
A Vingança da Esposa Troféu
Capítulo 2
Na noite em que os papéis do divórcio finalmente chegaram, Maria Antônia, ou Tônia, como era chamada, sentiu um vazio oco tomar conta do peito. Por cinco anos, ela havia sido a Sra. Leonardo Ferraz, a esposa troféu do mais famoso e arrogante jogador de futebol do Brasil. Agora, era apenas Tônia. Com a assinatura que a libertava, veio também uma solidão esmagadora.
Para afogar o silêncio, ela vestiu a primeira peça de roupa que encontrou, um vestido preto simples que não usava há anos, e foi para a balada mais badalada de São Paulo, a "Paraíso Noturno".
O lugar pulsava com música eletrônica, luzes de neon cortavam a fumaça e corpos suados se moviam em um ritmo frenético. Tônia caminhou até o bar, ignorando os olhares curiosos. A esposa abandonada de Leonardo Ferraz era notícia fresca. Ela sentou-se em um banco alto e pediu a bebida mais forte que tivessem.
Enquanto o álcool começava a queimar sua garganta, as memórias dos últimos cinco anos vieram em flashes dolorosos. Ela se lembrou de como abandonou sua promissora carreira de designer de moda para se dedicar inteiramente a ele. Cuidava da casa, da agenda, das crises de ego dele, do relacionamento com a família dele que nunca a aceitou. Ela era a esposa perfeita, sempre sorrindo para as câmeras, sempre apoiando-o nas vitórias e, principalmente, nas derrotas.
Leonardo, em troca, oferecia-lhe uma vida de luxo superficial e uma indiferença cortante. Ele a via como um acessório, uma funcionária não remunerada que cuidava de sua vida para que ele pudesse brilhar. A traição que levou ao divórcio foi apenas a gota d'água em um oceano de negligência.
Um soluço escapou de seus lábios, mas foi rapidamente engolido pela batida da música. Ela pediu outra dose. E mais outra. A dor começou a se transformar em uma raiva entorpecida. Ela se sentia usada, descartada.
De repente, uma ideia louca, impulsionada pelo álcool e pelo desespero, tomou forma em sua mente. Ela precisava provar a si mesma que ainda tinha algum controle, algum poder.
Tônia subiu em cima do balcão do bar, desequilibrando-se por um momento antes de encontrar apoio. As pessoas ao redor pararam de dançar e se viraram para ela, alguns com celulares já em mãos, prontos para registrar o escândalo.
Ela ergueu o copo, o líquido âmbar balançando perigosamente.
"Atenção!" gritou ela, a voz rouca e mais alta do que pretendia. "Hoje eu estou livre! E para comemorar..."
Ela fez uma pausa dramática, um sorriso torto brincando em seus lábios.
"Quem passar a noite com esta garota," ela apontou para si mesma, "ganha mil reais!"
Um murmúrio percorreu a multidão. Risadas, assobios, comentários maliciosos. Tônia sentiu uma pontada de arrependimento, mas já era tarde demais. O desafio estava lançado.
Vários homens a olharam com cobiça, avaliando-a como se fosse um prêmio. Ela se sentiu exposta, vulnerável, mas manteve o queixo erguido.
Foi então que um homem se destacou da multidão. Ele não ria nem a olhava com desejo vulgar. Caminhava com uma calma e confiança que pareciam deslocadas naquele ambiente caótico. Ele era alto, vestia um terno impecável que contrastava com as roupas casuais dos outros, e tinha um rosto que parecia esculpido por um artista. Seus olhos escuros a fixaram com uma intensidade que a fez prender a respiração.
Ele parou em frente ao balcão, ergueu a mão para ela e, com uma voz grave e suave que cortou o barulho, disse:
"Eu, Pedro, me ofereço para ajudar a senhorita..."
Ele segurou a mão dela. O toque era firme, quente, e por um instante, Tônia sentiu como se uma âncora a tivesse impedido de afundar completamente.
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