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Capa do romance A Traição Dele, o Coração Despedaçado Dela

A Traição Dele, o Coração Despedaçado Dela

Após sacrificar sua carreira de bailarina para salvar Ricardo, a protagonista vê sua vida desmoronar. O marido entrega o coração destinado ao transplante de sua irmã, Júlia, a troco de negócios, causando a morte dela. No confronto, uma agressão resulta na perda do filho que ela esperava. Sem família e traída, ela jura vingança e desaparece. Meses depois, Ricardo ressurge implorando perdão, mas ela é implacável: não há redenção para quem destruiu tudo.
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Capítulo 2

Ponto de Vista: Helena

Bruna estava no chão, soluçando dramaticamente, a mão pressionada na bochecha, mas seus olhos, arregalados e venenosos, estavam fixos em mim. "Como você ousa! Você me agrediu! Vou mandar te prender!" ela gritou, sua voz ecoando no corredor deserto. "Só porque sua vida está desmoronando, você acha que pode atacar pessoas inocentes?"

"Inocentes?" cuspi, tremendo com uma raiva que sacudiu todo o meu corpo. "Você é tudo, menos inocente! Você condenou minha irmã à morte por um 'acordo de negócios'!"

Antes que eu pudesse dizer outra palavra, uma mão pesada pousou em meu ombro, me virando. Era Ricardo, seu rosto contorcido de fúria, seus olhos em chamas. Ele me empurrou com força, me fazendo tropeçar para trás, minha cabeça batendo contra a parede fria e dura. Uma dor aguda e ofuscante explodiu atrás dos meus olhos e, por um momento, o mundo se dissolveu em um caleidoscópio de luzes piscantes.

Eu ofeguei, agarrando minha cabeça, uma onda de náusea me invadindo. Vermelho. Havia vermelho na minha mão quando a afastei. Sangue. Minha visão turvou e me senti tonta, desorientada.

"Helena, que diabos há de errado com você?" Ricardo rugiu, sua voz carregada de nojo. "Bater na Bruna? Você enlouqueceu completamente? Ela estava tentando te ajudar!"

"Ajudar?" grasnei, a palavra uma piada amarga. Minha cabeça latejava, uma batida implacável de dor. "Ela estava se gabando! Ela me disse que era um acordo de negócios! Ela roubou o coração da Júlia por um acordo de negócios!"

Bruna, ainda choramingando no chão, conseguiu se sentar, seu olhar alternando entre Ricardo e eu, um brilho astuto em seus olhos. "Ela está mentindo, Ricardo," ela sussurrou, sua voz trêmula. "Ela só está tentando te virar contra mim. Ela sempre teve ciúmes."

Ricardo olhou para mim, seus olhos se estreitando em suspeita. "Ciúmes? De quê, Helena? Da preocupação dela com meus parceiros de negócios? Ou você está apenas com raiva por não poder mais controlar tudo?"

"Minha irmã está morrendo, Ricardo!" gritei, as palavras rasgando minha garganta crua. "Ela precisa daquele coração! Minha mãe, nossa mãe, arranjou! Foi uma doação direcionada! Uma combinação perfeita! Como você pôde deixá-los levá-lo?"

Ele jogou as mãos para o ar em exasperação. "Helena, eu já te disse! Foi um mal-entendido! O primo da Bruna estava em estado crítico, uma emergência de última hora. O que eu deveria fazer? Deixá-lo morrer?"

"O primo dela?" Eu ri, um som áspero e quebrado que machucou minha cabeça dolorida. "Ela acabou de admitir que não era para o primo dela! Foi um acordo de negócios, seu tolo! Um jogo de poder!"

Bruna soltou outro pequeno soluço. "Ricardo, por favor, não dê ouvidos a ela. Ela está desequilibrada. Ela sempre me odiou."

Ele ignorou Bruna, seu olhar fixo em mim, frio e implacável. "Sabe de uma coisa, Helena? Você mudou. Você costumava ser tão doce, tão compreensiva. Agora você é apenas uma megera amarga e vingativa. Não é à toa que sua mãe sempre se preocupou tanto com você."

Suas palavras perfuraram a dor, cortando mais fundo do que qualquer golpe físico. Minha mãe. Ele ousava falar dela, de suas preocupações, como se soubesse algo sobre seu amor, sobre seus sacrifícios. Eu cambaleei para frente, passando por ele, determinada a chegar ao quarto de Júlia, a vê-la uma última vez antes que fosse tarde demais.

Mas Bruna, sempre atenta, levantou-se e bloqueou meu caminho. "Ah, não, você não vai. Você não vai causar mais problemas. Os médicos já têm o suficiente com que lidar." Ela colocou as mãos no meu peito, me empurrando para trás. "Pense na Júlia, Helena. Você quer que os últimos momentos dela sejam preenchidos com suas acusações feias?"

"Não se atreva a pronunciar o nome dela!" gritei, minha voz mal um sussurro, grossa de lágrimas e do gosto metálico amargo de sangue na minha boca. "Você não tem o direito de usar a Júlia para me manipular! Aquele coração era a última chance dela! Minha mãe arranjou. Minha mãe, que nos amava mais do que tudo, desistiu de sua própria chance de vida para garantir isso para a Júlia!"

Tropecei novamente, minha prótese cedendo sob o tremor súbito que percorreu meu corpo. Caí de joelhos, sem fôlego, meu lado queimando com uma dor intensa e agonizante. Agarrei meu estômago, um pensamento horrível florescendo em minha mente. Não. Isso não. Agora não.

Ricardo, vendo meu sofrimento, parou, um lampejo de preocupação cruzando seu rosto. Mas foi rapidamente substituído por irritação. "Helena, pare com essa farsa. Levante-se. Você está fazendo uma cena."

"Não vou sair até ver a Júlia," ofeguei, as palavras quase inaudíveis. "E você, seu monstro, vai se arrepender disso. Eu juro, você vai se arrepender disso pelo resto da sua vida."

"Arrepender do quê?" ele zombou, sua paciência claramente no fim. "De ser leal aos meus parceiros de negócios? De salvar uma vida que não era 'sua' para salvar? Você está sendo dramática, Helena. Como sempre."

"Você quer drama?" sibilei, forçando-me a olhá-lo nos olhos, apesar da dor embaçando minha visão. "Você quer drama? Tudo bem. Espero que aproveite sua nova vida, Ricardo. Porque você e eu acabamos. De verdade. Estou me divorciando de você. E vou levar tudo o que é meu."

Seu rosto ficou branco. "Você não pode estar falando sério."

"Ah, estou falando sério," sussurrei, uma determinação arrepiante se solidificando em meu coração. "Mais séria do que nunca. Você tirou a vida da minha irmã. Você tirou o último presente da minha mãe. Agora estou pegando a minha de volta."

Antes que ele pudesse responder, a dor insuportável em meu abdômen se intensificou, uma cãibra aguda e lancinante que me dobrou. Gritei, um som cru, animal, agarrando meu estômago com as duas mãos. Minha cabeça girou e minha visão afunilou.

Ricardo, seu rosto ainda pálido com minha declaração, recuou um pouco, um lampejo de alarme genuíno em seus olhos. "Helena, o que foi?" ele exigiu, dando um passo hesitante para frente.

Mas eu estava além da fala. Meu corpo estava atormentado pela agonia, um calor aterrorizante se espalhando entre minhas pernas. O sangue. Havia mais sangue. Um terror gelado me dominou, mais frio que qualquer ódio.

"O que há de errado com ela?" Bruna choramingou, sua voz tingida de impaciência mal disfarçada. "Ela é sempre tão dramática. Apenas a ignore, Ricardo. Temos coisas mais importantes a fazer."

Ricardo hesitou, olhando entre mim e Bruna. Por um momento, um fragmento do antigo Ricardo, aquele que ocasionalmente mostrava preocupação, pareceu surgir. Mas foi passageiro. Seu olhar endureceu novamente.

"Helena, se você está tentando me manipular com alguma cena elaborada, não vai funcionar," ele avisou, sua voz fria. "Esta é sua última chance. Vá para casa. Agora. Ou não espere que eu vá te procurar quando você perceber que cometeu um erro terrível."

Minha respiração falhou. Ele achava que eu estava fingindo. Ele achava que eu estava fingindo essa dor excruciante, esse calor úmido e aterrorizante se espalhando sob mim. Ele achava que eu manipularia a morte do meu filho.

"Erro?" engasguei, uma risada amarga borbulhando através da minha dor. "O único erro que cometi foi te amar. E agora, estou pagando por isso. Todos nós estamos."

Fechei os olhos, a dor sobrepujando tudo. Eu podia ouvir os passos de Ricardo se afastando, a risadinha triunfante de Bruna, o zumbido distante da maquinaria do hospital. Um pavor frio se instalou sobre mim, uma premonição de perda irreversível. Não era apenas a Júlia que eu estava perdendo. Era tudo.

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