
A Vida com meu irmão
Capítulo 2
Acordo no outro dia com dor no corpo todo por ter dormido de mal jeito, com o notebook em cima de mim, antes de qualquer coisa, dou os toques finais e finalizo o anúncio, tomo meu banho e como meio pacote de biscoito com leite.
Duas horas depois estou na porta do hospital esperando iniciar o horário de visitas e já recebi cinco respostas sobre o anúncio pela casa, mais tarde passarei no mercado pra saber se o senhor Martim teria como me recontratar, e a partir daí, começo a procurar algum lugar pra ficar.
Minha mãe não estava acordada quando entro no quarto, eu me sinto meio mal mas fico aliviada. Não quero desculpas e não tenho forças para continuar fingindo que eu entendo. Eu não quero ser mais a mãe da minha mãe. Passo boa tarde do dia ali, sentada ao seu lado, ela vem e vai na consciência, os remédios sedativos devem ser fortes, isso me poupa da conversa então me sinto grata.
Depois de finalizar tudo com o hospital para a internação que vai acontecer no próximo dia, vou pra casa, tenho um encontro com três pessoas interessadas na casa. Quem acaba ficando com o aluguel é um casal super simpático que é recém casado.
Meu próximo passo, emprego. Estou sentada de frente ao senhor Martim enquanto ele termina uma ligação, e orando em silêncio para que ele precise de alguém aqui no mercado. Essa é minha única esperança, trabalhei pra ele por algum tempo e fui uma boa funcionária, nunca chegava atrasada e sempre saia mais tarde do que era necessário, lembro dele ter ficado triste quando eu tive que sair pra cuidar da minha mãe em tempo integral.
“Sarah, fico feliz que gostaria de voltar a fazer parte da nossa equipe, mas infelizmente a vaga que tenho é pra reabastecer as prateleiras é apenas meio horário e o salário não é tão alto.”
“Tudo bem senhor Martim, o que você tiver, eu aceito.” Espero não estar parecendo muito desesperada, porque essa é a minha única solução.
“Bom, o trabalho de reposição é meio horário então você vem das doze horas às quatro horas da tarde, e tira quinze minutos para intervalo. Você pode começar amanhã mesmo.”
“Senhor Martim, eu agradeço imensamente a oportunidade mas teria como começar daqui a dois dias? Amanhã e a internação da minha mãe, eu realmente preciso estar lá, ela não tem mais ninguém. “
“Claro, está tudo bem.” ele diz enquanto pega os papéis do contrato pra que eu assine.
Agradeço mais uma vez, trocamos um aperto de mão e vou caminhando pra porta quando tenho uma idéia:
“Senhor Martim o quarto nos fundos ainda está disponível?”
“Sim” ele pergunta desconfiado “Mas aquele quarto não está em bom estado, vive cheio de ratos ali dentro e houve uma infiltração por causa da chuva que causou mofo e por isso o cheiro é bem forte. “
“Por favor, senhor Martim, você poderia me deixar ficar lá? É só por um tempo. Só até que eu consiga algum lugar, eu posso fazer uma limpeza, coloco um veneno aqui e ali por causa dos ratos e tudo vai dar certo. Por favor?” digo quase implorando, não me importaria de implorar, precisava mesmo daquele quarto ou ia acabar dormindo na rua.
“Sempre me ganha quando faz essa cara. Se você acha que dá conta, pode mas tem que ser temporário, se alguém souber que deixei uma garota morar lá, pode me trazer problemas, espero que entenda!” ele diz e abre uma gaveta de onde tira uma chave e me entrega.
“ Muito obrigada mesmo Martim..”
“Você sempre foi uma boa garota Saanvi, você merece algo melhor, queria poder ajudar mais.
Obrigada, muito obrigada. Você se importa que eu vá até lá olhar? “
“Não me importo, mas não acho que tenha como fazer grandes melhorias, porém é seu, só me prometa que vai atrás de algo melhor.” “Sim, eu prometo.”
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