
A Vingança Da Gênia Literária Disfarçada
Capítulo 2
Ponto de Vista de Holly Erickson:
O baile de gala anual do Dia dos Namorados era um borrão de vestidos caros e sorrisos forçados. Eu estava lá porque Sarah, minha colega de quarto, insistiu. "É romântico, Holly! Você precisa se expor!" Ela não sabia que eu já tinha me exposto. Meu coração palpitava com uma mistura de medo e expectativa. Hoje era a noite. Eu tinha decidido. Eu diria a Kade como me sentia.
Eu sabia que provavelmente era um erro. Kade Livingston, o centro magnético da universidade, um homem que sem esforço comandava atenção e adoração, não dedicaria um segundo olhar a alguém como eu. Eu era a garota quieta com roupas largas, mal uma nota de rodapé na vibrante tapeçaria da vida no campus. Ele era perseguido pelas garotas mais deslumbrantes e populares, todas competindo por sua atenção. Ele nunca ficava com nenhuma delas por muito tempo, dispensando-as com um encolher de ombros casual e um sorriso educado. Imaginei que minha confissão seria recebida com a mesma rejeição educada e indiferente. Um "não" baixo e gentil que estilhaçaria minha frágil esperança.
Mas, parada ali, observando-o do outro lado do salão lotado, cercado por sua comitiva habitual, eu sabia que tinha que tentar. Eu não conseguiria viver com o "e se". Então, respirei fundo, agarrando o pequeno bilhete cuidadosamente dobrado em minha mão. Não era eloquente, não como as palavras que eu escrevia para K.B. Barry. Era apenas uma confissão simples e honesta dos meus sentimentos.
Naveguei por entre as multidões de casais dançantes, com as palmas das mãos suando, meu coração ameaçando sair pela boca. Ele estava conversando com um grupo de amigos, a cabeça jogada para trás em uma gargalhada, parecendo impossivelmente charmoso. Hesitei, então abri caminho pelos últimos corpos, preparando-me.
"Kade?" Minha voz era quase um sussurro, engolida pela música.
Ele se virou, aqueles olhos verdes penetrantes caindo sobre mim. Sua expressão era indecifrável. "Holly? O que você quer?" Ele parecia... entediado. Meu coração afundou. Era isso.
"Eu... eu queria te dizer uma coisa," comecei, minha voz tremendo. Estendi o bilhete.
Ele o pegou, seus dedos roçando nos meus, enviando um choque pelo meu braço. Ele o desdobrou lentamente, seu olhar percorrendo minhas palavras rabiscadas às pressas. Um longo momento de silêncio se estendeu entre nós, a música alta de repente parecendo distante. Observei seu rosto, procurando por qualquer sinal de emoção. Nada. Apenas aquela mesma máscara indecifrável.
Então, ele ergueu o olhar, aqueles olhos verdes se fixando nos meus. "Você realmente quer dizer isso, não é?"
Eu assenti, incapaz de falar.
Ele soltou um suspiro suave, quase imperceptível. Então, um fantasma de sorriso tocou seus lábios. "Tudo bem," ele disse, sua voz baixa e rica. "Eu vou namorar com você."
Meu queixo quase caiu. Eu o encarei, perplexa. "Você... o quê?"
"Eu disse que vou namorar com você, Holly," ele repetiu, seu sorriso se alargando um pouco. Mas então, sua expressão mudou, tornando-se estranhamente séria. Seus olhos cravaram-se nos meus, contendo um aviso enigmático. "Mas você precisa ter cuidado. Não vai ser fácil. Na verdade, vai ser perigoso. Você está pronta para isso?"
Minha mente girou. Perigoso? O que poderia ser perigoso em namorar o cara mais popular do campus? Eu ignorei, atribuindo isso ao seu talento dramático, ou talvez um teste à minha sinceridade. "Sim," eu disse, sem um momento de hesitação. "Sim, estou pronta."
Um arrepio percorreu meu corpo, tão potente que quase me deixou de joelhos. Ele tinha dito sim. Ele tinha dito sim! Eu estava flutuando, alheia à sutil mudança em seus olhos, ao brilho quase imperceptível de algo calculista escondido sob o charme. Eu estava ocupada demais, dominada por uma alegria pura e genuína. Ele me viu! Ele me escolheu! Cada insulto, cada olhar frio, cada noite solitária — tudo pareceu valer a pena naquele único e glorioso momento.
O aviso, suas palavras estranhas, quase arrepiantes, desapareceram no fundo, abafadas pela sinfonia do meu próprio coração em êxtase. Convenci a mim mesma de que era um teste ao meu amor, uma maneira de ver se eu realmente me importava, se eu era forte o suficiente para ele. E eu era. Eu seria.
O "perigo" do qual ele falou não demorou a se manifestar, embora não da maneira que eu imaginara. Não eram ameaças físicas, não no início. Eram os sussurros, os sorrisos de escárnio, a hostilidade declarada da legião de admiradoras de Kade. Bilhetes apareciam no meu armário, mensagens cruéis rabiscadas nas portas dos banheiros, meus livros "acidentalmente" derrubados no chão. Contas anônimas em redes sociais postavam fotos pouco lisonjeiras minhas, dissecando cada falha minha, comparando-me às garotas "lindas" que Kade costumava namorar. Fui chamada de interesseira, uma zé-ninguém grudenta, um sapo feio que de alguma forma enganou seu príncipe.
Eu suportei tudo, mordendo o lábio, lembrando a mim mesma do aviso de Kade. *Vai ser perigoso. Não vai ser fácil.* Era isso, eu dizia a mim mesma. Este era o teste. Se eu pudesse aguentar essa tempestade, se eu pudesse provar minha lealdade e força, então nosso amor seria verdadeiramente conquistado.
Então as ameaças escalaram. Meus pneus foram rasgados. Meu quarto no dormitório foi vandalizado, minhas roupas cortadas, meus pertences jogados por toda parte. Uma noite aterrorizante, voltando da biblioteca, fui agarrada por trás, uma mão tapando minha boca. Lutei, meu treinamento de autodefesa entrando em ação, mas eram muitos. Fui empurrada para dentro de uma van, um saco escuro puxado sobre minha cabeça. O pânico arranhou minha garganta. Isso não era mais apenas bullying. Isso era perigo real.
Não sei quanto tempo fiquei naquela van, ou para onde me levaram. Era uma escuridão aterrorizante e sufocante. Mas então, tão rápido quanto começou, terminou. A van freou bruscamente, a porta foi aberta com violência e fui despejada sem cerimônia no chão. O saco foi arrancado, e os faróis ofuscantes do familiar SUV preto de Kade iluminaram a noite.
Ele estava lá. Seu rosto era uma máscara de preocupação furiosa, seus olhos verdes ardendo. Ele se ajoelhou ao meu lado, puxando-me para um abraço ferozmente protetor. "Holly," ele sussurrou, sua voz rouca de emoção. "Você está machucada? Você está bem?"
"Kade," solucei, agarrando-me a ele. "Eles... eles me levaram."
Ele me segurou com força, acariciando meu cabelo. "Acabou agora. Você está segura." Ele ligou para a polícia, sua voz nítida e imponente, descrevendo a van, a localização geral. Ele ficou comigo a noite toda, confortando-me, segurando minha mão. Sua presença, sua preocupação genuína, apagou todo o medo, toda a dor. Provou para mim que minha resistência, minha fé, haviam sido justificadas. Isso era amor de verdade. E eu estava pronta para qualquer perigo que ele trouxesse.
Algumas semanas depois, a universidade organizou um concerto de caridade. Danielle "Dani" Rivera, a meia-irmã mais nova de Kade, estava se apresentando. Dani era uma musicista talentosa, um prodígio do piano, mas também era dolorosamente frágil — ou assim todos diziam. Ela sofria de ansiedade severa e ataques de pânico, o que a tornava um alvo vulnerável. Kade me disse uma vez, com a voz carregada de preocupação, que Dani era filha de sua mãe de um casamento anterior, e eles a mantinham fora dos holofotes políticos para protegê-la. Kade era ferozmente, quase obsessivamente, protetor de Dani.
Durante a apresentação de Dani, uma luz do palco deu defeito, caindo perto do piano. Não estava mirando em Dani, mas o barulho repentino, o vidro se estilhaçando, a levou a um ataque de pânico total. Ela desabou no chão, tremendo, hiperventilando. A música parou. O caos se instalou.
A multidão avançou. Vi Kade reagir instantaneamente, saltando para o palco, abrindo caminho pela segurança para chegar à sua meia-irmã. Ele pegou Dani em seus braços, seu rosto marcado por puro terror e uma proteção feroz. Ele segurou Dani com força, murmurando palavras tranquilizadoras, tentando protegê-la dos flashes das câmeras e da multidão curiosa.
Mas então, eu a vi. A irmã de Kahlil Carpenter, Amelia. Ela era uma estudante proeminente, conhecida por sua língua afiada e aparência ainda mais afiada. Ela tinha levado um fora de Kade alguns meses atrás e, segundo os rumores, não tinha aceitado bem. Agora, ela estava lá, com um brilho malicioso em seus olhos, apontando e rindo de Dani. "Olhem para a princesinha frágil do senador! Não consegue nem lidar com uma luz quebrada!", ela zombou, sua voz ecoando pelo salão silencioso.
A cabeça de Kade se ergueu bruscamente. Seus olhos, já ardendo de preocupação por Dani, agora continham uma fúria fria e aterrorizante que eu não tinha visto antes. Ele olhou para Amelia, e então, seu olhar varreu a multidão, pousando em mim. Havia algo em seus olhos — um desespero, um cálculo frio — que revirou meu estômago. Mas antes que eu pudesse decifrar, ele já havia se virado, sua atenção consumida por sua meia-irmã.
Ele embalou Dani, sussurrando para ela. E foi então que eu vi. Enquanto Kade a segurava perto, pressionando o rosto dela contra seu peito para escondê-la do mundo, Dani virou a cabeça ligeiramente. Através da cortina de seu cabelo, seus olhos cheios de lágrimas se fixaram nos meus. Mas não havia medo neles. Havia um sorriso de canto. Um sorriso de canto arrepiante e possessivo que dizia: *Ele é meu*.
Depois de alguns minutos, Kade carregou Dani para fora do palco, seu rosto sombrio, deixando sua equipe de segurança para lidar com as consequências. Ele nem sequer olhou para trás para mim. Ele apenas se afastou, sua prioridade clara.
Eu fiquei ali, sentindo um pavor frio se infiltrar em meu coração. Tentei segui-los, querendo oferecer conforto, mas os amigos de Kade, sempre rápidos em antecipar suas necessidades, bloquearam meu caminho. "Ele precisa ficar com a irmã dele agora, Holly," disse Sarah, com uma estranha pena nos olhos. "Dê um espaço a ele."
Espaço. Parecia que um oceano havia se aberto entre nós. Fiquei, sozinha, observando o palco sendo limpo, os sussurros abafados da multidão, as câmeras piscando. Ele não tinha olhado para mim. Nenhuma vez. Não depois daquele olhar inicial e perturbador.
Minha mente repetiu seu aviso anterior: *Vai ser perigoso*.
Era isso que ele queria dizer? O perigo não era apenas para mim. Era para eles. E eu era... o quê? Uma ideia tardia? Uma distração?
O pensamento deixou um gosto amargo na minha boca. Tentei ignorá-lo, dizer a mim mesma que ele estava apenas preocupado com a irmã. Mas a imagem do sorriso de canto de Dani, aquele brilho possessivo em seus olhos enquanto estava envolta nos braços do irmão, se recusava a me deixar.
Caminhei para casa, as luzes vibrantes do baile se transformando em rastros de desespero. Senti um mal-estar crescente, uma suspeita corrosiva de que algo estava fundamentalmente errado com aquela cena. Algo distorcido que eu não conseguia enxergar direito.
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