
O Arrependimento do Alfa: Ele Perdeu Sua Loba Branca Destinada
Capítulo 3
Ponto de Vista: Eliana
Uma semana depois, parei em frente ao espelho. O hematoma na minha têmpora havia desbotado para um amarelo doentio, facilmente escondido pela maquiagem. As costelas ainda estavam sensíveis, enfaixadas firmemente sob meu vestido.
Hoje era a festa de formatura. A cerimônia de Maioridade da Alcateia.
— Você não precisa ir, querida — disse minha mãe, encostada no batente da porta. Seus olhos estavam tristes. Ela e papai ficaram furiosos quando cheguei em casa ensanguentada. Eles já estavam falando sobre pedir transferência para a filial da empresa da família na capital.
— Eu tenho que ir — eu disse, aplicando uma camada de batom vermelho. — Se eu não for, eles vencem. Vão pensar que estou me escondendo.
Eu não estava me escondendo. Eu estava dizendo adeus.
A festa era na sede da alcateia. Fogueiras rugiam no quintal, enviando faíscas para o céu noturno. O ar cheirava a carne assada, cerveja e hormônios em transformação.
Quando entrei, a conversa morreu. Sussurros me seguiram como fumaça.
*É ela.*
*A rejeitada.*
*Ela realmente empurrou a Catarina?*
Mantive a cabeça erguida. Peguei um refrigerante e fiquei perto de uma árvore, observando os lobos dançarem.
Jax estava lá, é claro. Ele estava sentado em um trono improvisado de fardos de feno, segurando uma cerveja. Catarina estava no colo dele. Ela usava um vestido suspeitamente parecido com o que eu havia mostrado a Jax em uma revista meses atrás.
Ele me viu. Seus olhos se estreitaram. Ele sussurrou algo para Catarina, e ela riu.
Então, os jogos começaram.
— Verdade ou Desafio! — alguém gritou.
Era uma tradição da alcateia. Mas com um Herdeiro Alfa envolvido, nunca era apenas um jogo. Era uma demonstração de poder.
Catarina girou a garrafa. Caiu nela.
— Desafio — ela ronronou.
— Eu te desafio... — uma fêmea Gama riu — a beijar o macho mais forte aqui.
Era roteirizado. Era tão obviamente encenado que chegava a ser patético.
Catarina se levantou e desfilou até Jax. Mas antes de beijá-lo, ela se virou para olhar para mim.
— Você se importa, Ellie? — ela perguntou, sua voz pingando doçura falsa. — Quero dizer, tecnicamente, vocês eram... alguma coisa. Uma vez.
O círculo ficou em silêncio. Todos esperavam que eu chorasse, gritasse, corresse.
Tomei um gole do meu refrigerante.
— Por que eu me importaria? — eu disse, minha voz firme. — Como uma Ômega, não tenho o direito de interferir nas escolhas de um Alfa. Se ele quer uma Beta, isso é problema dele.
O insulto aterrissou. Lobos se importavam com linhagens. Chamar a escolha dele de rebaixamento era um tapa na cara.
Jax levantou-se abruptamente. A atmosfera brincalhona desapareceu.
Ele liberou seus feromônios.
Não foi um comando desta vez. Foi pura e crua dominância. O cheiro de ozônio e madeira queimada inundou a clareira. Era um peso opressivo, projetado para forçar a submissão.
Ao meu redor, lobos baixaram a cabeça. Alguns dos mais jovens caíram de joelhos, expondo seus pescoços instintivamente.
Jax me fuzilou com o olhar, seus olhos brilhando em âmbar. Ele queria que eu me curvasse. Ele queria que eu quebrasse.
— Você acha que é esperta — Jax rosnou, passando por cima das pessoas ajoelhadas na grama. — Você acha que é melhor que ela?
Ele agarrou Catarina pela cintura e a puxou contra si.
— Ela é forte — Jax anunciou para a alcateia. — Ela é uma guerreira. Ela é digna de ser uma Luna. — Ele olhou para mim com puro desprezo. — Você não é nada, Eliana. Você é um vaso quebrado. Você nem consegue se transformar.
Ele esmagou os lábios nos de Catarina.
Foi agressivo, possessivo e performático.
A alcateia aplaudiu, aliviada por a raiva do Alfa estar direcionada a mim e não a eles.
Senti o vínculo dentro de mim gritar. Foi agonizante, como um gancho sendo arrancado do meu peito. Mas eu não me ajoelhei.
Fiquei ereta. Minha espinha era de aço.
Os feromônios me banharam, tentando me esmagar, mas eu me senti... desconectada. Era como se eu estivesse assistindo a um filme da vida de outra pessoa.
Jax se afastou, sem fôlego, esperando me ver no chão, chorando.
Em vez disso, eu estava olhando para o meu relógio.
— Você acabou? — perguntei.
Seus olhos âmbar se arregalaram. O choque em seu rosto foi quase satisfatório.
— Porque eu tenho malas para fazer — continuei. — Aproveite sua Beta, Jax. Espero que ela valha a pena.
Virei as costas para o Herdeiro Alfa. Caminhei para longe do fogo, para a escuridão.
Meu coração não doía mais. Ele estava morto. E não se pode matar algo que já está morto.
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