto para o banheiro. Tirei toda a minha roupa e liguei o chuveiro entrando em baixo, o sangue escorria pelo ralo a baixo.

Tomei um banho demorado, me sequei, passei um hidratante e vesti um pijama. Sai do quarto e voltei pra sala vendo os três ainda lá.

Magrinho: Tem como tu arranjar uns cobertor pra nós aí não novinha? – Revirei os olhos.

Karol: Abusado. Voltei pra o quarto e peguei alguns cobertores fofinhos com a maior dó sabendo que sujaria de sangue e se eu conseguisse tirar a mancha seria com muito suor.

 Karol: Aí. – Joguei em cima do magrinho.

Magrinho: Não é porque tu tá ajudando a gente agora que tu vai faltar com respeito não, bandido é bandido. – Concordei com ele e abaixei a cabeça morta de vontade de mandar ele se foder.

Karol: Desculpa aí chefe. – Murmurei. – Da próxima eu deixo morrer mesmo. – Falei baixinho para que só eu ouvisse.

Noronha: Deixa a mina magrinho.

Voltei pra o meu quarto e deitei na cama, coloquei um filme na Netflix e assisti até o sono me vencer.

 [...]

Acordei com o toque do celular, peguei a minha bomba debaixo do travesseiro e atendi a ligação.

 Karol: Que foi caralho? – Gritei.

Xx: Oi. – A mulher falou e desligou a chamada. Chamei todos os palavrões que existem com o número, acordar assim é um saco!

Me levantei da cama e entrei no banheiro, escovei os dentes e fui até a sala. Estava vazia, os caras já tinham ido embora, mas deixaram uma bagunça enorme pra palhaça aqui limpar.

Suspirei tentando não surtar. Liguei a jbl e conectei no celular, coloquei pra tocar a música "Ela é malandra" e fui atrás das coisas pra limpar a casa na área de serviço.

Terminei por volta das onze horas, minha casa ficou limpinha tirando o sofá que eu tive que empurrar pra o quintal e lavar lá.

Tomei um banho e vesti um short jeans com uma camisa do Corinthians. Mandei mensagem pra uma lanchonete aqui do morro e pedi uma quentinha, me sentei na mesa da cozinha e comecei a olhar a página de fofocas da Rocinha no twitter.

Tinha um recado lá avisando que o dono do morro tinha sido baleado em confronto e foi levado para a casa de uma moradora no meio da noite.

Coloquei a mão na boca, em que merda eu me envolvi? Achei que era só um vaporzinho meia boca. Escutei o barulho na minha porta e me levantei pra pegar a quentinha, abri o portão e vi o magrinho encostado na XRE.

Karol: Veio limpar minha casa? Chegou atrasado. – Ele sorriu negando.

Magrinho: Tu tira muita marra pra cima de bandido Karol, vai morrer cedo desse jeito.

Karol: Novidade. – Murmurei.

Ele me estendeu uma sacola e eu abri o portão indo pegar, abri vindo que dentro tinha um bolo de dinheiro. Pelo menos não são mentirosos.

Karol: Não vou negar porque eu vou precisar comprar um sofá novo e vocês são bandidos ricos, Karolzinha é pobre. – Ele riu negando.

Magrinho: Vai me convidar pra entrar não? – Neguei. – Eu entro do mesmo jeito novinha.

 Ele passou por mim entrando na minha casa, bufei irritada e fui atrás.

 O Magrinho abriu a geladeira da minha casa e pegou um pote de sorvete que tinha lá, ri da careta que ele fez quando viu que era feijão.

Magrinho: Filha da puta! Tem nada nessa casa não?

Karol: Me dá trabalho, faça minhas compras e depois reclame. – Ele me deu dedo.

 Magrinho: Vou pedir uma comida no garu.

Karol: Eu já pedi. – Falei enquanto mexia no celular.

Magrinho: Tô ligado. O Noronha quer bater um papo contigo, tem uns serviços pra tu pô. – Enruguei a sobrancelha.

Karol: Ele é o dono do morro? – Ele concordou. – Não tem mulher?

Magrinho: Outros tipos de serviço Karolzinha, tá voando alto.

Karol: Humm... Não quero me envolver com esse tipo de gente. – Ele murmurou alguma coisa tão baixo que eu não consegui ouvir.

Magrinho: É uma pena tu não ter opção, porque se o Noronha quer ele vai infernizar a tua vida até ter.

Agora pronto!

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@aut.izzamarques

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