
A Traição no Campus da Herdeira Oculta
Capítulo 2
Ponto de Vista de Elara Zamora:
Heitor ficou parado ali, olhando para o meu rosto, uma carranca confusa franzindo suas sobrancelhas. A chuva havia removido meu disfarce cuidadoso, deixando minhas verdadeiras feições expostas. Eu me senti nua, vulnerável. Ele olhou para as manchas de rímel, as linhas borradas da minha maquiagem desbotada.
"O que é isso?", ele perguntou, a voz áspera. "Algum tipo de... maquiagem dramática?" Ele realmente riu, um som curto e desdenhoso. Foi como uma ferida nova.
Eu queria gritar. Queria contar tudo a ele. Queria que ele me visse, me visse de verdade. Eu já tinha tentado, antes. Lembro-me de uma noite, pensei em mostrar a ele uma foto do meu eu verdadeiro, aquele que o mundo conhecia antes de eu fugir. Mas Karina ligou, uma crise de pânico, e ele saiu correndo, me deixando sozinha com meus planos esquecidos e uma sensação de afundamento.
Ele sempre a escolhia. Sempre.
"Você me ama, Heitor?", perguntei, as palavras quietas e firmes, embora meu interior estivesse tremendo. Era isso. A pergunta final.
Ele pareceu surpreso. Então sorriu, aquele sorriso fácil e charmoso que costumava me derreter. "Claro que me importo com você, Elara", disse ele, como se fosse óbvio. "Você é importante para mim." Importante. Não amada. As palavras pairaram no ar, frias e vazias.
Um arrepio percorreu meu corpo, começando no meu coração e se espalhando até as pontas dos meus dedos. Meu amor, meu amor desesperado e tolo, tinha sido uma ferramenta. Um escudo para sua preciosa Karina. Toda a dor, todo o medo, foi por nada. Eu me senti morta por dentro.
Consegui um sorriso fino e frágil. "Então terminamos." Minha voz estava surpreendentemente forte. "Não posso estar em um relacionamento onde sou apenas 'importante'."
Ele me encarou, o queixo caindo uma fração. "Terminamos? Do que você está falando?"
Eu não respondi. Não olhei para trás. Apenas me virei e fui embora, deixando-o parado na chuva. Assim que fiquei sozinha no meu quarto, as lágrimas finalmente vieram, quentes e furiosas, uma torrente de toda a dor que eu havia guardado.
No dia seguinte, pintei meu rosto de volta ao comum, embora minhas mãos tremessem. Eu tinha que terminar minhas provas. Quando a última acabou, saí do corredor e me deparei com uma comoção estranha. Um grupo de estudantes estava de joelhos. Eram os que me intimidaram por estar com Heitor. Ele estava de pé sobre eles, irradiando poder.
Ele me viu e se aproximou, uma mão possessiva em meu braço. "Eles não vão mais te incomodar", anunciou ele, uma satisfação áspera em sua voz. "Eu os fiz pagar."
Meu sangue gelou. "E por que você fez isso?", perguntei, puxando meu braço. "Você não fez isso antes, quando eles realmente me machucaram."
Ele parecia genuinamente perplexo. "O que você quer dizer?", ele perguntou, como se minha dor fosse um conceito abstrato. Lembrei-me de sua fúria quando Karina estava chateada, sua calma indiferença ao meu próprio sofrimento. Ele só se importava com seu próprio senso de justiça, sua própria necessidade de proteger.
"Você só se importa com você mesmo", eu disse, minha voz monótona.
Seus amigos, que apareceram de repente, começaram a intervir. "Elara, não seja ingrata", um deles zombou. "Heitor acabou de te vingar." Outros estudantes murmuraram em concordância. "Ele é um cara legal, você deveria apreciá-lo."
"Ingrata?" Apertei minhas mãos até que minhas unhas cravassem em minhas palmas. "É porque não sou bonita o suficiente? Não sou rica o suficiente? É por isso que você acha que não mereço um relacionamento igualitário?" Minha voz falhou com a raiva reprimida. "Não vou aceitar um amor que não seja real. Não vou aceitar ser um peão."
Virei-me, pronta para sair, mas ele me alcançou. "Elara, espere!"
Então, uma nova voz cortou o ar. "Heitor! Minha festa começa em breve. Você vem?" Karina. Ela estava lá, linda e frágil, um farol.
Eu parei. Outra cena constrangedora era a última coisa que eu precisava. Talvez ir à festa dela apenas tornasse mais fácil para ele me esquecer. Concordei em ir. Apenas para desaparecer, uma última vez.
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