
A Vingança de Uma Mãe Quebrada
Capítulo 2
O meu filho, Leo, nasceu morto.
No mesmo dia, o meu marido, Pedro, estava a celebrar o aniversário do filho da sua ex-namorada.
A enfermeira colocou o meu bebé, pequeno e sem vida, ao meu lado.
Ele não chorou, não se mexeu.
Apenas um silêncio mortal enchia o quarto.
A minha mãe, ao meu lado, chorava em silêncio, o seu corpo tremia.
Eu não conseguia chorar.
Olhei para o pequeno rosto do Leo, tão parecido com o do Pedro.
Peguei no meu telemóvel, os meus dedos a tremer tanto que mal conseguia segurá-lo.
Liguei ao Pedro.
A chamada demorou a ser atendida. Quando ele finalmente atendeu, o som de fundo era barulhento, cheio de música e risos de crianças.
"Sofia? O que se passa? Estou ocupado."
A sua voz soava irritada, impaciente.
"Pedro, o nosso bebé..."
A minha voz falhou.
"O que tem o bebé? Nasceu? É um rapaz ou uma rapariga? Espera, não me digas, quero ter uma surpresa quando chegar aí."
"Pedro..."
Antes que eu pudesse terminar, ouvi a voz de outra mulher ao fundo. Era a Helena, a sua ex.
"Pedro, querido, o Dani está à tua espera para cortar o bolo! Vem cá!"
Depois, a voz de um menino.
"Pai, pai! Vem rápido! Eu quero o meu presente!"
Pai.
Aquela palavra atingiu-me.
Pedro suspirou ao telefone. "Olha, Sofia, tenho de ir. O Dani está a chamar-me. Falamos mais tarde."
"O Leo morreu, Pedro."
Disse as palavras de forma clara e fria.
O barulho do outro lado parou por um instante. Apenas um segundo de silêncio.
Depois, a voz do Pedro voltou, cheia de raiva.
"Que raio de piada é essa, Sofia? Não se brinca com uma coisa destas! Estás a tentar estragar o aniversário do Dani de propósito?"
"Não é uma piada."
"Para com isso! Sabes o quão importante este dia é para o Dani. Ele não tem pai, eu sou a única figura paterna que ele tem. Não sejas tão egoísta. Ligo-te mais tarde."
Ele desligou.
Desligou-me o telefone na cara.
Olhei para o ecrã escuro do telemóvel.
Depois olhei para o meu filho silencioso.
A minha mãe tirou o telemóvel da minha mão.
"Deixa-o, Sofia. Ele não merece."
Eu não respondi. Apenas continuei a olhar para o meu bebé.
A enfermeira voltou para levar o Leo.
Eu agarrei-me a ele.
"Não. Por favor, não."
"Minha senhora, temos de o levar."
A minha mãe abraçou-me. "Sofia, querida, tens de o deixar ir."
Eu não o deixei ir.
Eu não conseguia.
Ele era a única coisa que me restava.
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