
Academia Ravena – Lições de Obediência
Capítulo 2
Capítulo 2 – A Primeira Regra
O som dos saltos da mulher à frente ecoava pelo longo corredor de mármore negro. Isadora seguia atrás, em silêncio, observando cada detalhe ao seu redor com atenção quase tensa. O interior da Academia Ravena era suntuoso, como um palácio. Candelabros dourados pendiam dos tetos, os espelhos eram altos e os corredores, impecavelmente limpos. Era um contraste gritante com tudo o que ela conhecia.
A mulher que conduzia o pequeno grupo de novas alunas era chamada de Senhora Margot. Elegante, com feições marcadas e uma postura irretocável, parecia não aceitar nada menos que perfeição.
- Vocês foram selecionadas - dizia ela com voz firme - porque há algo em cada uma que pode ser moldado. Controlado. Refinado. Aqui, submissão não é fraqueza. É arte. E cada uma de vocês será treinada para dominá-la... com prazer.
Aquelas palavras fizeram o estômago de Isadora se revirar. Não por medo. Mas por algo mais quente, escondido, que ela ainda não sabia nomear.
Foram levadas até um salão amplo, com paredes escuras, cortinas grossas e espelhos posicionados estrategicamente. No centro, uma plataforma baixa e almofadada. Um trono elegante ocupava o fundo da sala. Mas estava vazio.
- Este é o Salão de Observação - explicou Margot. - Aqui, vocês serão vistas. Testadas. Avaliadas. Sem máscaras, sem mentiras. A Ravena não tolera fingimento. Só entrega. Total e consciente.
Ao lado da porta, uma placa trazia as regras principais do internato. Isadora se aproximou e leu:
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REGRAS DA ACADEMIA RAVENA:
1. Submissão é escolha. Mas, uma vez escolhida, deve ser total.
2. Palavras são poder. Use-as com sabedoria ou permaneça em silêncio.
3. Toques só são permitidos com permissão.
4. Olhares devem demonstrar respeito ou desejo. Nunca desafio.
5. A dor pode ser presente. Mas o prazer... sempre será conquistado.
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Isadora sentiu o peito apertar. O que era aquele lugar, afinal? Um colégio? Uma prisão? Ou algo entre os dois?
Logo depois, elas foram levadas aos quartos - não celas, como imaginara, mas verdadeiras suítes, decoradas com luxo e minimalismo. Camas de linho escuro, espelhos nos cantos, uma escrivaninha com papel e penas de tinta. Um guarda-roupa já estava abastecido com roupas novas: saias lápis, camisas de botão, espartilhos e lingeries refinadas.
Enquanto organizava suas coisas, uma das outras alunas se aproximou.
- Oi. Sou Alina - disse ela, estendendo a mão. - Segunda turma. Mas ainda sou considerada iniciante.
Isadora apertou sua mão, surpresa pela suavidade do gesto.
- Isadora.
- Você tem o olhar certo. Vai se destacar aqui - comentou Alina, sorrindo de um jeito enigmático.
- Olhar certo?
- De quem tem fome. Mas ainda não sabe do quê.
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Mais tarde, as novatas foram convocadas para uma aula de apresentação. O salão era diferente daquele da chegada. Havia uma longa mesa retangular, onde as alunas se sentavam em posição impecável. As luzes eram suaves, o ambiente sutilmente perfumado. Tudo era projetado para provocar os sentidos.
Foi então que ele entrou.
Professor Rafael Almonte.
Não foi necessário nenhum anúncio - a atmosfera se alterou no instante em que ele cruzou a porta. Era como se o ar se tornasse mais denso, carregado de algo invisível, quase elétrico.
Alto, com ombros largos e postura impecável, ele usava um terno preto que se ajustava perfeitamente ao corpo. O cabelo era cortado com precisão - as laterais mais baixas e o topo levemente penteado para trás, revelando a disciplina de um homem que cuidava de cada detalhe. Mas eram os olhos que prendiam. Azuis, quase cinzentos, como aço frio, e tão penetrantes que pareciam atravessar a pele. Não havia nada de suave neles - eram olhos de quem observa, julga, domina.
Sua presença era tão forte que parecia empurrar os sentidos para dentro. Ele não precisava levantar a voz. Bastava estar ali.
Silêncio absoluto se instalou enquanto ele caminhava até o centro da sala. Os passos ecoavam firmes sobre o piso polido, ritmados como uma batida de tambor que antecede o impacto. Cada aluna se encolhia, hipnotizada ou intimidada. Isadora, no entanto, sentia outra coisa: atração crua e imediata, como se seu corpo tivesse reconhecido instintivamente aquele homem como alguém perigoso... e irresistível.
Parando à frente da mesa, ele apoiou as mãos com firmeza e varreu a sala com o olhar.
Quando os olhos cinzentos cruzaram com os dela, foi como se tudo o que estivesse ao redor deixasse de existir. Um segundo apenas. Mas longo o suficiente para que Isadora sentisse o corpo inteiro despertar, da nuca ao ventre.
Então ele falou, e sua voz era grave, pausada, carregada de controle:
- Na Ravena, disciplina é mais do que comportamento. É linguagem. E linguagem é desejo. Quem não entende isso... será domada.
Pausa.
- Quem entende... será recompensada.
Algumas alunas abaixaram o olhar. Outras se remexeram na cadeira. Isadora manteve-se imóvel. Observando. Sentindo. Algo queimava sob sua pele, como se o olhar daquele homem tivesse acendido uma parte dela que estivera adormecida.
- Levantem-se - ordenou ele.
Todas obedeceram.
- Agora, ajoelhem.
O comando veio sem explicação. E, como num reflexo, os corpos se curvaram. Alunas, submissas ao simples tom da sua voz. Isadora hesitou. Por um instante, seus joelhos pareceram resistir. Mas então ela cedeu. Lentamente. Sem pressa. Como se quisesse mostrar que o fazia por vontade - não por fraqueza.
Quando se ajoelhou, sentiu o chão gelado tocar a pele sob a saia. O professor Almonte andou entre elas, seus passos precisos ecoando sobre o silêncio tenso.
Parou atrás dela.
Ela não o via, mas sentia. Seu calor. Sua presença. Sua sombra.
- Você... - ele disse baixo, quase em seu ouvido. - Está aqui para aprender ou para testar meus limites?
Isadora fechou os olhos. Engoliu em seco. A voz dele a atingia como um toque - sem jamais encostar. E ainda assim... a fazia estremecer.
- Estou aqui para tudo - respondeu, quase num sussurro.
Um silêncio pesado se instalou por um segundo. Então ele se afastou.
- Muito bem, senhoritas - disse, retomando o tom neutro. - A primeira lição foi dada.
- Vocês sentiram o poder da obediência.
E, sem mais uma palavra, saiu da sala.
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Isadora permaneceu ajoelhada por mais tempo que as outras. O chão ainda gelado. A pele arrepiada. O corpo quente. Algo dentro dela se partira. Ou talvez... tivesse finalmente despertado.
O que era Ravena, afinal?
Um internato?
Um castelo de perversões?
Ou o único lugar onde, finalmente, ela deixaria de sobreviver... para começar a viver?
Ela não sabia.
Mas pela primeira vez, desejava ser domada.
E só um homem parecia capaz de fazer isso.
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