
A Vingança de Miguel
Capítulo 2
Na sala de reuniões silenciosa do hospital, o diretor olhou para Miguel, seu rosto cheio de arrependimento. "Miguel, o hospital decidiu te dar a única vaga de estudo no exterior. É uma oportunidade que só aparece uma vez na vida."
Miguel era o estudante mais brilhante da faculdade de medicina, seu futuro parecia ilimitado. Todos esperavam que ele aceitasse a oferta sem hesitar.
Mas Miguel balançou a cabeça lentamente, sua voz calma, mas firme. "Diretor, eu desisto."
A sala ficou em silêncio. O diretor e os outros professores o olharam, chocados. Essa era uma oportunidade pela qual inúmeros estudantes competiam ferozmente, e ele a estava simplesmente jogando fora.
"Miguel, você sabe do que está abrindo mão?", o diretor perguntou, incrédulo.
"Eu sei," Miguel respondeu, seus olhos fixos, sem qualquer hesitação. "Eu já fiz outra escolha."
Ele se levantou, curvou-se respeitosamente para os professores e se virou para sair, deixando para trás um grupo de pessoas confusas.
Sua verdadeira escolha não era algo que eles pudessem entender. Ele não estava buscando um futuro brilhante para si mesmo, mas sim justiça. Justiça para sua irmã mais nova, Sofia.
Há um mês, Sofia, que tinha apenas dez anos, sofreu um grave acidente de carro. O motorista era o filho mimado de um empresário rico e inescrupuloso, Ricardo Vargas. Ricardo usou sua vasta influência e dinheiro para abafar o incidente. A polícia se recusou a abrir um inquérito, e os advogados que Miguel procurou balançaram a cabeça, dizendo-lhe para não perder seu tempo.
Sofia ficou em coma, sua vida por um fio, e a família Vargas nem sequer ofereceu um pedido de desculpas. Em vez disso, eles enviaram capangas para intimidar Miguel, espancando-o e humilhando-o repetidamente, avisando-o para esquecer o assunto.
O mundo de Miguel desmoronou. Seu pai, um herói de guerra, havia morrido no campo de batalha anos atrás, deixando para trás apenas uma medalha de bravura e o peso da honra. Agora, sua irmã estava morrendo, e a justiça parecia uma piada cruel. O futuro brilhante como médico não significava nada quando ele não podia nem proteger sua própria família.
Enquanto ele saía do hospital, seu coração pesado com desespero, ele viu duas figuras familiares não muito longe. Era sua noiva, Isabela, e a filha adotiva de sua família, Larissa. Elas estavam rindo e conversando, caminhando em sua direção.
Isabela era a mulher que ele amava, a luz de sua vida. Larissa era a garota que seus pais adotaram depois que seu pai morreu, a garota que eles amavam mais do que a ele.
Ao vê-las juntas, uma dor aguda atingiu o peito de Miguel. Isabela, que deveria estar ao seu lado durante este momento difícil, parecia feliz e despreocupada.
"Miguel!" Isabela o viu e seu sorriso vacilou um pouco. Ela se aproximou, com Larissa a reboque. "Onde você estava? Estivemos procurando por você."
"Eu estava ocupado," Miguel disse friamente, seu olhar passando por ela e pousando em Larissa.
Larissa se encolheu ligeiramente, seus olhos se enchendo de lágrimas. "Miguel, não fique bravo com a Isa. Fui eu que a chamei para fazer compras. Eu só queria animá-la um pouco."
Isabela franziu a testa. "Miguel, por que você está sendo assim com a Larissa? Ela não fez nada de errado."
Miguel sentiu uma risada amarga subir por sua garganta. Nos últimos anos, sempre foi assim. Larissa sempre conseguia se fazer de vítima, e todos, incluindo Isabela e seus pais, sempre ficavam do lado dela, fazendo Miguel parecer o vilão.
"Eu não disse nada," Miguel respondeu, sua voz vazia de emoção.
"Sua atitude diz tudo!", Isabela retrucou, sua voz se elevando. "Você está culpando todo mundo pelo que aconteceu com Sofia, não é? Você acha que estamos todos felizes com isso? A Larissa tem chorado por dias!"
Larissa começou a soluçar suavemente, escondendo o rosto nas mãos. "É tudo culpa minha. Eu não deveria ter saído. Miguel, me bata, me castigue. Eu aguento."
A cena era tão familiar, tão perfeitamente ensaiada, que Miguel sentiu uma onda de náusea. Ele olhou para Isabela, para o colar de pingente de coração que ele lhe dera no aniversário dela, brilhando em seu pescoço. Era um símbolo do amor deles, mas agora parecia uma zombaria.
Ele estendeu a mão e gentilmente tocou o colar. Por um momento, Isabela pensou que ele estava se desculpando, e seu rosto suavizou.
Mas então, com um movimento rápido e decidido, ele puxou o colar, rompendo a corrente fina. Ele abriu a mão e deixou o coração de prata cair no chão, onde ele produziu um pequeno som metálico antes de rolar para uma poça de água suja.
O rosto de Isabela ficou pálido de choque. "Miguel... o que você fez?"
Miguel não respondeu. Ele simplesmente se virou e se afastou, deixando as duas mulheres paradas na calçada, o coração de prata abandonado refletindo o céu cinzento e sombrio. Cada passo que ele dava era um passo para longe de seu passado, um passo em direção a um caminho escuro e incerto que ele tinha que trilhar sozinho.
Você pode gostar





