
A Suprema Traição do Meu Noivo
Capítulo 2
No segundo em que recusei, uma calma estranha tomou conta de Caio. Seus ombros relaxaram visivelmente, como se um grande fardo tivesse sido tirado. A performance havia acabado. Seu sorriso forçado desapareceu, substituído por uma carranca de lábios apertados.
"Tudo bem", ele murmurou, a voz afiada. "Se você não vai fazer, eu faço."
Ele bufou, digitando furiosamente em seu celular. Ele postou algo, depois virou a tela ligeiramente em minha direção. Era a foto que ele acabara de tirar, mas meu rosto agora era um borrão deliberado, uma mancha irreconhecível ao lado de seu perfil perfeitamente composto. A legenda dizia: "Às vezes, lealdade significa estar ao lado de quem realmente está com você. Pensando em você, Anitta D."
Uma risada sem humor escapou dos meus lábios. Ele era tão transparente, tão totalmente previsível.
Antes que eu pudesse processar, ele arrancou meu celular da mesa de cabeceira. Seus dedos voaram pela tela, abrindo meu aplicativo de mensagens.
"O que você está fazendo?", perguntei, minha voz mal um coaxar, mas ele me ignorou.
Ele encontrou o contato de Anitta. Meu sangue gelou, mas eu estava fraca demais, atordoada demais para me mover. Ele digitou rapidamente e apertou enviar.
"Pronto", disse ele, devolvendo-me o celular com uma expressão presunçosa. "Eu pedi desculpas por você. E disse a ela que faria sua massa favorita para o jantar hoje à noite. Ela teve um dia difícil."
Meus olhos percorreram a mensagem que ele enviou de mim para Anitta. 'Me desculpe pelo mal-entendido, Anitta. Espero que esteja se sentindo melhor. O Caio vai fazer seu prato favorito hoje à noite, você deveria vir!'
Uma notificação apareceu imediatamente. A resposta de Anitta: 'Ah, Clarissa! Você é um doce. E Caio, você é o melhor! Mal posso esperar! Beijos'
Caio sorriu, claramente satisfeito consigo mesmo. Ele e Anitta trocaram uma enxurrada de mensagens, brincadeiras espirituosas e piadas internas, tudo através do meu celular. Eu os observei, dois estranhos conversando, como se eu nem estivesse no quarto, como se meu celular não fosse uma parte do meu corpo. Isso destacou o quão totalmente insignificante eu havia me tornado em minha própria vida.
Ninguém considerou meus sentimentos. Ninguém perguntou se eu queria me desculpar. Ninguém se importou que eu ainda estava fraca, ainda sangrando, ainda me recuperando da curetagem. Meu corpo doía, uma pontada surda e constante no meu abdômen. Era um lembrete físico do que ele havia roubado de mim, de nós.
Uma enfermeira entrou no quarto, sua expressão séria. "Sr. Stephenson, os papéis da alta estão prontos. Mas a Sra. Joyce ainda está bastante debilitada. Recomendamos mais uma noite de observação."
Caio a dispensou com um aceno. "Besteira. Ela está bem. Só precisa descansar em casa." Ele foi até o balcão, já assinando os papéis. "Honestamente, o custo desta estadia é astronômico. Pelo que exatamente vocês estão cobrando?"
Ele zombou, folheando a conta. "Isso é ridículo. A Anitta fez um pequeno procedimento ambulatorial no mês passado, e foi uma fração disso." Ele balançou a cabeça, resmungando baixinho. "Tudo isso por uma simples curetagem."
As palavras me atingiram como um golpe físico. Uma simples curetagem. Minha respiração ficou presa na garganta. Eu o encarei, meu coração batendo com uma mistura de choque e incredulidade total.
Peguei minha bolsa, minha mão tremendo levemente. Tirei meu cartão de crédito. "Eu pago", eu disse, minha voz rouca.
A enfermeira, uma mulher gentil de olhos suaves, olhou para mim com simpatia. Ela então se virou para Caio, sua voz tingida de raiva mal disfarçada. "Sr. Stephenson, sua noiva acabou de passar por um procedimento médico significativo. Ela precisa de cuidado, não de julgamento."
O rosto de Caio se contorceu em uma máscara de fúria. "E quem é você para me dizer sobre os cuidados da minha noiva? Fique fora dos nossos assuntos!", ele retrucou.
"Me desculpe, senhora", eu disse à enfermeira, forçando um sorriso fraco. "Ele só está estressado."
Caio agarrou meu braço, seu aperto forte e doloroso. "Vamos", ele rosnou, praticamente me arrastando para fora do quarto.
"Sra. Joyce, por favor, tenha cuidado!", a enfermeira gritou atrás de mim, sua voz cheia de preocupação genuína.
Enquanto caminhávamos pelo corredor estéril, o aperto de Caio nunca afrouxou. "O que foi aquilo?", ele sibilou, me puxando para um canto isolado perto dos elevadores. "Reclamando para estranhos agora? Me envergonhando na frente da equipe?"
Eu olhei para ele, meus olhos arregalados. "Eu não estava reclamando. Ela só estava preocupada."
Seu aperto se intensificou. "Preocupada? Ou você contou a ela alguma história triste sobre como eu 'forcei' você a fazer isso?" Seus olhos se estreitaram, a suspeita nublando suas profundezas.
"Eu não disse nada a ela, Caio. Não é assim."
"Então como é, Clarissa? Você está com raiva de mim?" Sua voz estava carregada de uma calma perturbadora, um aviso. "Porque sou eu quem tem cuidado de tudo. Sou eu quem está sob toda a pressão."
Eu suspirei, meu corpo pesado de exaustão. "Não, Caio. Não estou com raiva." A mentira tinha gosto de bile.
Seu rosto permaneceu sombrio, insatisfeito. "Tudo bem." Ele virou nos calcanhares e se afastou.
Tentei acompanhá-lo, mas minhas pernas pareciam gelatina. Meu abdômen latejava a cada passo. Caio não olhou para trás. Ele apenas continuou andando, me deixando para trás.
Ele chegou à saída do hospital, seu carro parado na calçada. Ele entrou, o motor roncando. Eu estava quase lá, tropeçando, alcançando a maçaneta da porta do passageiro.
Então, sem aviso, o carro deu um solavanco para frente. Minha mão escorregou. Perdi o equilíbrio, meus pés se enrolando debaixo de mim.
Eu caí. Com força. Minha cabeça bateu no asfalto. Uma dor lancinante explodiu atrás dos meus olhos, e tudo ficou preto.
Através do zumbido em meus ouvidos, ouvi sua voz, distante e abafada. "Clarissa? Ah, pelo amor de Deus. Você vai ser sempre tão desastrada?"
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