
A Vingança de Eva: Quando a Dor Se Torna Força
Capítulo 3
Dois dias depois, no funeral da minha mãe, o Pedro apareceu.
Ele usava um fato preto, o seu rosto solene, como se estivesse genuinamente de luto.
A minha tia, a irmã da minha mãe, agarrou-me no braço, os seus olhos a arder de raiva.
"O que é que ele está a fazer aqui?" sibilou ela. "Ele não tem vergonha?"
Eu não respondi, apenas observei enquanto ele se aproximava, com um ramo de lírios brancos nas mãos.
Ele parou em frente ao caixão, baixou a cabeça por um momento, e depois virou-se para mim.
"Eva, podemos conversar?"
"Não há nada para conversar," disse eu, a minha voz monótona.
"Por favor," insistiu ele, baixando a voz. "Não faças uma cena aqui."
Uma risada amarga escapou dos meus lábios.
"Tu é que és a cena, Pedro. A tua simples presença aqui é um insulto à memória da minha mãe."
A sua sogra, a mãe dele, a Dona Clara, aproximou-se, o seu rosto uma máscara de desaprovação.
"Eva, que maneira é essa de falar com o teu marido?" repreendeu ela. "Ele está a sofrer tanto como tu."
"A sofrer?" repeti, incrédula. "Ele não estava lá! Ele escolheu a irmã dele em vez da minha mãe. Onde é que está o sofrimento nisso?"
A Júlia, que se tinha escondido atrás da mãe, começou a soluçar.
"A culpa não foi minha," choramingou ela. "Eu não sabia que isto ia acontecer."
"Claro que não sabias," disse eu, virando-me para ela, a minha raiva a ferver. "Tu nunca sabes de nada, pois não? Só sabes como manipular o teu irmão para que ele faça tudo o que queres."
"Já chega!" trovejou o pai do Pedro, o Senhor Afonso, um homem que sempre me intimidou com o seu ar autoritário. "Mostra algum respeito! Estamos num funeral."
"Respeito?" questionei, a minha voz a subir. "Vocês vêm ao funeral da minha mãe, a mulher que morreu por causa da negligência do vosso filho, e pedem-me respeito? Vocês não têm direito de estar aqui."
O Pedro agarrou-me no braço.
"Eva, para com isso. Estás a envergonhar-te."
Eu afastei a mão dele com um puxão violento.
"Não me toques. A partir de agora, a única coisa que quero de ti é o divórcio."
Um silêncio chocado caiu sobre o pequeno grupo. A Dona Clara ofegou, a mão no peito.
"Divórcio? Ficaste louca? Vocês estão casados há apenas um ano!"
"Um ano a mais do que devia," retorqui. "Eu não vou passar mais um segundo da minha vida casada com um homem que deixou a minha mãe morrer."
O Pedro olhou para mim, a sua expressão a endurecer.
"Não sejas ridícula, Eva. Estás a agir por impulso, por causa da dor."
"Não, Pedro. Pela primeira vez em muito tempo, estou a ver as coisas com clareza. Eu quero o divórcio. E quero que saias da minha casa."
A casa tinha sido um presente da minha mãe quando nos casámos. Era minha, e apenas minha.
"Não podes estar a falar a sério," disse ele, a sua voz a baixar para um sussurro ameaçador. "Vais deitar fora tudo o que construímos por causa de um acidente?"
"Não foi um acidente," disse eu, olhando-o nos olhos. "Foi uma escolha. E tu fizeste a tua."
Virei-lhe as costas e afastei-me, deixando-o ali, rodeado pela sua família, a sua falsa demonstração de luto exposta para todos verem.
Eu não olhei para trás. Naquele momento, só conseguia pensar numa coisa: vingança.
Eles iam pagar pelo que fizeram. Todos eles.
Você pode gostar





