
Adeus, Meu Pedro
Capítulo 3
No hospital, as dores eram insuportáveis.
A Laura chegou, o seu rosto pálido de preocupação.
Ela segurou a minha mão com força.
"Ele vai nascer saudável, vais ver. És forte, Catarina."
As suas palavras eram amáveis, mas a minha mente estava noutro lugar.
Estava no hospital onde o Pedro estava com a Sofia.
As horas passaram como uma tortura. Cada contração era um lembrete da ausência dele.
As enfermeiras perguntavam pelo pai.
"Ele está a caminho," mentia a Laura por mim.
Eu já não tinha forças para falar.
Finalmente, levaram-me para a sala de partos.
O médico olhou para mim com simpatia.
"Vamos a isso, Catarina. O seu bebé está quase a chegar."
Eu só conseguia pensar no Pedro.
Será que ele pensou em mim por um segundo?
Será que ele se importava que o seu filho estivesse a nascer?
A dor era física, mas a dor no meu peito era pior.
Uma dor fria e vazia.
De repente, o monitor cardíaco do bebé começou a apitar de forma alarmante.
O rosto do médico ficou sério.
"O ritmo cardíaco está a baixar. Precisamos de o tirar agora."
Pânico encheu a sala.
"Cesariana de emergência. Agora!"
A última coisa que senti antes de a anestesia me apagar foi a mão da Laura a apertar a minha com força e o som assustado do seu choro.
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