
O Arrependimento do Alfa: Ele Perdeu Sua Loba Branca Destinada
Capítulo 2
Ponto de Vista: Eliana
Na manhã seguinte, o sol parecia intrusivo. Ele brilhava através da minha janela, exigindo que eu acordasse e encarasse uma realidade que eu não queria.
Meu quarto estava nu. As paredes, antes cobertas de fotos nossas, agora estavam em branco. Quatro sacos de lixo estavam perto da porta.
Eu tinha uma última coisa a fazer.
Dirigi até a casa do Alfa. Era uma propriedade enorme no centro das terras da alcateia, gritando riqueza e poder. Minhas mãos apertavam o volante do meu velho sedan até meus nós dos dedos ficarem brancos.
Eu tinha uma pequena caixa no banco do passageiro. Dentro estava o anel de promessa de prata que ele me deu quando tínhamos dezesseis anos. Não era uma marca de acasalamento, mas no nosso mundo, significava *intenção*.
Estacionei e subi os degraus. Luna Maria, a mãe de Jax, abriu a porta.
— Ellie, querida! — Ela sorriu calorosamente, me puxando para um abraço. Ela não sabia. — Jax está lá em cima. Pode subir.
— Obrigada, Luna Maria — eu disse, minha voz oca.
Subi a grande escadaria. O corredor geralmente cheirava a lustra-móveis de limão e madeira antiga. Hoje, cheirava a outra coisa.
Nauseantemente doce. Baunilha artificial.
*Catarina.*
Meu estômago revirou. O cheiro vinha do quarto de Jax.
A porta estava entreaberta. Eu a empurrei.
Jax estava sentado em sua cama, sem camisa. Catarina estava sentada no chão entre as pernas dele, e ele estava trançando o cabelo molhado dela.
A intimidade daquilo me atingiu com mais força do que um soco. Trançar o cabelo era algo que os lobos faziam por suas companheiras. Era um ritual de cuidado. Um sinal de afeto.
Ele nunca tinha trançado meu cabelo.
— Jax — eu disse.
A cabeça dele se ergueu bruscamente. Catarina se virou, um sorriso presunçoso brincando em seus lábios.
— Eliana — Jax suspirou, soltando uma mecha do cabelo de Catarina. — O que você está fazendo aqui? Veio pedir desculpas por ontem?
Pedir desculpas?
Caminhei para frente e coloquei a caixa de veludo em sua cômoda.
— Vim devolver isto.
Jax olhou para a caixa. Ele sabia o que estava dentro. Seu maxilar travou.
— Pare de ser dramática. Você está exagerando.
— Estou? — Apontei para o quarto, denso com o cheiro de Catarina. — Seu quarto cheira a ela, Jax. Você nem a marcou, e está deixando ela marcar território com o cheiro. É desrespeitoso com o vínculo.
— O vínculo? — Catarina riu. Era um som tilintante e cruel. — Que vínculo? Você nem consegue se transformar, Ellie. Você é praticamente um animal de estimação humano. Jax precisa de uma loba de verdade. Uma loba forte.
— Catarina — Jax advertiu, mas não havia firmeza em sua voz.
— Ela está certa — eu disse, olhando Jax bem nos olhos. — Posso não ter minha loba ainda, mas sei o que um companheiro deve ser. E não é você.
Virei-me para sair.
— Espere! — Jax se levantou. — Você não pode simplesmente virar as costas para mim!
Continuei andando. Cheguei ao topo da escada.
— Ei! — Catarina passou correndo por mim, me cortando. — Ele está falando com você!
— Saia da minha frente — eu disse calmamente.
— Me obrigue — ela zombou. Ela deu um passo mais perto, invadindo meu espaço pessoal. Então, ela fez algo que eu não esperava.
Ela não apenas tropeçou. Ela se lançou para trás.
Foi teatral e ridículo. Ela soltou um grito e rolou pelos três primeiros degraus, aterrissando no patamar com um baque surdo.
— Ah! Meu tornozelo! — ela gemeu.
— Catarina! — Jax rugiu. Ele me empurrou com o ombro, me jogando com força contra a parede.
O impacto foi brutal. Tropecei, perdendo o equilíbrio na madeira lisa. Eu não tinha reflexos de loba para me segurar.
Eu caí.
Rolei por todo o lance de escadas, meu corpo batendo contra as bordas afiadas da madeira. Atingi o andar de baixo com um estalo nauseante. Minha cabeça bateu contra o assoalho.
A dor explodiu em minhas costelas e no meu crânio. Sangue quente escorreu pela minha testa, cegando meu olho esquerdo.
— Ellie! — A voz de Luna Maria veio da cozinha.
Gemi, tentando me levantar. Minha visão nadava.
Jax estava no topo da escada, ajoelhado ao lado de Catarina. Ela agarrava o tornozelo, espremendo lágrimas falsas.
— Ela me empurrou, Jax! — Catarina soluçava. — Ela tentou me matar!
Jax olhou para baixo, para mim. Eu estava sangrando no chão dele. Eu estava quebrada no pé da escada dele.
Seus olhos eram selvagens, alimentados pela adrenalina e pelas mentiras de Catarina.
— Você é perversa — Jax cuspiu em mim, sua voz pingando nojo. — E fraca. Se você tocar nela de novo, Eliana, eu mesmo a banirei. Não me importa o que nossos pais digam.
Ele pegou Catarina no colo — de novo — e a carregou para o quarto dele.
— Mãe, chame o médico da alcateia para a Cat — ele gritou por cima do ombro. — A Ellie pode sair sozinha.
Fiquei deitada ali por um momento, olhando para o teto. O lustre acima de mim estava embaçado.
Luna Maria corria em minha direção, horror em seu rosto.
— Oh, deusa, Ellie...
— Não — sussurrei, empurrando a mão dela.
Arrastei-me para cima. Cada centímetro do meu corpo gritava em protesto. Minha cura era lenta, velocidade humana. Isso ficaria roxo. Isso deixaria cicatriz.
Mas a dor física era uma distração. Era um alívio, na verdade. Era mais fácil focar em uma cabeça sangrando do que em uma alma sangrando.
Manquei para fora da porta da frente, deixando um rastro de gotas vermelhas na varanda imaculada.
Entrei no meu carro. Não fui para o hospital da alcateia. Fui à farmácia, comprei álcool e curativos, e dirigi até um mirante isolado.
Limpei o corte na minha testa sozinha, sibilando enquanto o álcool ardia.
*Eu rejeito isso,* pensei, olhando para as luzes da cidade lá embaixo. Eu não era forte o suficiente para dizer as palavras rituais ainda — o vínculo era muito antigo, muito profundo — mas eu podia construir um muro.
Fechei os olhos e imaginei uma parede de tijolos na minha mente. Tijolo por tijolo, selei o lugar onde Jax vivia na minha cabeça.
A conexão diminuiu. Não quebrou, mas ficou silenciosa.
Eu estava sozinha. E pela primeira vez, preferi assim.
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