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Capa do romance A Vingança Fria da Esposa Estéril

A Vingança Fria da Esposa Estéril

Após oito anos e sete abortos, descobri a cruel traição de Heitor e minha irmã adotiva. Eles usavam meus bebês para curar o filho secreto do casal. Deixada estéril e sem futuro após uma cirurgia forçada, percebi que fui apenas uma incubadora para o plano doentio deles. Eles acreditavam que eu estava destruída, mas agora renasci. Buscarei justiça contra aqueles que roubaram meu sonho de ser mãe, destruindo o império deles até que reste apenas cinzas.
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Capítulo 2

Ponto de Vista de Helena:

O cheiro familiar da minha casa, antes um conforto, agora parecia um sudário sufocante. Arrastei-me pela porta da frente, o esgotamento um peso enorme em meus ombros. Cada passo era uma batalha, cada respiração um esforço consciente. Passei horas dirigindo, ouvindo a gravação arrepiante repetidamente, deixando o veneno infiltrar-se em minhas veias. Era a única maneira de manter a fachada intacta.

"Helena, meu amor! Aí está você." A voz de Heitor, enjoativamente doce, cortou o silêncio. Ele saiu da cozinha, uma expressão preocupada no rosto. Ele se moveu em minha direção, os braços estendidos, pronto para sua performance habitual de marido dedicado.

Eu enrijeci, uma onda de náusea me invadindo. O simples pensamento de seu toque enviava arrepios de repulsa pela minha espinha.

"Sinto muito, querida. Minha reunião se estendeu. Eu deveria ter ido te buscar. Como foi a consulta?" Ele tentou me puxar para um abraço, sua mão alcançando minha cintura.

Eu o desviei sutilmente, fingindo uma tontura repentina. "Só um pouco cansada, querido. Dia longo. O médico disse que está tudo bem, no entanto." Consegui um sorriso fraco, minha voz mal um sussurro. A mentira tinha gosto de cinzas.

"Que notícia maravilhosa!" Seu sorriso era largo, largo demais, seus olhos brilhando com uma mistura inquietante de alívio e algo que eu não conseguia identificar. Expectativa. Ele já estava planejando.

Ele me levou para a mesa de jantar, onde um jantar suntuoso estava servido. Meus pratos favoritos. Uma tentativa desesperada de normalidade, pelo menos para ele. Os aromas ricos, antes convidativos, agora reviravam meu estômago. Senti um suor frio brotar em minha testa.

"Eu fiz sua massa favorita," ele disse, puxando uma cadeira para mim. "Você precisa manter suas forças, por vocês dois."

Forcei-me a sentar, meu olhar fixo no prato. Meu apetite havia desaparecido, substituído por um vazio profundo e roedor. "Parece delicioso, Heitor, mas acho que só preciso deitar. Sinto-me um pouco... estranha."

Sua testa franziu levemente. "Tem certeza, amor? Você parece um pouco distante hoje. Está tudo bem?" Ele estendeu a mão sobre a mesa, cobrindo a minha.

Eu recuei, puxando minha mão para trás como se estivesse queimada. "Só exausta, eu prometo. É... muita coisa para processar." Minha voz era plana, sem emoção.

Ele me estudou por um momento, um lampejo de suspeita em seus olhos. Então, ele se animou. "Ah, eu sei exatamente o que vai te animar! Tenho uma surpresa para você. Venha."

Ele praticamente me arrastou da mesa, seu entusiasmo parecendo um ataque físico. Ele me levou escada acima, pelo corredor, e parou em frente à porta do quarto de hóspedes. Aquele que sempre falamos em transformar em um berçário.

Ele abriu a porta com um floreio. O quarto brilhava com uma luz suave e quente. Um mural recém-pintado de nuvens fofas e animais de desenho animado adornava uma parede. Um berço novinho em folha, uma cadeira de balanço e prateleiras transbordando de roupinhas e brinquedos de pelúcia enchiam o espaço. Era perfeito. Um berçário de conto de fadas.

"Para o nosso bebê, Helena," ele disse, sua voz embargada com o que parecia ser emoção genuína. "Eu queria te surpreender. Um novo começo. Desta vez, tudo será perfeito."

Eu encarei o quarto impecável, uma dor oca no peito. Ele tinha feito isso. Tudo isso. A fachada inocente, o marido dedicado, o futuro pai animado. Tudo enquanto planejava me trair e matar nosso filho. A pura audácia de seu engano era de tirar o fôlego.

Ele me observava, um toque de nervosismo em sua postura. "Você... você gostou?"

Virei-me lentamente, um fantasma de sorriso tocando meus lábios. "É lindo, Heitor. De verdade." As palavras eram uma mentira amarga, mas minha voz não tremeu. Eu era uma mestra do engano agora, graças a ele.

Seu alívio foi palpável. Ele se aproximou, enfiando a mão no bolso. "E eu tenho mais uma coisa." Ele tirou uma pequena caixa de veludo. Dentro, aninhado em uma almofada de cetim, havia um delicado colar de diamantes. O pingente tinha a forma de um berço minúsculo e intrincado.

"É da coleção de herança da família Almeida," ele explicou, sua voz mais suave agora. "Minha avó usou quando estava esperando seu primeiro filho. Quero que você o use, Helena. Um símbolo do nosso novo começo. Nossa família."

Ele tirou o colar, seus dedos roçando o metal frio. Ele ficou atrás de mim, suas mãos alcançando o fecho. Senti sua respiração em meu pescoço, e uma onda de pura repulsa me invadiu. Meu corpo inteiro enrijeceu, resistindo ao impulso de recuar.

Mas eu fiquei imóvel. Isso era parte do ato. Parte do jogo.

Ele fechou o fecho, seus dedos demorando em minha pele. "Pronto. Combina com você."

Olhei para meu reflexo no espelho, o berço de diamante brilhando contra minha clavícula. Um símbolo de um passado roubado e um futuro que ele nunca teria. Uma percepção fria e dura se instalou. Este colar. Este exato colar. Eu já o tinha visto antes. Não em sua avó, não em algum cofre de família empoeirado. Era uma réplica. Uma imitação barata de uma peça que minha mãe adotiva, sua sogra, uma vez me mostrou. Um presente de Benício, uma sutil oferta de paz após a desaprovação inicial deles ao nosso casamento. Heitor devia saber que eu não reconheceria a falsificação, ou ele simplesmente não se importava. O verdadeiro valia milhões. Este, provavelmente alguns milhares. Ele não podia nem se dar ao trabalho de me dar joias de família de verdade. Ele estava zombando de mim.

Meu coração endureceu ainda mais, um bloco de gelo envolvendo os últimos vestígios do meu amor por ele. Ele não era apenas um traidor, era um mesquinho e calculista avarento.

Afastei-me, virando-me para encará-lo, minha expressão indecifrável. "Heitor, há algo importante que precisamos discutir." Minha voz era calma, firme.

Ele franziu a testa, seu deleite momentâneo substituído por cautela. "O que é, amor? Você está me assustando."

Enfiei a mão na bolsa, meus dedos se fechando em torno da pasta fina que eu havia preparado. "Nosso divórcio. Eu quero um."

Seus olhos se arregalaram em choque. "O quê? Helena, do que você está falando? É porque eu me atrasei? É sobre os abortos? Eu te disse, vamos superar isso. Teremos este bebê, e depois outro. Vou compensar tudo para você." Ele tentou soar reconfortante, mas sua voz estava tingida de pânico.

Meu celular vibrou então, um som agudo e intrusivo. Ele olhou para ele, uma notificação piscando na tela. Lorena Miles. Uma mensagem de texto. Ele rapidamente o silenciou, mas não antes de eu ver o nome.

"Assine estes papéis, Heitor," eu disse, minha voz cortando sua gagueira. "É um acordo de separação, por enquanto. Apenas até eu poder pensar com clareza. Preciso de espaço." Minha voz era um bálsamo cuidadoso, projetado para acalmar sua paranoia. Eu sabia que ele não leria os documentos completamente, não com a mensagem urgente de Lorena o distraindo.

Ele hesitou, seu olhar indo dos documentos para o celular, depois de volta para mim. "Uma separação? Helena, você está sendo irracional. Estamos esperando um bebê!"

"Exatamente," eu disse, minha voz mais fria que gelo. "E eu preciso estar calma e focada. Esta é apenas uma medida temporária, para nos dar um pouco de espaço para respirar. Meu advogado os redigiu. Procedimento padrão." Era uma mentira. Uma mentira linda e devastadora. "Se você me ama, se você se importa com nosso bebê, você vai assiná-los. Para nossa paz de espírito."

Seus olhos piscaram para o telefone mais uma vez. Ele suspirou, um som de resignação frustrada. "Tudo bem. Tudo bem, Helena. Apenas por enquanto. Mas isso não significa nada. Ainda estamos juntos. Ainda somos uma família." Ele pegou a caneta que eu ofereci, sua assinatura um rabisco apressado no final da página. Ele nem leu o título: "Transferência de Patente e Dissolução de Sociedade."

"Obrigada, Heitor." Peguei os papéis de volta, um sorriso triunfante florescendo em meu coração, embora meu rosto permanecesse impassível. "Agora, se me der licença, eu realmente preciso descansar."

Ele já estava distraído, seu telefone zumbindo novamente. "Eu volto já, amor. Só... uma ligação rápida." Ele praticamente correu para fora do quarto, deixando-me sozinha com o silêncio.

Encarei sua assinatura no documento, uma sensação arrepiante de satisfação me invadindo. Ele tinha acabado de assinar a renúncia de toda a sua empresa. Não apenas um acordo de separação. Esta era a transferência da patente principal da Almeida Tecnologia, o coração de seu império, para a empresa rival de Jayme Vasconcelos. E legalmente, ele tinha acabado de concordar com uma dissolução total e completa de nossos bens compartilhados, comigo retendo a propriedade total da tecnologia que eu havia trazido para a mesa. Ele ia perder tudo. Cada centavo.

Agarrei o documento assinado, minha mão ainda tremendo, mas desta vez com a emoção de uma vitória fria e dura. Isso não era apenas divórcio. Era aniquilação total.

"Você acha que venceu, Heitor?" sussurrei para o quarto vazio, minha voz uma ameaça sedosa. "Você nem começou a perder."

Olhei para o berço de diamante em volta do meu pescoço. Uma réplica barata, um símbolo de seu engano. Eu o usaria. Por enquanto. Um lembrete do monstro com quem eu era casada. Um lembrete da vingança que eu estava prestes a desencadear.

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