
A Vingança de Eva: Quando a Dor Se Torna Força
Capítulo 2
Quando abri os olhos, o cheiro forte de desinfetante invadiu as minhas narinas, e a primeira coisa que vi foi o teto branco do hospital.
A minha cabeça doía terrivelmente.
A minha melhor amiga, a Sofia, estava sentada ao meu lado, com os olhos vermelhos e inchados de tanto chorar.
"Finalmente acordaste, Eva," disse ela, com a voz rouca. "Assustaste-me de morte."
Tentei sentar-me, mas uma dor aguda na minha cabeça forçou-me a deitar-me novamente.
"O que aconteceu? Onde está o Pedro?" perguntei, a minha voz fraca e trémula. "E a minha mãe?"
A Sofia hesitou, o seu rosto contorceu-se numa expressão de dor.
"Eva... a tua mãe... ela não sobreviveu."
As palavras dela caíram sobre mim como uma laje de betão, o meu cérebro ficou em branco, e o meu coração pareceu parar de bater.
"Não... não pode ser," gaguejei, a negação a tomar conta de mim. "Nós estávamos a ir para o hospital para a consulta dela. O que aconteceu?"
A Sofia agarrou a minha mão com força.
"Houve um acidente de carro, Eva. Um carro desgovernado bateu em vocês. A tua mãe... ela empurrou-te para fora do caminho no último segundo."
As lágrimas que eu não sabia que estava a segurar começaram a rolar pelo meu rosto. A minha mãe. A minha querida mãe. Tinha-se sacrificado por mim.
"E o Pedro?" perguntei, agarrando-me a um último fio de esperança. "Ele estava connosco. Onde é que ele está?"
A expressão da Sofia tornou-se ainda mais sombria.
"O Pedro... ele não estava no carro, Eva."
"O que queres dizer com 'não estava no carro'?" perguntei, confusa. "Ele disse que nos ia levar ao hospital."
"Ele ligou-te pouco antes de saírem," explicou a Sofia, a sua voz cheia de raiva. "A Júlia, a irmã dele, estava a ter um ataque de pânico por causa de um rato em casa dela. Ele foi para lá para a ajudar."
A Júlia. A sua preciosa e frágil irmã mais nova.
A mesma Júlia que fingia desmaiar sempre que eu e o Pedro tínhamos uma pequena discussão.
A mesma Júlia que ligava ao Pedro a meio da noite a chorar por causa de um pesadelo.
"Ele disse para apanhares um táxi," continuou a Sofia, a sua voz a tremer de fúria. "Ele disse que a Júlia precisava mais dele."
O mundo à minha volta começou a girar. O meu marido, o homem que jurou amar-me e proteger-me, tinha-me abandonado a mim e à minha mãe doente por causa de um rato.
Um rato.
A minha mãe estava morta por causa de um rato.
A porta do quarto abriu-se de repente, e o Pedro entrou a correr, com o rosto pálido e ansioso.
"Eva! Graças a Deus, estás acordada!"
Ele correu para a minha cama, mas a Sofia levantou-se e bloqueou-lhe o caminho.
"Fica longe dela, seu canalha," cuspiu ela.
O Pedro ignorou-a e olhou para mim, os seus olhos cheios de um arrependimento encenado.
"Eva, meu amor, eu sinto muito. Eu..."
"Onde estavas?" interrompi-o, a minha voz fria como gelo.
Ele vacilou. "Eu... a Júlia, ela..."
"Um rato," disse eu, as palavras a saírem da minha boca como veneno. "Abandonaste-nos por causa de um rato."
"Não foi assim!" protestou ele. "Ela tem uma fobia, tu sabes disso! Ela estava a ter um verdadeiro colapso!"
"E a minha mãe?" gritei, a dor e a raiva a explodirem dentro de mim. "A minha mãe, que precisava de ir ao hospital para o tratamento do cancro dela, não era importante? Ela está morta, Pedro! A minha mãe está morta porque tu não estavas lá!"
O Pedro recuou, o choque estampado no seu rosto.
"Morta? O que... o que queres dizer?"
"Ela morreu no acidente," disse a Sofia, a sua voz cortante. "O acidente que não teria acontecido se estivesses lá para as levar."
O Pedro olhou para mim, os seus olhos a suplicar por perdão. Mas tudo o que eu conseguia ver era o rosto da minha mãe, o seu último ato de amor a empurrar-me para a segurança.
"Sai," sussurrei, a minha voz desprovida de qualquer emoção.
"Eva, por favor..."
"EU DISSE PARA SAIRES!" gritei, a minha voz a ecoar pelo quarto silencioso. "Eu não te quero ver. Nunca mais."
Ele ficou ali por um momento, o seu rosto uma máscara de incredulidade. Depois, virou-se e saiu, deixando-me sozinha com a minha dor e a imagem esmagadora da traição dele.
Naquele momento, deitada naquela cama de hospital, com o coração partido em mil pedaços, eu sabia de uma coisa com certeza.
O nosso casamento tinha acabado.
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