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Capa do romance A Vingança da Ômega Reencarnada

A Vingança da Ômega Reencarnada

Traída pelo marido e pela irmã, Lysandra retorna ao passado buscando justiça. Para mudar sua sorte, ela se une em matrimônio ao temido Logan, a Fera que outrora assolou sua família. Contudo, ela desconhece que Logan também reencarnou e recorda a participação dela no ataque que sofreu. Entre desconfianças e um desejo ardente, ambos iniciam um jogo perigoso de redenção. Sob a lua cheia, o ódio e a paixão se fundem, testando se a vingança ou o amor selvagem prevalecerá.
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Capítulo 1

No corredor silencioso da mansão Montclair, Lysandra passava nervosamente os dedos, levemente trêmulos, sobre a seda do vestido azul-celeste que seu marido dissera combinar com seus olhos lilases. Uma centelha de esperança e alegria dançava em seu peito. Hoje anunciaria ao marido que completou a fórmula que daria a eles o tão esperado herdeiro.

Antes, porém, Dyana pedira para vê-la no quarto. "Temos que conversar, irmãzinha", dissera com uma voz que soava estranhamente tensa pelo telefone interno. Lysandra não hesitara. Mesmo após o casamento, a ligação entre ela e sua gêmea bivitelina permanecia forte. Além do mais, nos últimos tempos, desde a morte da avó e toda a tragédia com Logan Montclair, marido de Dyana, sua irmã parecia irritadiça e inconstante.

A porta do quarto de casada de Dyana – agora de viúva – estava entreaberta. Lysandra empurrou a madeira pesada.

- Dy? Está tudo bem? - questionou empurrando a madeira pesada ao não obter resposta.

No quarto, um espetáculo de púrpura e ouro, refletindo os gostos ostensivos da irmã, viu Dyana de pé junto à lareira apagada, de costas. Vestia um penhoar de seda cor de vinho que caía como um riacho escuro sobre seu corpo esguio.

- Entre e feche a porta - comandou com frieza.

- O que houve? - perguntou após fechar a porta.

Dyana se virou lentamente, mantendo as mãos escondidas nas largas mangas do penhoar. Seus olhos dourados, que normalmente cintilavam de doçura, estavam frios. Um sorriso fino, desprovido de calor, esticou-se em seus lábios pintados de vermelho.

- Hoje, finalmente, posso ser eu mesma e capturar o que é meu de direito.

Lysandra franziu a testa, confusa.

- Dy, seja direta. Preciso contar uma coisa ao Hunter, é importante...

- Ah, sim. O importante anúncio - Dyana deu um passo para mais perto da irmã. - Você fabricou uma fórmula nova e acha que com ela dará um herdeiro ao Hunter, não é?

- Como você...?

- Fofocas correm rápido, irmãzinha. Mas vamos ser realistas - iniciou lançando com veneno puro: - Uma ômega recessiva, frágil, inútil é incapaz de gerar. Todos sabem que você é estéril como o deserto. Hunter só te suporta porque você é a herdeira da casa Dubois. Ele ri de suas tentativas, sabia? Ri da sua esperança patética.

A maldade e desprezo de Dyana atingiram Lysandra como um tapa.

- Dy, por que está falando assim comigo? O que te fiz? - de repente entendeu a amargura da irmã. - Se é pelo Logan... Sei que foi horrível, que ele era um monstro, mas nós o detivemos. Estamos seguros agora. Eu, Hunter e você conse...

- Você e Hunter - Dyana a interrompeu, o sorriso retorcido de desgosto. - Sempre você na frente. Você escolhendo primeiro. Você ficando com ele. Você herdando a porcaria da casa e todo dinheiro Dubois por cinco minutos malditos! Você, você, VOCÊ!

O último "você" foi um grito rouco que reverberou nas paredes. Das mangas do roupão, a mão direita de Dyana surgiu. Não estava vazia. O cabo de prata trabalhada de um punhal cintilou junto da lâmina, curta e afiadíssima.

Lysandra congelou. Seu cérebro recusava-se a processar o que via. Era um pesadelo. Tinha de ser.

- Dy... não tem graça - murmurrou trêmula, dando um passo para trás.

- Graça? - Dyana riu, um som seco e sem alegria. - Irmãzinha ingênua. Isso não é uma brincadeira. É o fim. O seu fim.

E então, com um movimento brutal, Dyana fechou a distância entre elas e enterrou a lâmina no abdômen de Lysandra.

A dor foi uma explosão de agonia que arrancou um grito abafado de Lysandra quando Dyana puxou o punhal. Dobrou-se para frente, as mãos instintivamente cobrindo o local da ferida, os dedos empapando com o líquido quente e vermelho.

- Po-por quê? - Arfou, os olhos arregalados de pavor e incompreensão fixos no rosto feliz da irmã.

Suas pernas falharam e Lysandra caiu de joelhos no tapete espesso, uma mancha úmida e quente se espalhando pelo vestido. A dor corroía suas entranhas, enquanto tentava, inutilmente, conter o fluxo do sangramento.

Outro riso ecoou no quarto, um riso familiar, masculino, que vinha da porta que levava ao banheiro privativo do quarto.

Lysandra moveu a cabeça. A visão começava a escurecer, mas reconheceu a figura que se apoiava no batente, os braços cruzados sobre o peito musculoso do uniforme de capitão da guarda: Hunter, o homem que escolheu como seu companheiro um ano antes.

- Hunter... - o nome saiu em uma súplica de esperança. - Ajuda... ela me... ela...

Hunter Renaud se aproximou dela, ignorou a mão sangrando que buscava a sua, e a empurrou com o pé, fazendo-a cair de costas no chão. Seus olhos verdes, que outrora a fitavam com amor, agora a observavam como se examinasse um inseto insignificante.

- Ah, minha doce e inútil Lysandra - disse ele, a voz mansa e doce. - Sempre tão lenta para entender.

Ele caminhou até Dyana, que ainda segurava o punhal ensanguentado. Em vez de arrancá-lo dela, Hunter colou seus lábios ao dela, abraçando-a e beijando com paixão. Diante dos olhar estarrecido de Lysandra, o beijou encerrou-se e Dyana aninhou-se nos braços dele, um sorriso triunfante e lascivo em seus lábios.

- Você... vocês...

- Somos amantes, querida - Hunter anunciou sem vergonha pela traição. - Há muito, muito tempo. Desde antes do nosso ridículo casamento arranjado.

- Mas... você me aceitou... - Lysandra gemeu, uma nova dor, mais profunda que a física, rasgando seu peito.

- Aceitei a herdeira da casa Dubois - ele corrigiu glacial. - Aceitei o caminho mais fácil para o dinheiro e o status. Mas meu coração... - ele beijou os lábios de Dyana rapidamente -, sempre foi dela. Sempre. Ela me dará filhos fortes, alfas dignos. Você? - Ele fez uma expressão de desprezo. - Não passa de uma ômega recessiva estéril que nem mesmo para me dar herdeiros serviu.

Dyana olhou para baixo, para a irmã moribunda, e sua expressão era de pura raiva.

- Você tirou tudo de mim, Lysa. Hunter. Minha posição. Meu orgulho. Me condenou a um casamento com aquele animal que nem me tocava. Tudo por cinco minutos! - Seu tom de voz aumentou, carregado de êxtase. - Mas olhe só. No final, eu fiquei com tudo. Com o homem. Com a fortuna do velho Montclair, que nós tomamos graças ao seu veneno caseiro. E, em breve, terei a fortuna da nossa família também. - Estendeu o punhal para Hunter.

Ele o pegou, os olhos se voltando para o corpo caído de Lysandra.

- Adeus, Lysandra. Sua utilidade acabou. Agora, a verdadeira herdeira Dubois e eu podemos começar nossa vida. Sem sua presença inútil atrapalhando nosso amor.

Antes que Lysandra pudesse sequer processar a monstruosidade daquela sentença, Hunter se abaixou e desferiu um segundo golpe. Preciso. Profundo. Girando a lâmina e deixando-a fincada logo abaixo do coração dela.

O grito que saiu de Lysandra não foi humano. Foi o som de uma alma sendo despedaçada, de um mundo inteiro desmoronando. Tentou mover-se, escapar, mas o corpo tornou-se lento pesado, a dor um mar escuro que a puxava para baixo.

Seus olhos lilases, turvos e cheios de lágrimas, fitaram os dois vultos acima dela. Hunter e Dyana, de mãos dadas, mãos sujas com o sangue dela. Eles riam. Riam alto, um som íntimo e compartilhado de conquista e felicidade. E se beijavam e acariciavam, alheios a dor dupla dela.

A traição envolveu Lysandra. Tinha gosto de cobre em sua língua e queimava sua retina, gravando para a eternidade sua ingenuidade. Ela, que dera tudo pela irmã. Que confiara no marido. Que ajudara a matar um homem – um monstro, pensava ela – para protegê-los. Tudo por amor. Tudo por lealdade.

E, em troca, foi apunhalada por ambos.

O frio se espalhava de dentro para fora. A escuridão crescia, convidativa. Um último fogo, um derradeiro carvão em brasa de ódio, acendeu-se no que restava de sua consciência, quando seu olhar encontrou a lua cheia, atravessando a janela e iluminando sua figura ensanguentada no chão.

Observou o ser através das portas de acesso a varanda, impassível, a testemunha silenciosa da traição final.

Os lábios ressequidos de Lysandra se moveram, sem som. Depois, um sussurro escapou, carregado de toda a sua dor, de toda a sua humilhação, de toda a sua raiva:

- Deusa... da Lua... Veja... isso... Peço... Justiça... Por favor... Me dê... uma chance de... Vingança...

A escuridão a envolveu completamente, doce e absoluta...

E então, uma explosão de luz branca a puxou... enrolou... aqueceu... e soltou...

Num sobressalto, Lysandra ofegou, um puxão brusco de ar enchendo os pulmões que não estavam mais moribundos. Seus olhos se abriram, arregalados, invadidos por uma luz suave de tarde, não pela noite e nem pela penumbra opressiva do quarto da morte.

Ela estava sentada? Sim! Sentada em uma das cadeiras da sala de jantar da casa de sua família. Diante dela, uma mesa de carvalho polido. Sobre a mesa, duas fotos: Em uma, a foto sorridente e orgulhosa de Hunter Renaud, usando o impecável uniforme. Na outra, a imagem séria e intensa de Logan Montclair.

Exatamente como um ano antes...

- Lysandra, querida - a voz de seu pai soou como um eco de um sonho distante, carregada de preocupação paternal -, a escolha é importante, eu sei. Mas não pode demorar mais. Hunter ou Logan? Quem você escolhe como companheiro?

A pergunta, a situação, o local. Estava de volta ao dia em que ela e Dyana escolheram seus companheiros...?!

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