
A Vingança Silenciosa da Ex-Esposa
Capítulo 2
Quando a enfermeira me entregou a certidão de óbito do meu filho, as minhas mãos tremiam tanto que quase não consegui segurá-la.
O meu marido, Diogo, estava ao meu lado, mas não olhava para mim.
Os seus olhos estavam fixos na porta da sala de emergência do outro lado do corredor.
Atrás dessa porta estava a sua irmã, Eva. Ela tinha tentado suicidar-se.
"Diogo, o nosso filho... o nosso filho morreu", a minha voz saiu rouca, quebrada.
Ele finalmente virou a cabeça, o seu olhar frio e distante.
"Eu sei. Os médicos não disseram que foi um acidente? Que já não havia batimento cardíaco quando chegaste?"
Um acidente.
Sim, um acidente causado pela sua família.
Se a sua mãe não me tivesse empurrado escada abaixo durante uma discussão, o meu filho de sete meses ainda estaria seguro dentro de mim.
Eu estava a sangrar no chão, a implorar-lhe que chamasse uma ambulância.
Mas a mãe dele, a Sónia, apenas pegou no telefone para ligar ao Diogo.
"Diogo, a tua mulher é louca! Ela caiu das escadas sozinha e agora está a culpar-me! E a Eva, a tua pobre irmã, está tão assustada que se trancou no quarto!"
Naquele momento, eu soube que o meu casamento tinha acabado.
A voz da Sónia ecoava na minha cabeça, uma mistura venenosa de pânico e acusação.
"Diogo, vem rápido! A Eva não está bem, acho que ela vai fazer alguma coisa estúpida! Esquece a Laura, ela está só a fazer um drama!"
E o Diogo, o meu marido, acreditou nela.
Quando ele finalmente chegou a casa, passou por mim, deitada numa poça do meu próprio sangue, e foi direto para o quarto da Eva.
Ele arrombou a porta.
Eu ouvi o som de coisas a cair e o grito da Eva.
Foram os vizinhos, alertados pelos meus gritos fracos, que finalmente chamaram a ambulância para mim.
O Diogo só apareceu no hospital horas depois, e apenas porque a Eva estava aqui também, a receber tratamento por ter tomado alguns comprimidos a mais.
Agora, ele estava aqui, a olhar para a certidão de óbito do nosso filho como se fosse um pedaço de papel sem importância.
"Laura, temos de ser fortes", disse ele, a sua voz desprovida de qualquer emoção. "A Eva precisa de nós agora."
Eu ri, um som seco e amargo que arranhou a minha garganta.
"A Eva precisa de ti. O nosso filho precisava de nós, Diogo. Ele precisava de nós e tu deixaste-o morrer."
A sua expressão endureceu.
"Não fales assim. Foi um acidente. A minha mãe disse que tu tropeçaste. E a Eva está frágil, ela não aguentou o stress."
"Então a vida dela vale mais que a do nosso filho?"
"Não foi isso que eu disse!", ele elevou a voz, atraindo olhares de pessoas no corredor. "Porque é que tens de ser sempre tão dramática? A minha irmã quase morreu!"
"E o meu filho morreu!", gritei de volta, as lágrimas que eu segurava finalmente a escorrerem pelo meu rosto. "Ele está morto, Diogo! E a culpa é vossa!"
Ele olhou para mim com puro desprezo.
"Já chega, Laura. Estou farto do teu drama. Vou ver a minha irmã."
Ele virou-se e afastou-se, deixando-me sozinha no corredor frio do hospital, agarrada à única prova de que o meu filho alguma vez existiu.
Naquele momento, o amor que eu sentia por ele morreu, juntamente com o nosso bebé.
O divórcio não era uma opção. Era uma necessidade.
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