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Capa do romance Adeus, João: A Minha Nova Vida Começa

Adeus, João: A Minha Nova Vida Começa

Com o pequeno Leo em cirurgia após quebrar o braço, o silêncio de João é ensurdecedor. Enquanto o filho luta no hospital, o marido prioriza o sumiço do cão de sua prima, Catarina. Ao ouvi-lo consolar a outra com uma ternura esquecida, a dor vira revolta. João surge no hospital apenas para socorrer um falso pânico de Catarina, abandonando novamente a família. Diante do desprezo, decido que o nosso fim chegou; das cinzas dessa traição, construirei um novo futuro.
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Capítulo 2

A enfermeira entrou na sala, com uma prancheta na mão.

"Senhora Sofia Mendes? A cirurgia do seu filho foi um sucesso. Ele está a recuperar bem da anestesia. Pode vê-lo agora."

Respirei fundo, o alívio percorreu-me o corpo como uma onda quente.

"Obrigada. Muito obrigada."

Levantei-me, as minhas pernas tremiam um pouco, e segui-a pelo corredor branco e estéril.

O meu filho, Leo, de cinco anos, estava deitado na cama do hospital, pequeno e pálido. Tinha partido o braço a cair de um baloiço no parque. Um acidente simples, uma fratura limpa.

Mas o pânico que senti quando ele gritou foi avassalador.

Agarrei no meu telemóvel para ligar ao meu marido, João. O homem que prometeu estar sempre lá para nós.

O telefone chamou, uma, duas, três vezes. Sem resposta.

Tentei novamente. Direto para o correio de voz.

Enviei uma mensagem: "O Leo partiu o braço. Estamos no Hospital da Luz. Por favor, vem."

Nenhuma resposta.

Isso foi há três horas. Três horas de silêncio de rádio.

Agora, olhando para o meu filho a dormir, a raiva começou a borbulhar sob a minha preocupação. Onde estava ele?

Peguei no meu telemóvel outra vez. Desta vez, liguei para a minha sogra, a mãe dele, a Dona Isabel.

Ela atendeu ao primeiro toque.

"Sofia? Está tudo bem? O João não me disse que ias ligar."

A voz dela era suave, mas havia um tom de cautela.

"Isabel, o Leo partiu o braço. Estamos no hospital. O João não atende o telefone. Sabe onde ele está?"

Houve uma pausa. Uma pausa que durou demasiado tempo.

"Ah, querida... o João está ocupado. A prima dele, a Catarina... ela está a passar por um momento difícil."

Catarina. O nome deixou um gosto amargo na minha boca. A prima "frágil" que vivia connosco desde que os pais dela morreram há um ano.

"O que aconteceu à Catarina?", perguntei, a minha voz fria.

"Oh, o cão dela, o Faísca, fugiu. Ela ficou tão perturbada, Sofia. Estava inconsolável. O João teve de ir ajudá-la a procurar. Sabes como ela é sensível."

O cão. O cão dela fugiu.

E o meu filho, o filho dele, partiu um osso.

"Ele está a procurar um cão?", a minha voz saiu quase como um sussurro incrédulo.

"Não sejas assim, Sofia. A família tem de se ajudar. O João fez a coisa certa. A Catarina precisa dele. Tu és forte, consegues lidar com o Leo."

Antes que eu pudesse responder, ouvi a voz do João ao fundo. Não para mim. Para a Catarina.

"Calma, Cati. Vamos encontrá-lo. Eu estou aqui. Não te vou deixar."

A voz dele era suave, cheia de uma ternura que eu não ouvia há anos.

A minha mão tremeu. Desliguei a chamada.

Não havia necessidade de mais explicações. Tudo ficou claro como água.

A porta do quarto abriu-se e uma enfermeira sorriu-me. "Ele está a acordar."

Fui para o lado da cama do Leo, forcei um sorriso e acariciei o seu cabelo.

"Olá, meu amor. A mamã está aqui."

Ele abriu os olhos, grogue. "Dói, mamã."

"Eu sei, querido. Vai ficar tudo bem."

Naquele momento, enquanto confortava o meu filho, tomei uma decisão.

O nosso casamento não estava apenas partido. Estava morto e enterrado.

Eu só ainda não tinha assinado a certidão de óbito.

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