
A Vingança de Uma Mãe Quebrada
Capítulo 3
Passaram três dias.
Eu não saí do hospital.
O Pedro não ligou. Não mandou uma única mensagem.
A minha mãe ficou comigo o tempo todo. A minha sogra, a mãe do Pedro, não apareceu.
Ela enviou uma mensagem à minha mãe.
"Diz à Sofia para não ser dramática. Estas coisas acontecem. O Pedro está muito ocupado a dar apoio emocional ao Dani, o menino está muito abalado."
Abalado porquê? Porque o seu bolo de aniversário não era suficientemente grande?
O meu filho estava morto.
No quarto dia, a minha mãe foi a casa buscar-me algumas roupas limpas.
Assim que ela saiu, o Pedro apareceu.
Ele não parecia triste. Parecia zangado.
"Onde está ele?"
Foi a primeira coisa que disse.
"Onde está o quê, Pedro?"
"O corpo. Onde está o corpo do bebé?"
Eu olhei para ele, sem expressão.
"Para quê?"
"Precisamos de o enterrar, obviamente. A minha mãe já tratou de tudo. Um funeral simples e rápido. É melhor assim."
Ele falou como se estivesse a organizar a eliminação de lixo.
"Eu não quero."
Ele franziu o sobrolho. "O que queres dizer com 'não quero'? Não podes simplesmente mantê-lo aqui para sempre."
"Ele chama-se Leo."
"O quê?"
"O nome dele é Leo. Não é 'o corpo'."
O Pedro revirou os olhos. "Sofia, não temos tempo para isto. A Helena e o Dani precisam de mim. O Dani tem tido pesadelos."
"Eu também tenho tido pesadelos."
"Não é a mesma coisa. Ele é uma criança. Tu és uma adulta."
Ele aproximou-se da cama. "Onde é que o hospital o pôs? Vou tratar disto agora."
"Eu não te vou dizer."
A raiva dele explodiu.
"Pára de ser tão difícil! Já não basta o que me fizeste passar? Tive de mentir ao Dani, dizer-lhe que tive uma emergência de trabalho. Estragaste-lhe o aniversário!"
"Eu estraguei-lhe o aniversário?"
A minha voz estava perigosamente calma.
"Sim, tu! Com o teu drama! As pessoas perdem bebés todos os dias, Sofia! Supera isso! Não és a única!"
"Sai."
"Não vou sair até me dizeres onde ele está."
"Sai. Daqui. Agora."
Ele olhou para mim, chocado com o meu tom.
Depois, o seu rosto endureceu. "Está bem. Fica aí a chafurdar na tua miséria. Quando estiveres pronta para agir como uma adulta, avisa-me."
Ele virou-se e saiu, batendo a porta atrás de si.
Sozinha outra vez.
Mas desta vez, algo dentro de mim mudou.
A dor ainda lá estava, um buraco enorme no meu peito.
Mas agora, havia outra coisa.
Raiva. Fria e dura como aço.
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