Seguir
Capítulos
Compartilhar
Capa do romance Aluga-me para o Natal

Aluga-me para o Natal

Uma autora de romances sem dinheiro aceita uma oferta inusitada: fingir ser a namorada de um bilionário misterioso por dez dias. O objetivo é enganar a avó dele durante as festividades de Natal. No entanto, o que deveria ser apenas um acordo comercial e uma atuação profissional ganha contornos inesperados. Entre mentiras e jantares de família, a linha entre a ficção e a realidade se apaga, desafiando os sentimentos da própria escritora.
Capítulos
Compartilhar

Capítulo 2

Daniel Cortez:

A primeira vez que vi Clara Vasconcelos pela câmera do computador, algo em mim relaxou.

Ela parecia real.

Não no sentido de "naturalmente bonita", embora fosse - com os cabelos soltos, uma blusa que visivelmente havia sido desamassada às pressas e um fundo com livros milimetricamente posicionados. Mas real no jeito que os olhos dela piscavam rápido demais, ou no modo como sorriu quando errou o botão da câmera logo de início. Era como se dissesse: "Estou fingindo segurança, me dá só um minuto".

E eu entendi. Porque eu também estava fingindo.

- Clara Vasconcelos? - perguntei, mesmo já tendo certeza.

- Presente - ela respondeu, como se estivesse numa chamada de escola. Sorri antes que pudesse evitar.

A conversa seguiu mais leve do que eu esperava. Ela era espirituosa, afiada, cheia de ironia. E mesmo enquanto confessava, sem nenhum filtro, que sua agenda estava "cheia de rejeições editoriais e boletos vencidos", eu só conseguia pensar que talvez isso funcionasse. Que talvez fosse ela.

Eu não precisava de uma modelo. Eu precisava de alguém que soubesse improvisar. Alguém que conseguisse transformar dez dias de mentira em algo que minha avó não questionasse.

Depois de vinte minutos de conversa, onde ela mais me fez rir do que qualquer outra pessoa tinha feito nos últimos seis meses, eu soube.

- Clara - disse, encostando os cotovelos na mesa. - Antes de prosseguirmos, preciso ser honesto com você.

Ela assentiu, ainda curiosa.

- Essa proposta... não é um capricho. Minha avó me criou como um filho. E, nos últimos anos, ela vem dizendo que quer me ver feliz, acompanhado, estável. Ela está com a saúde mais frágil e, francamente, a única coisa que quero neste Natal é dar a ela essa ilusão.

- E por que não uma namorada de verdade? - ela perguntou, não com julgamento, mas com aquele humor dela, meio ácido, meio curioso.

- Porque namorar exige tempo. Investimento. Vulnerabilidade. E eu só tenho dez dias e uma reputação para preservar. Não posso correr riscos com alguém real que queira... mais.

Ela não respondeu de imediato. Mas seu olhar suavizou, como se, pela primeira vez, ela realmente me visse. Não como o empresário que postou um anúncio maluco, mas como alguém tentando proteger o que restava da sua família.

- E você quer que eu seja a mentira convincente. - disse por fim.

- Exatamente.

Houve uma pausa. Longa o suficiente para eu achar que ela recusaria.

- Posso ser honesta agora?

Assenti.

- Eu estou com o aluguel atrasado. Tô prestes a ser despejada. Tenho uma carreira que não decolou, três rejeições editoriais no último mês e metade de um panetone vencido como ceia garantida. Então, se você realmente precisa de alguém para fingir estar apaixonada por você... bom, eu sou boa em fingir coisas. Sou escritora, afinal.

Dei um leve sorriso, surpreso com a vulnerabilidade dela. Era rara, crua e, ao mesmo tempo, estranhamente encantadora.

- Isso significa que aceita?

- Isso significa que eu aceito... desde que tenha direito a chocolate quente e um quarto com aquecimento. E talvez uma árvore de Natal decente.

Ri, sem conseguir evitar. - Fechado.

Ela também sorriu, mas havia um resquício de hesitação ali. Uma pontinha de medo. E, por alguma razão que ainda não entendo, me senti responsável por tirá-la daquilo.

- Amanhã à tarde, vou te buscar. Vamos fazer um banho de loja. Nada exagerado - acrescentei ao ver seus olhos arregalarem. - Só o suficiente para você não parecer que está fugindo da ceia do mendigo.

- Uau. Você é sempre assim tão gentil com suas falsas namoradas?

- Só com as que me salvam do pânico familiar natalino.

**

No dia seguinte, cheguei ao endereço dela. Era um prédio antigo, claramente mal cuidado, em uma rua onde ninguém deixava o carro com o vidro aberto. Quando ela surgiu no saguão com uma mochila e um sorriso tímido, percebi o quanto estava improvisando ali - sem roteiro, sem garantia de final feliz. Só coragem.

Levamos menos de uma hora na loja. Ela detestava provar roupas, odiava gastar dinheiro - mesmo o meu - e insistiu que não precisava de salto, só de uma bota confortável.

- Se eu tropeçar na frente da sua avó, o plano morre na hora - explicou, tirando a quarta saia de tricô do corpo com um suspiro dramático.

No fim, saiu com dois vestidos elegantes, um sobretudo vermelho e um cachecol de lã que, segundo ela, a fazia parecer uma escritora francesa falida. E, por algum motivo, eu concordei.

No carro, enquanto voltávamos, ela quebrou o silêncio:

- Obrigada. De verdade. Eu sei que, pra você, isso é só um arranjo estratégico. Mas, pra mim, é mais do que isso. É um respiro.

- Ninguém sobrevive sem um respiro, Clara. Você me dá um, eu te dou outro.

Ela olhou para mim como se estivesse vendo algo que ainda não conseguia nomear. E sorriu.

Por algum motivo, aquele sorriso me pareceu mais perigoso do que qualquer verdade que ela poderia esconder.

Você pode gostar

Capa do romance Amantes em guerra
8.1
Kristopher e Sandra vivem em um embate público constante. Ele a acusa de ser uma interesseira fatal, enquanto ela revida atacando sua virilidade e caráter. Entre insultos sobre o passado sombrio dele e a suposta impotência do bilionário cadeirante, uma verdade oculta surge: as ofensas mútuas são uma estratégia para afastar rivais. Encurralada, Sandra admite o ciúme, e Kristopher revela que compartilha do mesmo plano. Resta saber se o orgulho cederá ao amor.
Capa do romance Apaixonada pelo CEO Frio
8.7
Sem alternativas para quitar uma dívida urgente, uma mulher aceita ser noiva substituta de um CEO implacável, temido por todos como um verdadeiro demônio. O que começou como um acordo frio transforma-se quando ele se vê rendido à doçura dela, afundando em um desejo viciante e incontrolável. Preso a esse sentimento inesperado, o homem poderoso não consegue mais se libertar. Agora, resta saber como esse amor nascido sob condições irá prosperar.
Capa do romance Esposa Secreta, Verdadeira Bilionária
7.9
Após ser traída pelo ex e desprezada pela família adotiva, Renee aceita casar-se com Marcelo, um homem cruel e incapacitado. Todos ao seu redor preveem que sua vida será um inferno, acreditando que o matrimônio é um erro patético. Renee duvida que encontrará o amor, mas descobre que seu novo marido guarda segredos profundos. Obcecado por ela, Marcelo se recusa a conceder o divórcio, pois Renee tornou-se a única razão de seu fôlego.
Capa do romance Grávida do CEO Obsessivo
8.1
Aurora Bellini jamais imaginou que uma noite com Lorenzo Ferraz, o temido e frio CEO, resultaria em uma gravidez inesperada. Agora, ela carrega o herdeiro de um homem obsessivo que não aceita perder o controle. Presa em um jogo de posse e sedução, Aurora luta por sua independência enquanto Lorenzo tenta dominá-la. Entre segredos e um desejo intenso, ela deve decidir se foge desse bilionário implacável ou se cede à paixão avassaladora que ele impõe.
Capa do romance Mamãe e Seu Admirador Misterioso
9.6
Traída pela melhor amiga, Eliana teve uma noite com um desconhecido. Cinco anos após o nascimento de seus gêmeos, ela retorna e trabalha para Maurice, o CEO do Grupo Moran. O que ela ignora é que Maurice vive uma vida dupla como Preston, o homem do seu passado. Em meio a esse triângulo amoroso inesperado, Maurice busca conquistá-la sem revelar seu segredo. Como Eliana reagirá ao descobrir a verdade sobre a identidade dele e a paternidade dos filhos?
Capa do romance O arrependimento do meu ex-marido frio
8.3
Carrie acabou se apaixonando por Kristopher, apesar do casamento deles ser apenas por contrato. Após ser negligenciada por ele em um momento crítico, ela decide pedir o divórcio para recomeçar sua trajetória sozinha. Só após a separação é que Kristopher nota o valor da ex-esposa. Ao vê-la cercada por pretendentes, ele tenta desesperadamente reconquistá-la, oferecendo 20 milhões de dólares para que ela aceite se casar com ele novamente.