
A Vingança da Esposa Troféu
Capítulo 3
A música na "Paraíso Noturno" parecia vibrar dentro do corpo de Tônia. Depois que Pedro a ajudou a descer do balcão, a multidão gradualmente voltou a se dispersar, embora os cochichos e olhares continuassem a segui-la. Pedro a guiou com uma mão firme em suas costas até uma área VIP mais reservada, longe do epicentro da pista de dança.
"Você está bem?" ele perguntou, sua voz calma um contraponto ao caos ao redor.
"Estou ótima," Tônia respondeu, tentando parecer mais confiante do que se sentia. "Só precisava de um pouco de... entretenimento."
Ela se jogou em um sofá de couro macio, sentindo o corpo pesado pelo álcool. Pedro sentou-se a uma distância respeitosa, observando-a em silêncio. Ele não fez perguntas sobre o divórcio, sobre Leonardo, sobre o motivo de seu espetáculo. Ele apenas ficou ali, uma presença sólida e tranquila.
Tônia sentiu uma onda de gratidão por isso. Ela pediu mais uma garrafa do champanhe mais caro, querendo se entregar completamente àquela noite de esquecimento. Ela bebeu direto da garrafa, sentindo as bolhas estourarem em sua língua e o efeito do álcool nublar ainda mais seus pensamentos. Ela riu, dançou um pouco no lugar, sentindo uma liberdade que não experimentava há muito tempo.
No entanto, mesmo em sua névoa alcoólica, uma parte de sua mente permaneceu alerta. Ela notou o jeito que Pedro a olhava. Não era o olhar faminto dos outros homens na balada. Era algo mais profundo, analítico, quase... protetor. Isso a deixou inquieta. A proposta dela tinha sido clara: uma transação, uma noite, sem sentimentos. Aquele olhar não se encaixava no roteiro.
"Preciso ir ao banheiro," ela anunciou de repente, precisando de um momento para si mesma, para clarear a cabeça. Ou pelo menos tentar.
Ela se levantou, cambaleando um pouco, e caminhou pelos corredores labirínticos da balada. As luzes estroboscópicas a deixavam tonta, e todos os corredores pareciam iguais. Ela empurrou uma porta que achava ser a do banheiro feminino, mas se viu em um corredor silencioso e mal iluminado, ladeado por portas de salas privadas.
Confusa, ela tentou voltar, mas sua cabeça girava. Ela se apoiou em uma das portas, que se abriu sob seu peso. Tônia tropeçou para dentro, caindo em um ambiente luxuoso e silencioso.
A sala era um camarote privado, muito maior e mais sofisticado do que a área VIP onde estivera. Havia algumas pessoas ali, homens de terno e mulheres elegantemente vestidas, mas todos pareciam tensos, parados em volta de um sofá central.
Sentado no sofá, recostado de olhos fechados, estava Pedro. Seu rosto estava pálido e coberto por uma fina camada de suor. Ele parecia estar com dor.
Tônia, em sua embriaguez, não processou a estranheza da cena. Ela via apenas o homem que havia aceitado sua proposta. A lógica do álcool era simples e direta.
Ela caminhou até o centro da sala, parando na frente dele. Todos os olhares se voltaram para ela, chocados com a intrusão.
"Ei," ela disse, a voz um pouco arrastada. "Eu te contratei para a noite, lembra? Mil reais. Você não pode simplesmente me abandonar."
Pedro abriu os olhos lentamente. Eles estavam turvos, mas focaram nela. Um dos homens ao lado dele, parecendo um assistente, deu um passo à frente.
"Senhorita, por favor, se retire. O Sr. Pedro não está se sentindo bem."
Tônia o ignorou. Ela se inclinou sobre Pedro, o cheiro de álcool e perfume caro se misturando.
"Eu pago o dobro," ela sussurrou, audaciosa. "Dois mil. Mas você vem comigo. Agora."
O silêncio na sala era pesado. Pedro olhou para Tônia, um brilho estranho em seus olhos. Então, ele ergueu uma mão e fez um gesto de dispensa para as outras pessoas na sala.
"Saiam," ele ordenou, a voz baixa, mas carregada de uma autoridade inquestionável. "Todos vocês."
Ninguém hesitou. Em segundos, a sala estava vazia, deixando apenas os dois.
Pedro se levantou lentamente, seu corpo ainda parecendo tenso. Ele caminhou em direção a Tônia, cada passo deliberado e cheio de uma tensão contida. Ele parou a centímetros dela, seus corpos quase se tocando. A diferença de altura a fez ter que inclinar a cabeça para trás para encará-lo.
Ele estendeu a mão e traçou a linha da mandíbula dela com o polegar. O toque era elétrico.
"Você não sabe com o que está brincando," ele sussurrou, a voz rouca. "Mas se é isso que você quer..."
Ele não terminou a frase. Em vez disso, ele a puxou para si, seus lábios encontrando os dela em um beijo que não era nem gentil nem hesitante, mas sim possessivo e faminto. Tônia sentiu o mundo girar, não mais pelo álcool, mas pela intensidade daquele homem.
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