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Capa do romance Adeus, Pedro: Minha Vida, Meu Filho

Adeus, Pedro: Minha Vida, Meu Filho

Marta descobriu a gravidez no mesmo dia em que o marido, Pedro, arriscou a vida para doar sangue à ex-namorada, ignorando sua saúde cardíaca e os apelos da esposa. Diante da negligência dele, ela pede o divórcio, mas Pedro reage com fúria e inicia uma batalha judicial pela guarda do filho. Determinada a proteger o futuro do bebê e sua própria dignidade, Marta decide enfrentar o homem que preferiu morrer por outra mulher a cuidar da própria família.
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Capítulo 3

A noite chegou, mas o Pedro não voltou para casa.

Não me ligou. Não mandou mensagem.

Sentei-me na escuridão da nossa sala de estar, o silêncio era ensurdecedor. Cada carro que passava lá fora fazia o meu coração saltar, uma mistura de esperança e medo.

Finalmente, por volta das duas da manhã, ouvi a chave na porta.

Ele entrou, parecendo exausto. O seu rosto estava pálido e havia uma pequena ligadura na dobra do seu cotovelo.

Ele tinha doado o sangue.

Ele olhou para mim, sentado no sofá, e os seus olhos não mostraram surpresa, apenas cansaço.

"Porque é que ainda estás acordada?"

A sua voz era desprovida de qualquer emoção.

Levantei-me, as minhas pernas a tremer.

"Como está ela?"

"Ela está estável. A cirurgia correu bem." Ele tirou o casaco e atirou-o para uma cadeira. "Graças ao meu sangue."

Havia um toque de orgulho na sua voz. Orgulho por ter salvo a mulher que amava.

O meu coração partiu-se um pouco mais.

"E tu?" Perguntei, a minha voz mal passava de um sussurro. "Como te sentes?"

"Estou bem. Um pouco tonto, mas bem." Ele evitou o meu olhar, caminhando em direção à cozinha. "Vou beber um pouco de água."

Segui-o.

"Pedro, nós precisamos de falar."

Ele abriu o frigorífico e tirou uma garrafa de água, bebendo-a avidamente.

"Agora não, Marta. Estou exausto."

"Agora sim." A minha voz ganhou força. Tirei o teste de gravidez do bolso e coloquei-o na bancada da cozinha, mesmo à frente dele.

Ele olhou para o pequeno objeto de plástico, para as duas linhas cor-de-rosa.

Ele congelou. Por um momento, o mundo pareceu parar.

Ele olhou do teste para mim, os seus olhos arregalados em choque.

"Tu... estás grávida?"

Assenti, incapaz de falar.

Ele passou a mão pelo cabelo, uma mistura de confusão e... algo mais. Algo que eu não consegui identificar. Não era alegria.

"Marta, eu..."

"Tu escolheste-a." Completei a frase por ele, a minha voz fria e firme. "Tu arriscaste a tua vida por ela, sabendo o que poderia acontecer. Sabendo que eu estava aqui. E agora, sabendo que o teu filho estava aqui."

Ele baixou a cabeça, finalmente parecendo sentir um pingo de culpa.

"Eu não sabia do bebé, Marta. Se eu soubesse..."

"Teria feito diferença?" Interrompi-o. "Terias deixado a Ana morrer?"

Ele não respondeu. O seu silêncio foi a resposta mais alta de todas.

Não. Ele não a teria deixado morrer. Ele ter-me-ia sacrificado a mim e ao nosso filho por ela.

"Quero o divórcio, Pedro."

As palavras saíram da minha boca antes que eu pudesse pensar nelas, mas assim que as disse, soube que eram verdadeiras.

Ele olhou para mim, o choque a transformar-se em raiva.

"Divórcio? Estás a brincar comigo? Acabaste de me dizer que estás grávida e agora queres o divórcio?"

"O que é que a gravidez tem a ver com isto?" Retorqui. "Achavas que um bebé ia consertar isto? Que me faria esquecer que o meu marido está disposto a morrer por outra mulher?"

"Eu não morri! Estou aqui, não estou?" Ele elevou a voz.

"Mas estavas disposto a isso! Esse é o ponto, Pedro! E se algo te tivesse acontecido? Eu ficaria viúva e grávida, tudo porque não consegues superar a tua ex-namorada!"

"Não fales assim da Ana!" Ele rosnou, dando um passo na minha direção. "Ela não tem culpa de nada disto!"

Recuei, não por medo, mas por nojo.

"Não. A culpa é tua. E minha, por ter acreditado que algum dia me amarias."

Virei-lhe as costas e saí da cozinha.

"Marta, espera!"

Não parei. Fui para o nosso quarto, peguei numa mala e comecei a atirar as minhas roupas para dentro, de forma aleatória e apressada.

Ele apareceu à porta, a observar-me com uma expressão de desespero.

"O que estás a fazer? Pára com isto. Vamos falar sobre isto de manhã."

"Não há nada para falar." Fechei a mala. "Vou para casa da minha mãe. O meu advogado entrará em contacto contigo."

Passei por ele, arrastando a mala atrás de mim.

Ele agarrou-me no braço.

"Não podes fazer isto. Por causa do bebé. Pensa no bebé!"

Puxei o meu braço para me libertar do seu aperto.

"Eu estou a pensar no bebé. E ele merece mais do que um pai que nunca o irá colocar em primeiro lugar."

Saí porta fora e não olhei para trás.

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