
A Vingança Cruel da Ex
Capítulo 2
O e-mail da Apex Capital chegou em uma terça-feira de manhã. Era uma confirmação simples. Eles amaram a demonstração final. O dinheiro foi aprovado. A assinatura oficial estava marcada para sexta-feira.
Eu li as palavras "Temos o prazer de prosseguir" e meu estômago revirou com uma onda de alegria e alívio tão intensa que tive que me segurar na beirada da minha mesa. Nós conseguimos. Depois de todo o sacrifício, todas as noites sem dormir, nós finalmente conseguimos.
A próxima coisa que soube foi que o mundo girou. Pontos pretos dançaram na minha visão. Lembro-me de tentar alcançar minha cadeira e errar.
Acordei em um quarto branco e estéril, o cheiro de antisséptico ardendo em minhas narinas. Uma enfermeira estava verificando meus sinais vitais. Ela me disse que eu havia desmaiado de exaustão e desidratação. Ela recomendou descanso.
Mas tudo em que eu conseguia pensar era na assinatura de sexta-feira. Agradeci, me vesti e peguei um táxi direto para o escritório, minha mente fervilhando de planos.
Entrei pelas portas de vidro da InovaTech, o logotipo que eu mesma desenhei brilhando na parede. Fui para a ala executiva, um sorriso no rosto, pronta para comemorar com Caio.
Meu cartão de acesso apitou em vermelho na porta da nossa seção. Acesso negado.
*Que estranho*, pensei. *Uma falha no sistema.*
Tentei de novo. Vermelho.
Senti uma pontada de inquietação. Peguei meu celular para entrar na rede interna da empresa. Minhas credenciais não foram reconhecidas. Minha conta de e-mail, minhas ferramentas de gerenciamento de projetos, meu acesso ao próprio código que eu havia escrito — tudo sumiu.
Um programador júnior, um garoto chamado Léo que eu havia orientado pessoalmente, passou por mim. "Léo, ei. Pode me deixar entrar? Meu cartão não está funcionando."
Ele olhou para mim, depois para a porta, o rosto pálido. Ele evitou meu olhar. "Uh, Bia... acho que não posso."
Foi quando eu vi. Ao lado da porta havia uma grande lixeira de plástico. Saindo do topo estava o canto de uma foto emoldurada. Minha foto. Era uma foto minha e do Caio da nossa formatura da faculdade, nossos braços um sobre o outro, sorrindo como idiotas. Alguém tinha pego um marcador preto e desenhado um 'X' grosso e irregular sobre o meu rosto.
Meu coração parou.
Através da parede de vidro do meu escritório, *meu* escritório, eu podia ver alguém sentado na minha mesa. Era Karina Schmidt, a estagiária de marketing que Caio havia contratado alguns meses atrás. Ela era jovem, ambiciosa e sempre usava vestidos um pouco justos demais para um ambiente profissional.
Ela estava reclinada na minha cadeira, os pés apoiados na minha mesa, falando ao telefone como se fosse a dona do lugar.
Ela me viu olhando. Um sorriso lento e venenoso se espalhou por seu rosto. Ela levantou a mão, fazendo um gesto para a segurança.
"Conforme minha nova diretriz como Diretora de Operações", ela anunciou em voz alta para todo o escritório de plano aberto, sua voz escorrendo autoridade artificial, "todo o pessoal não essencial deve permanecer afastado da ala executiva. Temos um grande acordo para fechar e não podemos nos dar ao luxo de ter distrações."
Ela olhou diretamente para mim. "Isso inclui ex-funcionários que aparecem sem avisar."
Ex-funcionária? Diretora de Operações? Minha mente não conseguia processar as palavras. Isso tinha que ser uma piada. Uma pegadinha doentia e distorcida.
Passei furiosa pelo leitor de cartão inútil e abri a porta do escritório de Caio. Ele estava de pé perto da janela, olhando para a cidade.
"Caio, que porra está acontecendo?", exigi, minha voz tremendo. "Por que a Karina está na minha mesa? Por que meu acesso foi revogado? Eu estava no hospital, eu desmaiei."
Ele se virou lentamente, seu rosto uma máscara de fria indiferença. "A diretriz da Karina agora é política da empresa. Precisamos ser mais profissionais, mais eficientes. Ela tem experiência de uma empresa maior."
"Experiência? Ela é uma estagiária de vinte e dois anos!", retruquei, a raiva finalmente fervendo. "Eu construí este lugar! E as minhas coisas? No lixo?"
Respirei fundo, tentando me acalmar pelo bem do bebê. "Caio, estou grávida. O médico disse que preciso pegar leve. Eu desmaiei por causa do estresse e da gravidez."
Ele acenou com uma mão desdenhosa, sua impaciência um golpe físico. "Todo mundo fica doente, Bia. As pessoas engravidam todos os dias e continuam fazendo seu trabalho. Não se pode esperar que a equipe desacelere por sua causa."
A crueldade de suas palavras sugou o ar dos meus pulmões. O homem que me abraçou e me prometeu o mundo apenas alguns dias atrás estava me olhando como se eu fosse uma estranha. Um inconveniente.
Um nó frio e duro se formou na minha barriga, uma sensação muito pior do que qualquer enjoo matinal. Era a percepção arrepiante de que isso não era uma pegadinha.
Isso era um golpe.
Você pode gostar





