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Capa do romance A Vingança da Ômega Reencarnada

A Vingança da Ômega Reencarnada

Traída pelo marido e pela irmã, Lysandra retorna ao passado buscando justiça. Para mudar sua sorte, ela se une em matrimônio ao temido Logan, a Fera que outrora assolou sua família. Contudo, ela desconhece que Logan também reencarnou e recorda a participação dela no ataque que sofreu. Entre desconfianças e um desejo ardente, ambos iniciam um jogo perigoso de redenção. Sob a lua cheia, o ódio e a paixão se fundem, testando se a vingança ou o amor selvagem prevalecerá.
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Capítulo 2

O mundo era feito de sensações desconexas e brutais. O tecido suave do vestido amarelo aquecia sua pele, uma sensação tão real que parecia impossível ter, segundos atrás, sentido o corpo esfriar contra a seda ensanguentada do traje azul-celeste.

O rosto preocupado e amoroso de seu pai, Maurice Dubois, aproximou-se do seu. As sobrancelhas embranquecidas franzidas, os olhos dourados – idênticos aos de Dyana -, carregados de preocupação genuína pela demora da resposta.

— Querida, está bem? Ficou pálida de repente.

A voz dele ecoou na sala de jantar como se viesse de um túnel. Lysandra sentiu as mãos trêmulas sobre o colo. Ela as cerrou com força, sentindo as unhas cravarem-se nas palmas. A dor pontual, familiar, foi uma âncora. Era real. Estava Viva!

“A Deusa da Lua ouviu minhas preces…”, concluiu sorrindo aliviada ao não encontrar nenhum corte ou mancha em sua roupa e nem sentir a dor atravessando-a.

Os olhos lilases, ainda turvos pelo choque, percorreram a cena com a percepção aguçada pelo trauma. Tudo estava exatamente como na primeira vez. As fotografias sobre a mesa. A luz da tarde entrando pelas altas janelas... E então, seu olhar pousou em Dyana ao seu lado.

Um calafrio percorreu seu corpo, mas disfarçou voltando o olhar para as fotos a espera de sua escolha. O que logo se mostrou um erro. Assim que viu o sorriso de Hunter, seu estômago deu voltas. Teve de inspirar e expirar várias vezes para controlar o pânico que se alastrava como fogo gélido por sua pele.

Na primeira vida, declarou e apaixonada o nome de Hunter, e o mundo seguira seu curso rumo a traição que acabou na morte dela.

— Entendo o nervosismo — disse Maurice esfregando uma mão nas costas da filha. — É apenas pela tradição — comentou risonho. — Todos sabem que seu companheiro é o capitão Hunter.

— Não!

Lysandra levou a mão à garganta, estranhando a voz diferente e esganiçada. Mas logo percebeu que não foi ela que expôs o que carregava agora no coração. Arrastando a cadeira no assoalho de madeira, abruptamente, Dyana estava em pé, as mãos espalmadas no tampo.

— Eu escolho o Hunter — declarou Dyana, ansiosa e trêmula.

Fitou a irmã envolvida por uma nova onda de surpresa. Aquela reação e pedido não tinham ocorrido na primeira vez.

O olhar de Dyana não estava fixo nas fotos, nem no pai estarrecido pela interrupção. Estava fixo em Lysandra. Intenso, raivoso e glacial. Era o mesmo olhar que sustentara ao cravar o punhal nela, reconheceu sentindo uma dúvida crescer em seu peito:

Dyana também voltara?

— Dyana, isso é… inapropriado — Maurice balbuciou atônito. — A tradição, o direito de primogenitura…

— Sou mais nova por malditos cinco minutos — ela gritou, deixando o pai pasmo, mas não Lysandra que já ouvira aquela queixa quando a irmã a matou na covardia.

Dyana baixou os olhos, num gesto que outrora Lysandra interpretaria como timidez, mas que agora reconhecia como teatro puro. Quando os ergueu novamente, estavam brilhando com lágrimas que, no entanto, eram convincentes.

— Eu sei que não é meu lugar. Eu sei que Lys é a mais velha... a herdeira… mas não posso calar o que sinto — choramingou, lágrimas grossas deslizando por sua face. — Amo Hunter Renaud. Desde sempre. E… acho que ele também sente algo por mim. Ser forçada a vê-lo com outra… mesmo que seja minha irmã… morrerei. — Lysandra segurou a vontade de bater palmas pela atuação, deixando Dyana continuar sua lamúria. — Imploro por um gesto de amor e misericórdia. Deixe-me escolher primeiro. Deixe-me ter Hunter.

Maurice olhou para Lysandra, a expressão corroída em um conflito de tradição e amor paternal.

— Lysandra, o que diz?

Antes que pudesse responder, novamente, Dyana tomou o controle, agarrando as mãos de Lysandra e puxando-as para junto do peito.

— Lysa, sempre foi tão boa… Sei que será feliz com o senhor Montclair. Eu… eu... — Ela fez uma pausa dramática, sustentando a voz sofrida. — Não sobreviveria... Por favor...

Dyana fitava-a com um brilho de desafio mal escondido sob as lágrimas. “Vai, irmãzinha inútil”, aquele olhar parecia dizer. “Fique com o monstro”.

Lysandra respirou fundo. Se Dyana tivesse feito isso na primeira vez, teria deixado Hunter para ela, mesmo magoando os próprios sentimentos. Mas não era mais a menina doce e confiante de antes. Era um fantasma em busca de vingança. Assim como tinha quase certeza que Dyana também retornara e estava determinada a mudar o que aconteceu na primeira vez.

Nisso concordavam.

Levantou-se, para ficar na mesma altura do olhar de Dyana, mesmo tendo dez centímetros a menos que a irmã, e dar a resposta que ela e o pai de ambas esperavam.

— Pai, Dyana está certa: o amor não deve ser uma disputa. Menos ainda entre irmãs que se amam e se cuidam — iniciou carregada da falsidade da qual foi vítima. Voltou-se para a irmã, e sorriu, disfarçando seu enojo. — Se ama Hunter tanto assim, a ponto de quebrar a tradição por ele… — Fez uma pausa, deixando a acusação pairar. — Pedirei a Deusa da Lua que tenham a união que merecem.

Maurice arregalou os olhos.

— Lysandra, não precisa tomar essa decisão… Sempre foi apaixonada por Hunter!

— Coisas da infância, pai — minimizou, um sorriso triste e deliberadamente frágil tocando seus lábios. Um toque de teatro para combinar com o da irmã. — Dyana claramente sofre mais e não quero ser a causa da infelicidade dela.

— Isso significa que ficará com Logan Montclair — o pai a recordou. — Tem certeza?

Olhou a foto de Logan Montclair. O homem sério, cabelo e olhos escuros. O monstro. A fera. O homem que matou o pai e a avó dela... E que ela ajudara a matar.

Não o queria. Óbvio. Mas na Ilha Ísiflora, no mundo em geral, uma mulher sozinha, ainda mais ômega, era alvo fácil para predadores. E, para seu azar, somente dois alfas eram dignos da casa Dubois. Um ela escolheu na primeira vida e acabou morta pelas mãos dele. O outro...

Um sorriso lento, tão estranho e deslocado na face suave, tocou os lábios de Lysandra. Não era um sorriso de doçura. Era o primeiro broto de algo gélido e determinado que nascia das cinzas de seu coração humilhado e apunhalado. Um plano para mudar seu destino e de pessoas que amava. Mas, para isso, precisaria de um aliado forte e feroz.

A pergunta do pai pairou no ar, carregada do destino de duas vidas: uma que ela vivera e outra que ela estava prestes a reescrever...

— Escolho o senhor Montclair.

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