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A Vinha Do Destino

Ji-Hye, sommelier de 38 anos, abandona sua carreira em Londres após o fim de seu casamento. Ao retornar à Borgonha, sua terra natal, ela conhece Ha-Jun, um enólogo onze anos mais jovem que se apaixona por ela. Enquanto lida com a atração mútua, Ji-Hye enfrenta o medo do julgamento social devido à idade dele. Além disso, ela precisa criar coragem para contar sobre o divórcio ao seu pai, que ainda possui uma enorme admiração pelo seu antigo genro.
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Capítulo 3

A preocupação marcava o rosto de Ji-Hye enquanto ela observava o pai, o Sr. Kim, queixar-se de um mal-estar súbito. A robustez que sempre caracterizara o patriarca da família parecia ter cedido lugar a uma fragilidade inesperada, e isso enchia o coração de Ji-Hye de temor.

— Appa, você está bem? — perguntou ela, sua voz trêmula traía a ansiedade que sentia.

O Sr. Kim tentou sorrir, um gesto para tranquilizá-la, mas a palidez de seu rosto só intensificava a preocupação de Ji-Hye.

— Estou bem, minha filha. Só preciso descansar um pouco — respondeu ele, tentando minimizar a situação.

Quando o médico chegou, após um exame cuidadoso, confirmou a necessidade de repouso.

— Sr. Kim, você precisa de descanso e deve evitar qualquer esforço por um tempo — aconselhou o médico, com uma seriedade que fez Ji-Hye engolir em seco.

— Eu entendo, doutor. Vou cuidar dele — disse Ji-Hye, segurando a mão do pai com firmeza, como se pudesse transferir para ele parte de sua própria força.

Enquanto o médico partia, Ji-Hye sentia uma mistura de alívio e inquietação. O alívio por não ser nada grave, mas a inquietação pelo que isso significava para a viagem a Londres. Ela sabia que a saúde do pai vinha em primeiro lugar, mas também sabia que as responsabilidades não esperam. Em seu peito, o conflito de emoções formava um nó apertado, e Ji-Hye se perguntava como equilibrar o cuidado com o pai e as exigências da vida que continuava a girar fora das paredes daquela casa.

A noite havia se instalado suavemente sobre a vinícola quando o Sr. Kim convocou Ha-Jun para uma conversa urgente. Ji-Hye, observando de longe, sentiu uma pontada de curiosidade e preocupação. Ela foi chamada logo em seguida, e seu pai, com uma expressão séria, compartilhou as notícias.

— Ha-Jun, Ji-Hye, tenho uma tarefa importante para vocês — começou o Sr. Kim, sua voz carregada de uma mistura de autoridade e pesar. — Como sabem, eu deveria ir à Itália para a feira do vinho, mas o médico insistiu que eu fique e descanse.

Ji-Hye sentiu o coração apertar ao ver o pai naquele estado, mas sabia que a responsabilidade da vinícola agora recaía sobre seus ombros.

— Appa, não se preocupe. Nós cuidaremos de tudo — disse ela, tentando transmitir confiança.

— Ha-Jun , você conhece nossos vinhos tão bem quanto eu. E Ji-Hye, sua experiência será crucial lá — continuou o Sr. Kim, olhando alternadamente para os dois. — Vocês dois representarão a vinícola e apresentarão nossos novos produtos. É uma grande responsabilidade.

Ha-Jun acenou com a cabeça, aceitando o encargo com um respeito reverente.

— Faremos o nosso melhor, Sr. Kim — afirmou ele.

Ji-Hye, embora ainda abalada pela saúde do pai e pela perspectiva de estar tão perto de Londres, sabia que aquela viagem era uma oportunidade de honrar o legado da família e talvez, encontrar um novo caminho para si mesma.

Ji-Hye acompanhou Ha-Jun até a saída. A brisa noturna acariciava suavemente a varanda onde Ji-Hye e Ha-Jun se encontravam, o céu estrelado acima deles servindo como um manto de tranquilidade. Ji-Hye, com uma expressão de incerteza, voltou-se para Ha-Jun, buscando em seus olhos algum sinal de orientação.

— Ha-Jun-ssi, eu... estive fora por tanto tempo. Sinto que perdi o contato com os detalhes da vinícola — confessou ela, entrelaçando os dedos com nervosismo. — Você poderia me ajudar a entender melhor a situação atual? Não sabia nem mesmo dessa feira de vinhos.

Ha-Jun, percebendo a hesitação dela, aproximou-se e apoiou-se no corrimão da varanda, oferecendo um sorriso encorajador.

— Claro, Ji-Hye-ssi. Não se preocupe, eu estou aqui para ajudar — disse ele, com uma voz calma e firme. — Vamos começar pelo básico e avançar a partir daí. A feira é uma excelente oportunidade para expandirmos nossa presença no mercado internacional.

Ji-Hye assentiu, sentindo uma onda de gratidão pela disposição de Ha-Jun em auxiliá-la. Ela se aproximou, olhando para os vinhedos que se perdiam na escuridão, e então para Ha-Jun, pronta para aprender tudo o que fosse necessário para honrar o legado de sua família.

O jardim da propriedade era um refúgio de serenidade, onde as flores noturnas começavam a exalar seu perfume suave, misturando-se ao aroma das ervas aromáticas plantadas ali. Ji-Hye e Ha-Jun caminhavam lado a lado, os cascalhos sob seus pés sussurrando a cada passo que davam. As sombras das árvores dançavam ao sabor da brisa, e o céu acima deles estava salpicado de estrelas, cada uma brilhando como um farol de esperança.

— Ha-Jun-ssi, meu pai... ele já havia se sentido mal antes? — perguntou Ji-Hye, sua voz baixa carregada de preocupação.

Ha-Jun parou por um momento, olhando para o céu antes de responder.

— Sim, o Sr. Kim tem enfrentado alguns problemas de saúde ultimamente. Por isso, ele me confiou mais responsabilidades na vinícola — disse ele, com um tom de respeito. — Mas não se preocupe, Ji-Hye-ssi, ele é forte. Ele vai se recuperar.

Ji-Hye sentiu uma pontada de culpa, lamentando o tempo que passou longe de casa, longe do pai que agora precisava dela.

— Eu deveria ter estado aqui — murmurou ela, mais para si mesma do que para Ha-Jun, enquanto acariciava as pétalas de uma rosa que desabrochava, sua cor pálida um reflexo de seus próprios sentimentos.

Ha-Jun se aproximou, colocando uma mão reconfortante sobre o ombro dela.

— Você está aqui agora, Ji-Hye-ssi. E isso é o que importa — disse ele, oferecendo um sorriso gentil que buscava aliviar o peso que ela carregava no coração.

O calor suave da lareira envolvia Ji-Hye enquanto ela se aconchegava com sua xícara de chá de laranja, o aroma cítrico misturando-se ao cheiro reconfortante da madeira queimando. Sua mãe se juntou a ela, trazendo consigo uma quietude que preenchia o espaço entre elas.

— Omma, por que vocês não me contaram sobre a saúde do Appa? — Ji-Hye finalmente perguntou, a preocupação clara em sua voz.

A mãe suspirou, um som carregado de amor e proteção.

— Nós não queríamos que você se preocupasse, Ji-Hye-ya. Você já tinha suas próprias coisas para lidar — respondeu ela, com uma voz suave, mas firme.

Ji-Hye sentiu uma mistura de alívio e frustração. Ela estava grata pela intenção de sua mãe de protegê-la, mas também se sentia culpada por não estar presente quando talvez fosse mais necessária.

— Eu entendo, Omma, mas eu queria ter estado aqui. Queria ter ajudado — disse Ji-Hye, olhando para as chamas que dançavam à sua frente, refletindo sobre o tempo perdido e as responsabilidades que agora recaíam sobre seus ombros.

Ji-Hye estava diante de sua mala aberta, o quarto iluminado pela luz suave da tarde que se infiltrava pelas cortinas. Peças de roupa estavam espalhadas pela cama, cada uma escolhida com cuidado para a viagem à Itália. Ela dobrava cada item meticulosamente, pensando nas reuniões e nos eventos que a aguardavam.

Ela selecionou vestidos elegantes para os dias de feira, blusas confortáveis para as longas caminhadas pelos vinhedos, e não esqueceu um casaco mais pesado para as noites frescas da Toscana. Ao lado da mala, um par de sapatos confortáveis para o dia e outro de salto para as ocasiões formais já estavam alinhados.

Enquanto organizava sua mala, Ji-Hye refletia sobre as responsabilidades que a viagem implicava. Ela sentia uma mistura de excitação e nervosismo, consciente da importância de representar bem a vinícola da família. Com cada peça de roupa que colocava na mala, ela também empacotava um pouco da esperança e determinação que carregava consigo.

Na sala de estar da casa, onde as memórias da família Kim se entrelaçavam com cada móvel, o Sr. Kim convocou Ji-Hye e Ha-Jun para uma reunião pré-viagem. Ji-Hye sentou-se, absorvendo cada palavra do pai, enquanto Ha-Jun acenava em concordância, já familiarizado com os detalhes.

— Ji-Hye, esta feira é crucial para nós — começou o Sr. Kim, passando-lhe uma pasta repleta de documentos. — Aqui estão todas as informações que você precisa saber. Ha-Jun irá ajudá-la com qualquer dúvida.

Ji-Hye folheou os papéis, sentindo o peso da responsabilidade crescer.

— Eu vou me familiarizar com tudo, Appa — disse ela, determinada.

O Sr. Kim então voltou-se para Ha-Jun, com um olhar de confiança e um pedido paternal.

— Ha-Jun, confio em você para cuidar de Ji-Hye como se fosse sua própria irmã. Vocês dois são o futuro desta vinícola.

Ha-Jun assentiu, um gesto solene de aceitação.

— Pode contar comigo, Sr. Kim. Ji-Hye-ssi estará segura comigo — prometeu ele, olhando brevemente para Ji-Hye, que lhe ofereceu um sorriso agradecido.

Enquanto a reunião se encerrava, Ji-Hye sentia uma mistura de apreensão e gratidão. Ela estava prestes a embarcar em uma jornada que definiria não apenas o futuro da vinícola, mas também o seu próprio.

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