
Academia Ravena – Lições de Obediência
Capítulo 3
Capítulo 3 – A Primeira Entrega
O uniforme parecia ter sido feito sob medida. Saia lápis preta, justa na medida certa para realçar os quadris. Camisa branca de tecido fino, com os dois primeiros botões abertos como exigido. Nos pés, salto médio. Isadora nunca se sentira tão exposta e, ao mesmo tempo, tão... poderosa.
Ao entrar na sala de treinamento, sentiu o cheiro característico do ambiente: couro, incenso amadeirado e algo mais... metálico. Como ferro aquecido. Havia espelhos posicionados nas laterais, estofados escuros pelo chão e um púlpito elevado ao fundo.
A aula seria conduzida pelo próprio Professor Rafael Almonte.
Quando ele entrou, todas as alunas se levantaram, como era regra. Isadora o observava em silêncio. O corte de cabelo impecável, o terno ajustado à perfeição, os olhos azuis quase cinza varrendo a sala com precisão cirúrgica. Ele parecia ver tudo ao mesmo tempo - não apenas o corpo, mas as intenções. As falhas. As vontades escondidas.
- Senhoritas - começou, a voz baixa, arranhando os ouvidos com controle -, hoje iniciaremos os exercícios de entrega consciente. O corpo fala, mesmo quando vocês tentam mentir. Aqui, aprenderão a arte de ceder... sem vergonha. Sem hesitação.
Ele caminhava lentamente entre as alunas, como um general antes do combate. Cada passo seu fazia o coração de Isadora acelerar.
- Uma de vocês será a primeira - disse ele. - Sempre há uma.
Silêncio.
Então ele parou exatamente ao lado dela. Isadora manteve a postura ereta, mas o coração tamborilava contra suas costelas. Não o olhou diretamente, mas sentia seu olhar sobre ela, queimando sob a pele.
- Senhorita Lima - ele disse, com aquele tom firme, neutro e irresistivelmente dominante. - À frente.
Ela não hesitou. Caminhou até o centro da sala, sob os olhos atentos das outras alunas, e se posicionou no pequeno tapete redondo de couro negro. De costas eretas, mãos atrás, como havia aprendido.
- Tire os sapatos - ordenou.
Ela obedeceu.
- Agora, os olhos nos meus. Apenas quando eu permitir, você os desviará. Entendido?
- Sim, senhor - disse, a voz firme, mas carregada de tensão.
Ele se aproximou. Não a tocou, mas estava perto o suficiente para que ela sentisse o calor do corpo dele. O perfume amadeirado, o toque seco do poder que o envolvia como uma segunda pele.
- Há duas formas de submissão - disse ele, andando em torno dela. - A primeira vem do medo. A segunda... do desejo. A primeira obedece por sobrevivência. A segunda, por escolha. Aqui, buscamos apenas a segunda.
Ele parou atrás dela.
- Qual das duas é a sua, senhorita Lima?
- Ainda estou descobrindo - respondeu, sem hesitar.
Um leve silêncio. E então ele falou, mais baixo:
- Corajosa.
Isadora não sabia se era um elogio ou um alerta.
Ele voltou à frente dela.
- Olhe para si mesma - disse, apontando para o espelho.
Ela virou-se, devagar. E o que viu a surpreendeu. Não era mais a garota das faxinas, do colchão fino, das roupas de brechó. Aquela no espelho era outra. Altiva. Tensa. Sedutora. Uma mulher em início de combustão.
- Agora - disse ele -, descreva o que vê.
Ela hesitou.
- Vejo uma mulher tentando parecer firme, mas com o corpo em brasa.
Ele se aproximou mais.
- Onde queima, senhorita Lima?
Os olhos dela encontraram os dele. E, mesmo com o rubor subindo pelas bochechas, ela respondeu.
- No ventre. E na garganta.
Os lábios dele se curvaram, de leve. Um quase-sorriso. Quase cruel.
- Duas áreas perigosas.
Ele se afastou.
- Muito bem. Para todas as outras - disse, virando-se às alunas -, observem: ela não se encolheu. Não escondeu. Entregou palavras nuas. Isso é o início da verdadeira submissão.
Isadora sentia o sangue correr veloz sob a pele. Não tinha sido tocada uma única vez. E, mesmo assim, seu corpo latejava como se tivesse sido explorado.
- Você pode se sentar - disse Rafael, por fim. - Hoje, começou a sua lição.
Enquanto voltava ao lugar, os olhos das outras alunas a acompanhavam. Algumas com inveja, outras com admiração. Mas nenhuma podia negar: havia algo nela que atraía. E Rafael, mesmo sem demonstrar, sabia disso.
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Mais tarde, já em seu quarto, Isadora sentou-se diante do espelho. Tocou o próprio rosto. Os lábios. O pescoço. Cada parte parecia mais sensível. Mais viva.
Pegou o caderno escondido e escreveu:
"Ele não me tocou. Mas eu senti como se tivesse me despido inteira. Não com as mãos. Com os olhos. Com as palavras. Com o silêncio. O que será que há depois disso?"
Ela fechou o caderno e deitou-se na cama, sentindo ainda o eco da voz dele em sua pele.
E sabia: aquela fora apenas a primeira entrega.
A próxima... poderia custar muito mais.
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