
A Vingança Cruel da Ex
Capítulo 3
Assim que eu estava prestes a falar, Karina entrou no escritório de Caio, um arquivo na mão. Ela nem sequer olhou para mim.
"Caio, querido", ela ronronou, colocando a mão no braço dele. "Finalizei a nova política do plano de melhoria de desempenho. É importante termos uma abordagem clara e de tolerância zero para o baixo desempenho, especialmente agora."
Seus olhos piscaram para mim, um brilho de triunfo neles. "Não queremos ninguém atrasando a equipe."
Ela sorriu docemente, uma expressão sacarina e venenosa. "Bia, tenho certeza que você entende. É para o bem da empresa. Simplesmente não podemos ter pessoas tirando folgas não programadas, alegando que 'desmaiaram'. Isso cria um mau precedente."
"Um precedente?", repeti, minha voz perigosamente baixa. "Eu desmaiei porque estou carregando o filho do seu chefe, um fato que eu estava tentando manter privado. Um fato que agora é protegido pelas leis trabalhistas sobre as quais você claramente não sabe nada."
"De acordo com os registros da empresa, você faltou a uma pré-reunião crítica esta manhã sem notificação", disse Karina, seu tom mudando para uma formalidade fria. "Isso é uma violação clara. Caio e eu tivemos que tomar uma decisão disciplinar."
"Você está me disciplinando por uma emergência médica?", eu ri, um som áspero e quebrado. "Por desmaiar de enjoo matinal? Meu Deus, que audácia."
Olhei diretamente para Caio, ignorando-a. "Você não pode estar falando sério. Diga-me que você não está deixando essa... estagiária... falar comigo desse jeito."
"Eu sou a fundadora desta empresa!", eu disse, minha voz se elevando. "Meu nome está nos papéis de incorporação originais. Eu escrevi o algoritmo principal em que a Apex está investindo duzentos e cinquenta milhões de reais. Essa 'nova política' não é apenas ridícula, é ilegal."
O rosto de Karina se desfez. Ela se virou para Caio, seu lábio inferior tremendo. "Caio... ela está gritando comigo. Eu só estava tentando fazer meu trabalho."
O rosto de Caio endureceu. Ele se colocou na frente de Karina, protegendo-a como se eu fosse algum tipo de monstro.
"Chega, Bia", ele rosnou.
Ele me olhou nos olhos, os seus frios e vazios. "Esta foi minha decisão. A Karina está certa. Precisamos ser uma máquina bem lubrificada e, francamente, você não tem dado conta do recado há semanas."
Minha mandíbula caiu. "Não tenho dado conta? Eu tenho trabalhado vinte horas por dia, eu garanti sozinha a apresentação final com a Apex enquanto você estava 'fazendo networking' com ela!"
"Seu desempenho vem caindo", ele disse, sua voz como gelo. "A equipe tem te coberto. Você está emotiva, está distraída. Esta manhã foi a gota d'água."
Ele respirou fundo, estufando o peito. "Estamos te colocando em licença obrigatória. Para o seu próprio bem. Nós cuidaremos da assinatura com a Apex."
Ele queria que eu pedisse desculpas. Ele realmente ficou ali, depois de arrancar o trabalho da minha vida de mim, e esperava que eu implorasse.
Meu olhar se desviou de seu rosto, um rosto que eu amei por uma década, para o canto de sua mesa. E foi quando eu vi. Escondido atrás de seu monitor, quase fora de vista, estava um tubo de batom caro, vermelho vivo.
Eu o reconheci imediatamente. Era o mesmo tom que Karina estava usando agora. O mesmo tom que eu tinha visto manchado no colarinho da camisa do Caio na semana passada, que ele culpou em um abraço desajeitado de uma cliente.
As peças do quebra-cabeça, aquelas que eu vinha ignorando deliberadamente por meses, se encaixaram com uma clareza nauseante. As noites tardias, os 'jantares de negócios', sua súbita obsessão pelo celular.
Era tudo mentira. Tudo.
Uma risada amarga e histérica borbulhou do meu peito. O absurdo de tudo aquilo era sufocante. Dez anos de amor e trabalho, apagados por um caso barato e um tubo de batom.
Não havia mais nada a dizer. O homem que eu conhecia se foi, substituído por este estranho de olhos vazios.
Endireitei os ombros, o choque se cristalizando em uma determinação fria e dura.
"Você está certo, Caio", eu disse, minha voz calma e clara. "Eu estou indo embora."
Olhei de seu rosto atordoado para o de Karina, presunçoso.
"Mas você está enganado sobre uma coisa. Isso não é uma licença. É uma compra da minha parte. Você vai me pagar minha parte inteira da empresa, avaliada pelo preço pós-financiamento da Apex."
Dei um passo mais perto, minha voz baixando para um sussurro que ele não podia ignorar. "Você tem vinte e quatro horas para transferir o dinheiro, ou meu advogado entrará em contato. E a propósito, a propriedade intelectual do algoritmo principal? Está patenteada. Apenas no meu nome."
Observei a cor sumir de seu rosto. O sorriso presunçoso de Karina vacilou.
"Divirta-se fechando esse acordo sem o produto", eu disse, virando as costas para eles.
Saí do escritório dele, da ala executiva, e não olhei para trás.
A primeira coisa que fiz quando saí foi pegar meu celular. Meus dedos voaram pela tela, discando um número que eu nunca pensei que ligaria.
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