
A Sombra de Um Rei
Capítulo 2
Dentro do mar, meu corpo encharcado e meus cabelos escorridos enquanto eu mantinha Merlia sentada sobre meus ombros. Os outros jogando água em mim, me fazendo praguejar enquanto eles riam.
Quando era criança, sempre quis mais irmãos da minha idade. Archie sempre estava ocupado, então na maioria das vezes eu tinha que me divertir sozinho. Quando conheci Artur, ganhei um melhor amigo. Alguém próximo da minha idade para falar das mesmas coisas e correr por ai.
Quatro anos em Midorina nos tornou dois jovens bem unidos, comos carne e unha. E estava ansioso para a próxima aventura que vamos nos meter, quando voltar para a capital real.
— Vamos, vamos... Hora de irmos! Vou devolver vocês para o verdadeiro dono!
— Ah não!_ Gideon praguejou revoltado com a ideia de voltar. Fechando o cenho e fazendo bico.
Angie, a filha do meio de Dylan, bufou, deixando os braços cairem moles ao lado do corpo. Ela era uma pequena Helena, com seus cabelos ondulados e ruivos e olhos azuis, acinzentados como os de Dylan.
— Porque você não pode simplesmente voltar sozinho e deixar a gente aqui?_ León caminhou ao meu lado, chutando a água.
— Seu pai me mata se eu fizer isso!
— Sabe, acho que deveríamos pedir ao papai para deixar a gente ir visitar o tio Lucien!_ Dara se juntou ao meu lado, com seus cabelos escorridos e suas roupas molhadas.
— SIM! PADRINHO LUCIEN!_ Merlia vibrou sentada em meus ombros com a ideia de ver o pirata.
Revirei os olhos enciumado. Ela esqueceria da minha existência no primeiro instante que cruzasse seus olhos com Lucien.
Olhei para Any sentada sozinha na praia, parecendo um pouco solitária. Me doía vê-la assim, mas eu não podia apenas ignorar as crianças. Olhando no rosto de cada um, percebi que Merlia não era a única com ciúmes, e se um desses desmiolados, simplismente resolver sair por ai porque está chateado, e sumir, eu sou mais do que um homem morto.
— Vocês deveriam falar com a tia Any. Ignora-la é uma atitude feia...
— Mary! Pare ja com isso, ou irei contar para a mamãe!_ Leon rosnou mostrando que ja tinha pulso de rei, quando Mary beliscou Elisa. Mas não adiantou muito, já que as duas começaram a brigar.
— Vamos! Vocês duas...parem já com isso!_ ordenei sério e elas pararam, torcendo a cara cada uma para um lado.
— Eu nem me lembro quando foi a última vez que papai deixou a gente visitar o tio Lucien no barco dele. _ Dara era uma boa garota, muito observadora e pacífica. _ Na verdade, já foi estranho ele ter deixado virmos sem ele ou a mamãe.
— Seu pai é um homem cuidadoso. Você não se lembra, era um bebê, mas nosso reino ja passou por muitos problemas. Quando eu tinha sua idade, o rei de Thalfry mandou homens se infiltrar em Dazzo para me sequestrar. Lembro que eu não entendia a gravidade da situação e saia por ai sem avisar. Seu pai, sempre muito preocupado e cuidadoso, vivia me repreendendo. Até o dia em que Artur e eu estavamos brincando na floresta perto do castelo, e tentaram me levar. Willy e Archie chegaram a tempo de nos proteger. Mas se não fosse por eles, provavelmente eu teria me machucado muito, ou estaria morto.
— Será que um dia eles nos deixará viajar pelos reinos como você e Artur?_ Leon perguntou e maneio a cabeça pensativo com a resposta.
— Bom...acho que cabe somente a ele responder.
Any se levantou ao nos ver se aproximar, batendo o vestido para retirar a areia seca de seu corpo. Beijei sua têmpora rapidamente, mas o protesto veio imediatamente e rápido.
— ECA!_ eles praguejaram e bufei.
Any corou, rindo por trás das mãos que escondiam seu rosto envergonhada por termos sido zombados de crianças. Acenei com a cabeça, e ela seguiu ao meu lado tranquila, olhando as inúmeras pestinhas correndo a nossa frente.
— Acho que só agora percebi que são bastante delas... _ Any comentou humorada, com um sorriso bonito contornando seus lábios. _ Você quer ter muitos filhos também?
Maneio a cabeça, imaginando a situação caótica de todas essas crianças reunidas. Os três de Dylan, sete do meu irmão – E pelo andar da carruagem esse número não seria mais o mesmo, para nenhum dos dois casais– Os quinze de Lucien... Bom, pelo menos eram quinze da última vez que o vi. Todas essas crianças reunidas deixaria qualquer adulto louco. Principalmente os monstrinhos de Lucien...
— Acho melhor decidir isso em outro momento! _ Sussurro com meus ombros ficando tensos só de pensar nisso.
— Tio Nicolas, estou com fome!_ Merlia sentada sobre meus ombros e segurando meu queixo, se debruça para me encarar.
— Certo! Certo! Uma pausa para comermos algo antes de voltar para casa.
***
Meu irmão mandou a maior carruagem para trazer todas essas crianças. Elas vieram todas espremidas lá dentro, e agora para voltar, tive que dividi-las. Como sempre, Merlia estava em meus braços dormindo pesadamente. Graças ao calor do dia, seus cabelos estavam pregados na testa e gotas de suor escorrendo por seu pescoço.
— Pobrezinha... Não sei como consegue dormir em um calor tão intenso assim. _ Any tombou a cabeça, compadecida com a situação de minha sobrinha.
— Cristalia é bem quente também, não é?_ Any concordou tranquila. Talvez fosse por isso que ela parecia bastante a vontade e confortável. _ Devemos visitar seus pais em breve. Garantir que eles fiquem tranquilos quanto ao nosso casamento. Sei que estive fugindo por muito tempo, mas acho que nos casamos na hora certa. Você me odiaria se tivesse se casado comigo aos meus 15 anos!
Ela riu estranhando minha afirmação, com suas sobrancelhas apertadas, e suas bochechas ficando vermelhas pelo calor.
— Eu tinha pavor de você. Meus irmãos diziam que você era feio como a peste!
Soltei uma risada nasal incrédula.
— Me diziam a mesma coisa a seu respeito. Que tinha verrugas, era velha, e corcunda...
Any cobriu a boca, abafando o riso tremendo acordar as crianças. Cada uma em um sono mais pesado que a outra. Não importava a posição, eles pareciam confortáveis o suficiente e cansados também – para meu alívio.
— Eu fico feliz que tudo não passou de uma brincadeira. Você é um homem muito bom, e bonito, gentil... Eu tive a sorte grande.
Sorri tranquilo e acenei em positiva.
— Eu também!
***
— Aqui! Esse é seu, essa aqui também..._ praguejo entregando duas crianças adormecidas nos braços de Dylan que apenas os jogou sobre os ombros como sacos de batatas. _ Está faltando um ...
Vasculhei o interior da carruagem e puxei pelos pés o terceiro, entregando para Helena.
— Você não parece ter se divertido muito..._ Dylan comentou humorado e revirei os olhos.
— E tem como se divertir quando Archie manda o exército infantil atrás de mim? _ resmungo e Helena riu sapeca.
— Eu acho que alguém se divertiu nessa história. E não foi você e a Any.
— Talvez seu irmão e Evelyn finalmente tiveram lua de mel. _ Dylan completou e torci a cara em desgosto.
— Defina: lua de mel! _ Praguejei apontando para o interior da carruagem onde meus sobrinhos ainda dormiam. _ Eles estão de lua de mel desde o dia em que resolveram trepar como se não houvesse amanhã!
— Hey! Olha a boca! _ Helena praguejou apontando com o queixo para as crianças. _ E sua esposa, onde está?
— Foi na outra carruagem com o restante das crianças. Eu juro que vou sumir por mais quatro anos.
— Bom, alteza, apenas deixe-me lembra-lo que suas viagens prolongadas e aventuras chegaram ao fim. É um homem casado agora. Como fica sua esposa nessa história? _ Dylan maneou a cabeça e estagnei.
Era como se a realidade apenas tivesse batido nesse exato instante com tais palavras. E o desespero de ver aquilo que eu mais gostava de fazer ir embora, começou a me preencher. Eu teria que falar com Any sobre isso.
Era a minha liberdade, ir e voltar quando eu quisesse sem me preocupar com mais nada. Quando em Dazzo, eu fazia tudo ao meu alcance para ser um príncipe exemplar, e ajudar meu irmão a cuidar do reino, além de ser a galinha dos pintinhos dele o tempo todo. E quando eu saia, eu era só um homem sendo livre, arrumando encrenca em tabernas ao lado de Artur.
— Ela pode ficar no castelo... Evelyn a faria companhia e..._ Sussurrei em um fio de voz e Helena soltou uma risada nasal.
— Sabe o que me parece, Nicolas? Que se casou as pressas por quê sua consciência pesou.
— Não acho que tenha sido a consciência..._ Dylan miou escondido, de olhos arregalados como se estivesse pensando sozinho. Helena o olhou abruptamente como se soubesse o que passava em sua mente e o chutou na canela.
— Mesmo que eu deteste concordar com esse duque idiota ... Também acho que foi movido por coisas carnais. Any é uma garota bonita, e adorável, e você andou aprendendo coisas com Lucien que eu duvido muito que ele tenha sido boa influência...
Concordo com os olhos levemente arregalados. Lucien não foi nem um pouco boa influência. Ele nos ensinou a lutar com espadas muito bem, mas também nos ensinou a roubar, a ser mais ágil em fugas, a correr em telhados... Acho que ele mais nos tornou ladrões de portos do que nos ensinou a ser dignos nessa vida.
— Bom...
— Nicolas, você adiantou um casamento que estava previsto para o final do mês para o dia seguinte. Você não se deu tempo de conhecer, Any. O que me faz pensar, que o casamento de vocês, não é muito diferente quando um homem procura uma puta de taberna...
Engoli em seco com as duras palavras de Helena. Ela me deu um peteleco na testa e me cobri ainda incrédulo.
— Mas não há forma de voltar atrás. Seja responsável e cuide bem de sua esposa!
— Sim! Eu farei isso..._ disse um pouco zangado. Aceno entrando na carruagem e Helena acena um adeus.
Eu deveria ter ouvido Evelyn, e usado a cabeça, não a merda do meu coração... Se isso for ele que ouvi... O que acho que seja um pouco mais a baixo. Merda! Eu não queria magoar Any, mas também não queria perder minha liberdade. E eu não tinha uma solução para isso...
___________________________________________
Lucien: " um filho homem para cada filha mulher do Archie, os outros para o restante das moças de Dazzo..." Kkkkkkkkk
Boa leitura!
❤️
Você pode gostar





