
A Traição Dele, A Vingança Bilionária Dela
Capítulo 3
O chão tremeu sob meus pés. A tigela de sopa se estilhaçou. O lustre acima de nós balançou descontroladamente, ameaçando se soltar do teto.
Caio não hesitou. Ele agarrou Camila, puxando-a para perto, protegendo-a com seu corpo. Ele pressionou a cabeça dela contra seu peito.
Eu fiquei sozinha. Instável. Invisível. Assim como quando estive no túmulo dos meus pais. Ele também não estava lá naquela época.
O tremor parou tão abruptamente quanto começou.
"Camila, você se machucou? Você está bem?" Sua voz estava carregada de preocupação. Suas mãos percorriam o corpo dela, procurando por ferimentos.
Ela se agarrou a ele, choramingando. "Acho que estou bem."
Então, quase como um pensamento tardio, Caio se virou para mim. "Helena? Você está... bem?" Seus olhos mal me registraram.
"Foi apenas instinto, Helena. A Camila está na minha equipe. Minha responsabilidade." Ele não ofereceu desculpas. Apenas justificativa.
"Você não está na minha equipe, Helena. Você apenas... mora aqui." Ele deu de ombros. Era uma explicação, não uma desculpa.
Eu não disse nada. Meus olhos pareciam vazios. Meu rosto, eu sabia, era uma máscara.
Movi-me em direção ao vidro quebrado. Peguei um caco, examinando sua borda irregular. Vi meu reflexo ali. Distorcido.
Então veio o lamento. A sirene de ataque aéreo da cidade. Um grito gutural que ecoou pelas ruas.
O comunicador de Caio berrou. "Bastos, se apresente! Desastre na usina química! Todas as unidades, em posição!"
Ele já estava se movendo. Pegou seu equipamento, o rosto sombrio. "Camila, fique segura. Mantenha a cabeça baixa."
"Eu vou com você." Minha voz era firme. Inabalável.
Ele parou, olhando para mim enquanto eu me levantava do chão. Meus movimentos eram fluidos. Sem esforço. Apesar do tremor, apesar do vidro quebrado, eu me movia com uma graça que ele nunca tinha visto.
Ele zombou. "Não seja ridícula, Helena. Você só vai atrapalhar. Este não é o seu mundo."
"É agora." Meus olhos encontraram os dele. Não havia suavidade ali. Nenhuma docilidade.
Camila, sempre a estrategista, colocou a mão no braço de Caio. "Talvez ela possa ajudar, Caio. Precisamos de toda a ajuda possível." Ela me deu um sorriso forçado e apertado.
Ele hesitou, depois assentiu com relutância. "Tudo bem. Mas fique atrás de mim. Não toque em nada."
A zona do desastre era o caos. Metal retorcido. Fumaça. O cheiro acre de produtos químicos queimava minhas narinas. Corpos espalhados.
Camila ofegou, a mão voando para a boca. Ela balançou. A brutalidade crua de tudo aquilo era demais para ela.
Ela tropeçou para a frente, enterrando o rosto no peito de Caio. Ele a abraçou, confortando-a. "Está tudo bem, Cami. Apenas respire."
Ele olhou por cima do ombro dela, seus olhos encontrando os meus. "Viu, Helena? Este não é o seu lugar. Você é frágil demais para isso."
Eu não respondi. Não vacilei. Apenas me movi.
Movi-me pelos destroços. Minhas mãos, antes acostumadas a sovar massa, agora levantavam escombros. Meus olhos, antes lendo receitas, agora localizavam sobreviventes. Trabalhei com uma eficiência silenciosa. Eu fui treinada para isso. Não em uma cozinha macia, mas em campos de batalha reais. Meu pai havia garantido isso, muito antes de Caio.
"Ela leva jeito", ouvi um paramédico dizer a um bombeiro. "Raciocínio rápido."
Camila me observava. Seus olhos se estreitaram. Um brilho agudo de ressentimento.
Ela se aproximou, estendendo uma garrafa de água. "Aqui, Helena. Você parece com sede." Sua voz era enjoativamente doce.
Eu a ignorei. Meu foco estava em uma criança presa. Os choros da criança eram fracos.
"Helena!" A voz dela agora era aguda. Impaciente.
Eu não me virei. Minhas mãos já estavam cavando. Rápido.
Seu suspiro furioso foi alto. Senti a água fria atingir minhas costas. Encharcou minha camisa.
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