Seguir
Capítulos
Compartilhar
Capa do romance A Vingança da Cega

A Vingança da Cega

Após sacrificar sua visão pelo marido Pedro, a protagonista recupera os olhos e descobre uma traição cruel com sua secretária. Fingindo-se de cega, ela suporta humilhações e até uma gravidez secreta para planejar sua revanche. Após ser desonrada publicamente em uma festa, ela consegue provas da infidelidade e engana Pedro para que assine o divórcio sem perceber. Livre e esperando um filho, ela queima o passado para reconstruir sua vida longe de mentiras.
Capítulos
Compartilhar

Capítulo 2

Para Maria Clara, a arquitetura não era apenas uma profissão, era a sua alma. Ela construiu sua vida e sua carreira com a mesma precisão e paixão com que desenhava seus projetos. E no centro de tudo, como a viga mestra de sua existência, estava Pedro, seu marido. Por ele, ela sacrificou projetos internacionais, noites de sono e, finalmente, a própria visão. Um acidente de carro, um giro violento de metal e vidro, e ela se jogou na frente dele sem pensar. O resultado: Pedro saiu com arranhões, e Maria Clara mergulhou em um mundo de escuridão total.

"Eu serei seus olhos, meu amor" , ele sussurrou em seu leito de hospital, sua voz embargada de uma emoção que ela acreditou ser amor e culpa. "Eu nunca vou te abandonar. Nunca."

E por um ano, ele cumpriu a promessa. Ele a guiava pela casa que ela mesma projetou, descrevia as cores do pôr do sol que ela não podia mais ver e lia para ela todas as noites. Maria Clara se agarrou a essas promessas, à sua voz, ao seu toque. A escuridão era suportável porque ele era sua luz. A dedicação dele era tão intensa que ela quase se esqueceu da mulher ambiciosa e independente que um dia fora. Ela era agora uma mulher que dependia do marido para tudo, e se convenceu de que isso era uma nova forma de amor.

Então, o milagre aconteceu. Após meses de tratamentos e uma cirurgia delicada, o médico retirou as bandagens. A luz entrou, primeiro como uma mancha leitosa, depois com uma clareza dolorosa e, finalmente, com a nitidez de um mundo renascido. A primeira coisa que ela queria ver era o rosto de Pedro, para surpreendê-lo com a notícia. O médico sugeriu que ela ficasse em observação, mas a impaciência de Maria Clara era maior. Ela queria ir para casa. Queria ver sua casa com seus próprios olhos. Queria ver o homem que tinha sido seus olhos.

Ela pegou um táxi, o coração batendo descontrolado no peito. A cidade parecia mais vibrante, as cores mais intensas. Ela pagou o motorista com as mãos trêmulas e caminhou até a porta da frente, a chave parecendo estranha em sua mão depois de tanto tempo. A casa estava silenciosa. Estranhamente silenciosa.

"Pedro?" , ela chamou, sua voz um pouco rouca.

Nenhuma resposta.

Ela sorriu, imaginando que ele devia estar no escritório do andar de cima. Ela subiria as escadas em silêncio e o surpreenderia. Subiu os degraus que conhecia de cor, o toque da madeira sob seus pés agora acompanhado pela visão de cada veio. Tudo era novo e familiar ao mesmo tempo.

Quando chegou ao topo da escada, ouviu um som. Um som baixo, rítmico. Não era do escritório. Vinha do quarto deles. O quarto principal. Um calafrio percorreu sua espinha. Ela andou devagar, o coração agora martelando contra suas costelas. A porta do quarto estava entreaberta.

O som ficou mais claro. Eram gemidos. Sons de prazer. A voz de uma mulher, e a voz de um homem. A voz de Pedro.

A realidade a atingiu como uma parede de concreto. O ar foi arrancado de seus pulmões. Ela se aproximou da porta, o corpo movendo-se por uma força que não era a sua. A visão que a saudou foi mais violenta do que qualquer escuridão.

Pedro estava na cama deles. A cama onde ele a embalava para dormir. E sobre ele, movendo-se com uma intimidade que revirou o estômago de Maria Clara, estava Sofia. Sua secretária. A jovem e ambiciosa Sofia, que sempre a tratou com uma deferência quase excessiva, chamando-a de "Dona Maria Clara" .

Sofia estava nua, seus cabelos longos e escuros espalhados pelas costas. Ela ria, um som baixo e gutural, enquanto se inclinava para beijar Pedro.

"Você é incrível" , sussurrou Sofia, sua voz carregada de uma satisfação que fez o sangue de Maria Clara gelar.

Pedro riu de volta, uma risada que ela conhecia tão bem, mas que agora soava monstruosa.

"Você me deixa louco" , ele disse, suas mãos percorrendo o corpo dela. "A coitadinha cega nunca saberia a diferença."

Aquelas palavras. "A coitadinha cega." Foi isso que ela se tornou para ele. Não sua esposa, não a mulher que ele amava, mas um fardo, uma piada. A mulher que ele enganava em sua própria casa, em sua própria cama.

A dor foi tão aguda, tão física, que Maria Clara teve que se apoiar na parede para não cair. A visão recém-recuperada se encheu de pontos pretos. Ela queria gritar, queria invadir o quarto e arrancar os dois de sua cama. Mas seus membros não obedeciam. Um tipo diferente de cegueira a tomou, a cegueira da alma.

Ela recuou, passo a passo, o som de seus próprios pés abafado pelo som da traição deles. Ela desceu as escadas como um autômato. Seu corpo estava frio, gelado, apesar do calor do aquecedor da casa. Ela olhou pela grande janela da sala de estar. Lá fora, flocos de neve pesados e grossos começaram a cair, cobrindo o mundo com um manto branco e silencioso. Parecia um funeral. O funeral de seu casamento, de seu amor, de sua vida como ela a conhecia.

A decisão foi instantânea, forjada no fogo da dor e no gelo da desilusão. Ela não podia ficar. Não podia confrontá-los. Não ainda. Ela precisava ir embora.

Ela subiu novamente, mas desta vez para o quarto de hóspedes. Com uma calma assustadora, ela pegou uma pequena mala de viagem. Jogou dentro algumas roupas, seu passaporte, o dinheiro que guardava para emergências. Seu cérebro funcionava com uma clareza fria. Enquanto arrumava a mala, seus olhos recém-curados captaram cada detalhe da traição: um copo de batom de Sofia na mesa de cabeceira do quarto de hóspedes, um perfume dela no ar. A casa inteira estava contaminada.

Com a mala na mão, ela pegou o celular. Seus dedos tremiam, mas ela conseguiu encontrar o número. Um número que não discava há anos. Sua prima, Ana, que vivia em uma pequena comunidade isolada em Minas Gerais, o lugar onde Maria Clara nasceu e cresceu antes de se mudar para a cidade grande em busca de seus sonhos.

"Ana?" , disse Maria Clara, sua voz um sussurro frágil.

"Clara! Que surpresa! Como você está? E a visão?"

Maria Clara engoliu em seco.

"Eu preciso de um lugar para ficar, Ana. Por um tempo. Posso ir para aí?"

Houve uma pausa do outro lado da linha.

"Claro que pode, prima. Aconteceu alguma coisa? Você não parece bem."

"Eu só preciso sair daqui" , disse ela, olhando para a porta fechada do seu quarto. "Eu te explico quando chegar aí."

"A porta da minha casa está sempre aberta para você. Venha quando quiser."

Maria Clara desligou. Ela olhou uma última vez para a casa que projetou, para a neve que caía lá fora, para a vida que estava deixando para trás. Sem um som, ela abriu a porta da frente e saiu para a noite fria, deixando o som da risada de Pedro e Sofia ecoar em uma casa que não era mais seu lar.

Você pode gostar

Capa do romance A Vítima Que Se Recusou a Ser
9.5
Clara acorda no hospital após um acidente de carro brutal, apenas para descobrir que o seu noivo, Leo, escolheu proteger a ex-namorada, Inês, no momento do impacto. Enquanto Clara lutava pela vida, Leo cuidava de Inês, tratando a noiva com total negligência. Após encontrar um diário que revela a traição emocional dele e ser expulsa da própria casa, Clara enfrenta as manipulações de Leo. Ele tenta retornar após ser abandonado, mas ela finalmente inicia sua libertação.
Capa do romance CEO luxurioso e a carta desconhecida
9.7
Ele é o CEO supremo, um homem indomável que beira a perfeição em cada detalhe de sua vida. No entanto, sua rotina impecável é abalada ao receber uma misteriosa carta anônima. Esse evento inesperado o força a cruzar caminhos com uma mulher que ele jamais desejou conhecer. Diante desse encontro indesejado e cheio de incertezas, o que o destino reserva para ambos? Descubra como essa conexão improvável transformará o mundo desse bilionário.
Capa do romance Cinzas da ambição
9.6
Com apenas uma semana de vida, Caiden Fowler busca Alexandra Clayton para tentar consertar o passado. Ele confessa seu amor por Leyla e implora pela assinatura do divórcio para viver esse sentimento. No entanto, a ironia marca o pedido: foi Caiden quem desamparou a esposa e o próprio filho anteriormente. Agora, o homem que causou o abandono é o mesmo que derrama lágrimas desesperadas, clamando por uma reconciliação impossível diante do fim.
Capa do romance Desejo: O professor e a chefe
8.4
No Colégio Efraim, Soraya vive o caos do fim do ano letivo. Entre festas e formaturas, ela tenta salvar seu casamento em crise com uma viagem especial. Antes de partir, sua secretária Alice entrevista novos docentes, incluindo um atraente professor de História. Durante as férias, Soraya cede à tentação e vive uma noite inesquecível com um desconhecido. O choque surge no retorno às aulas, quando ela descobre que seu amante é o novo contratado da escola.
Capa do romance Grávida de um Militar
8.1
Melissa, de apenas 17 anos, desafia seus próprios valores ao mergulhar em uma paixão avassaladora e complexa por seu vizinho. O alvo de seu afeto é Jhon, um Major das forças armadas americanas preso em um casamento em crise com Scarlat. Apesar da diferença de dezesseis anos e das complicações militares, o casal vive um romance intenso. Diante de tantos dilemas éticos e obstáculos profundos, resta saber se esse amor proibido conseguirá realmente prevalecer.
Capa do romance Guerra é guerra.
8.9
Após um beijo impulsivo em uma casa de strip-tease, a verdade sobre a identidade dele finalmente vem à tona. Agora, mergulhada em um jogo de sedução e estratégia, ela precisará lutar com todas as forças para conquistar o coração desse homem misterioso. Em um cenário onde os sentimentos se misturam ao conflito, a regra é clara: a guerra começou e apenas quem possuir as melhores armas sairá vitorioso desse embate romântico e intenso.