
Adeus, Meu Pedro
Capítulo 2
O meu carro parou de repente na autoestrada.
Fumo branco saía do capô.
Eu estava a caminho do hospital, a minha bolsa de água tinha acabado de romper.
Liguei para o meu marido, Pedro, mas a chamada foi direta para o correio de voz.
Liguei para a minha sogra, Laura, e ela atendeu rapidamente, a sua voz cheia de preocupação.
"Catarina? O que se passa, querida? Já estás no hospital?"
"Mãe, o carro avariou na A5, a caminho de Cascais. A bolsa rompeu. Não consigo contactar o Pedro."
A voz dela ficou tensa.
"Não te preocupes, vou já para aí. Vou tentar ligar ao Pedro. Mantém a calma, respira fundo."
Desliguei e tentei ligar ao Pedro mais dez vezes.
Todas as chamadas foram para o correio de voz.
O pânico começou a instalar-se. As contrações estavam a ficar mais fortes.
Olhei para o trânsito que passava. Ninguém parava. Eu estava sozinha.
Finalmente, a minha sogra ligou de volta.
"Catarina, não consigo falar com o Pedro. O telemóvel dele deve estar sem bateria. A Sofia ligou-me há pouco, em pânico."
Sofia. A prima do Pedro. A sua melhor amiga.
"Ela estava a fazer surf na Praia do Guincho e a prancha partiu-se. Bateu com a cabeça numa rocha. O Pedro foi para lá, ele era o mais próximo."
A minha respiração ficou presa na garganta. Guincho ficava na direção oposta.
"Ele está com ela agora no hospital. Parece que ela engoliu muita água e está com uma pequena concussão. Não é nada de grave, mas ela estava muito assustada."
Uma pequena concussão.
Eu estava a entrar em trabalho de parto, sozinha, no meio de uma autoestrada.
"Mãe, eu preciso dele aqui." A minha voz tremeu.
"Eu sei, querida, eu sei. Já chamei uma ambulância para ti. Eles estão a caminho. Eu encontro-te no hospital."
Laura parecia genuinamente preocupada comigo, mas as suas palavras seguintes fizeram o meu mundo desabar.
"Sê compreensiva com o Pedro. A Sofia não tem mais ninguém. Tu sabes como a vida dela tem sido difícil desde que os pais faleceram. Ela só tem a nós."
Compreensiva?
A vida dela era difícil? E a minha?
Eu estava a carregar o neto dela, o filho dele.
A ambulância chegou. Os paramédicos foram rápidos e profissionais.
No caminho para o hospital, o meu telemóvel vibrou.
Era uma mensagem do Pedro.
"Desculpa, o meu telemóvel morreu. Estou com a Sofia no hospital. Ela magoou-se a fazer surf. Não te preocupes, fico aqui com ela até ela ter alta. A minha mãe já me disse que chamou uma ambulância para ti. Vemo-nos mais tarde. Força."
"Vemo-nos mais tarde."
Ele nem sequer perguntou como eu estava.
Ele nem sequer mencionou o nosso filho.
As lágrimas que eu tinha estado a segurar finalmente caíram.
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