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Capa do romance Acordei casada?!

Acordei casada?!

Diferente de uniões planejadas, Julia Harrison e Jason Haward despertam um dia como casados, sem qualquer lembrança de terem dito sim. O choque de acordar ao lado de um estranho legalmente unido a si dá início a uma jornada intensa. Ao investigarem a origem desse vínculo súbito, os dois mergulham em um mistério profundo, descobrindo que suas realidades eram baseadas em mentiras. Entre traições e sede de vingança, eles precisam encarar a verdade por trás da ilusão.
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Capítulo 2

"Que homem grosseiro", pensou Julia enquanto continuava pela rua indo para casa.

Após caminhar pela calçada, ela chegou à varanda de uma casa de madeira pintada de branco. Ela olhou para dentro da casa pela janela, tentando espiar.

"Julia, entre", disse sua mãe. "Sei que você está aí."

Julia cerrou os olhos e os lábios. Após abrir a porta da frente, que não estava trancada, ela entrou na casa.

"Bom dia, senhora", disse Julia com as mãos atrás das costas.

Sua mãe estava sentada no sofá, compenetrada na leitura de um livro, os óculos na ponta do nariz, sem levantar a cabeça para olhar para ela.

"De onde você está vindo?", perguntou a mãe de Julia, mantendo os olhos fixos no livro que lia.

"Hã... eu... bem, eu...", gaguejou Julia, coçando a nuca num gesto de puro nervosismo.

Sua mãe fechou o livro que estava lendo e, tirando os óculos, virou-se parcialmente para olhar para Julia.

Com uma expressão carrancuda, ela se levantou para examinar o vestido que Julia usava, parando abruptamente nos pés descalços e sujos.

Ao verificar a etiqueta, ela arquejou, com uma expressão de desaprovação.

Julia ficou paralisada, sem entender o motivo dessa inspeção minuciosa.

"Onde você arrumou dinheiro para comprar isso?"

"Eu... eu... não comprei, foi um presente de uma amiga", Julia respondeu às pressas.

"Um presente de uma amiga? Qual das suas amigas ganha o suficiente para te dar isso? Por acaso é Tilly, sua amiga desempregada?", perguntou a mãe, com as mãos na cintura.

Diante da pergunta, Julia ficou em silêncio, sem conseguir falar sobre o que aconteceu pela manhã.

"Onde estão as roupas que você estava usando ontem? E por que está descalça?", questionou a mãe.

"Não sei", respondeu Julia honestamente.

"Você está dormindo com homens por dinheiro agora, Julia?" A acusação veio afiada como uma faca. "Esse vestido é da última coleção da Louis Vuitton."

"O quê? Não! Claro que não!" O rosto de Julia queimou. "A noite passada foi uma confusão terrível, só isso. Por favor, mãe, não vamos falar sobre isso agora."

Antes que a mãe pudesse disparar outra ofensa, Julia correu para o quarto e trancou a porta.

Sozinha na sala, a mãe estreitou os olhos, encarando o corredor vazio. "O que essa garota está escondendo?"

Após deixá-la em casa, Jason estava a caminho do hospital. O Bugatti deslizava suavemente pelo trânsito enquanto ele, no banco de trás, tentava organizar o caos em sua mente.

No dia passado, ele havia sido convidado para um evento musical como convidado de honra e havia ido com seu pai. Quando chegaram, a imprensa havia tirado fotos dele e do seu pai antes de serem levados por um corredor exclusivo até o local onde o festival de música estava acontecendo.

Era só isso que ele se lembrava.

"Senhor, chegamos", avisou o motorista, tirando-o de seu transe.

Jason abriu a janela e olhou para fora.

"HCA Florida Westside Hospital", ele leu na placa.

De fato, esse era o nome do hospital que seu irmão havia lhe passado.

Após sair do carro, ele caminhou em direção ao hospital, acompanhado por quatro homens imponentes.

"Aquele não é o Jason Haward?", cochichou uma mulher para a amiga na calçada.

"Sim, é ele! Meu Deus, será que veio fazer uma doação?" Os olhos da amiga brilharam. "Rápido, tira uma foto minha com ele no fundo!"

"Amiga, a menos que você consiga fazer com que ele pare de andar, não sei como isso será possível. Olha o tamanho daqueles seguranças. Se você tentar uma foto sem permissão, vai ficar sem celular", a amiga alertou antes de se afastar, continuando a admirá-lo à distância.

A presença de Jason atraiu uma pequena multidão instantânea, mas ele passou por eles como se fossem invisíveis, sua expressão fria e distante.

Com seu ar frio, ele entrou no hospital e encontrou seu irmão. A equipe médica, embora estivesse atarefada, conseguiu dar algumas olhadas de relance para ele.

"O que aconteceu com o pai?", perguntou James, a voz grave ecoando no corredor estéril.

"O que os médicos disseram?", perguntou Jason com uma voz grave e calma.

"Nada concreto ainda. A mãe está com ele", respondeu James, depois levou Jason até a enfermaria onde seu pai estava deitado na cama, usando uma roupa de hospital, com os olhos fechados e ligado a várias máquinas.

Jason queria perguntar ao pai o que havia acontecido, pois estivera com ele na noite anterior e não tinha nenhum de seus guardas por perto, apenas os guardas de seu pai. E eles não lhe diriam nada.

Assim que ouviu a porta se abrir, sua mãe se virou para olhá-lo com os olhos marejados.

Jason parou atrás da mãe, colocando a mão no ombro dela para confortá-la.

"Ele chegou em casa por volta da meia-noite e desmaiou antes mesmo de subir as escadas para o quarto. Ele está assim desde que o trouxemos para cá", disse a senhora Haward enquanto fungava.

Jason massageou os ombros dela suavemente e ela segurou a mão dele.

Nesse momento, o médico entrou e anunciou: "Preciso falar com um de vocês em particular."

Como era o mais velho, James foi com o médico, deixando Jason com a mãe, que chorava e segurava a mão do marido, deixando beijos nas costas da mão dele.

De repente, o celular de Jason vibrou, o que o fez sair do quarto. Assim que a senhora Haward ficou sozinha com o marido, soltou a mão dele na cama e se inclinou para perto dos ouvidos dele.

"Você se acha muito esperto, querendo me expulsar de casa com meu filho e nos deixar sem nada. Mas olha só para você agora. Vou gerenciar todas as suas propriedades. É incrível como você blindou tudo para que eu não recebesse um centavo. Mas agora... agora vou controlar cada propriedade, cada conta", disse a senhora Haward com um sorriso enquanto passava os dedos pelos cabelos do marido.

"A menos, é claro, que aquele seu filho ogro, Jason, encontre uma esposa imediatamente, como mandam as regras ridículas da sua família." Ela soltou uma risada baixa e fria. "E convenhamos, quem se casaria com ele? Você perdeu."

"Mãe, você não pode ficar chorando assim, precisa se manter forte por ele", disse James assim que entrou.

"O que o médico disse?", perguntou a senhora Haward, seus olhos vermelhos de lágrimas.

James olhou para ela, sem saber se deveria contar tudo, mas acabou dizendo: "Ele vai ficar bem. Só precisamos cuidar bem dele."

No entanto, como se reagisse à mentira ou sentisse a presença da traição, o homem na cama murmurou algo inaudível. "Jason..."

Os dois se viraram, surpresos, mas antes que pudessem reagir, o corpo do senhor Haward começou a convulsionar violentamente.

James apertou o botão para chamar o médico e saiu correndo para encontrá-lo, mas se deparou com três profissionais de saúde na entrada, que correram e rapidamente tentaram atendê-lo, os mandando para fora do quarto.

Eles fizeram tudo o que podiam, mas, no final, acabaram o perdendo.

A enfermeira desligou as máquinas e começou a retirá-las dele, e os dois médicos saíram do quarto e encontraram Jason, James e sua mãe.

"Sinto muito", disse o médico. "Fizemos o possível."

A senhora Haward vacilou, como se fosse desmaiar, e James a amparou rapidamente.

" O que ele tinha?", perguntou Jason a James.

"Câncer de cólon em estágio terminal", revelou James, a voz falhando. "Já não havia mais o que fazer."

"Câncer?", Jason franziu a testa, a incredulidade tomando conta. "Como ninguém sabia disso?"

"Vou levar a mãe para casa e avisar o resto da família", disse James, ignorando a pergunta, focado apenas em tirar a mãe dali.

"Suponho que Mirenda já voltou?"

"Sim, chegou pela manhã. Ela não sabe de nada, vai ser um choque. Vou esperar para contar ao vovô pessoalmente."

"Deixe o vovô comigo", disse Jason.

Enquanto James saía do hospital com a mãe, ele ficou para resolver a papelada.

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