
A Segunda Chance da Luna Traída
Capítulo 3
PONTO DE VISTA DE ELIZA
Meu maxilar se contraiu enquanto saía da sala de reuniões. Meus saltos ecoavam no mármore como disparos de arma de fogo. A fúria vibrava sob minha pele, pulsando através das minhas veias em ondas.
Aquilo não podia ser real.
Derek não queria apenas terminar nosso casamento - ele queria me tornar sua amante. Sua amante. Como se eu fosse uma amante descartada que devesse ser grata por migalhas.
Minha loba já se agitava dentro de mim, lábios curvados em um rosnado silencioso. Ela queria sangue. Ela queria Maya destroçada por sua arrogância, e Derek-meu companheiro, meu marido-por sua traição.
Mas eu a reprimi.
Agora não era hora de fúria. Não seria justiça - eles a transformariam em loucura. Arrogância. Traição. E me matariam por isso.
Mordi o lábio com força, sentindo a picada enquanto a pele se partia e o sangue se acumulava. Metálico. Agudo. Precisava manter o foco.
Fui furiosa pelo corredor, os olhos fixos na porta dourada à frente - o quarto de Diana. A única nessa casa que algum dia me havia tratado como família.Ou pelo menos eu achava assim.
Levantei a mão e bati, como sempre fazia.
"Entre," veio a voz fraca e cansada.
Entrei.
O quarto estava tão impecável quanto sempre - paredes brancas ornamentadas com filigrana dourada, uma ilusão etérea de paz. Mas nenhuma quantidade de beleza conseguia esconder a verdade. O bipe das máquinas preenchia o ar, e Diana estava deitada sob lençóis pálidos, a pele ainda mais pálida, os dedos esqueléticos enrolados fracamente nas cobertas. Tubos serpenteavam pelos braços. A respiração vinha rasa e laboriosa.
Ela costumava brilhar. Olhos vivos. Uma risada que enchia os corredores. Mas aquilo havia morrido com o companheiro dela.
O câncer levou o resto.
Os médicos lhe haviam dado um ano. Isso foi quase doze meses atrás.
Não enquanto eu pudesse fazer algo.
O Dr. Ardan Holt estava ao lado dela, verificando os sinais vitais com a precisão de um soldado. É o curandeiro mais renomado do Reino Lycan. Inalcançável - até eu torná-lo alcançável.
Ser Luna havia aberto portas. Portas que eu havia forçado a abrir para salvar a vida dela.
Ele ergueu os olhos quando me aproximei. A enfermeira também.
Ambos acenaram com respeito. Retribuí o gesto e então sinalizei para que nos deixassem a sós.
Obedeceram, recuando em silêncio. A porta fechou com um clique atrás deles.
Soltei o ar lentamente e me virei para encarar Diana. Os olhos dela encontraram os meus instantaneamente, um lampejo de calor cruzando as feições pálidas.
Ela sorriu.
Mesmo agora - quando eu sentia que estava sendo despedaçada por dentro - ela sorriu.
Forcei um sorriso de volta. Sentei ao lado da cama. A mão dela alcançou a minha, os dedos frágeis se enrolando nos meus sem hesitar. Como sempre.
"Como está se sentindo hoje?" perguntei gentilmente, embora as palavras parecessem estranhas na minha boca.
"Um pouco melhor," ela respondeu. "O Dr. Ardan me deu algo novo. Já está fazendo maravilhas."
"Fico feliz em ouvir isso," disse, as palavras mal audíveis sobre o estático que se acumulava na minha cabeça.
Ela soltou uma risada suave, tentando se sentar. A ajudei a se ajustar.
"E tenho certeza de que essa não é a única boa notícia que você teve hoje," ela acrescentou, a voz suave mas ansiosa. "O Derek voltou."
Quase revirei os olhos. Claro que ela não sabia.
"Eu sei," murmurei. "Eu o vi."
O rosto dela iluminou como o de uma menina ouvindo um conto de fadas. Os dedos se apertaram nos meus.
"Que maravilha! Finalmente, vocês dois podem estar juntos de novo. Você terá o apoio dele. Você fez tanto sozinha - agora pode finalmente descansar."
Abri a boca para falar, mas ela me interrompeu.
"Desde que Derek foi para a guerra, você carregou a alcateia sozinha. Depois da sua perda também - foi um caminho solitário, Eliza. Você manteve tudo unido. Graças à Deusa pela alcateia. Se eles não tivessem estado lá."
A voz dela foi sumindo, mas a implicação permaneceu.
Minha mão escorregou da dela.
Ela piscou para mim, surpresa.
Ela nunca tinha falado comigo assim antes. Como se eu fosse frágil. Como se eu não pudesse sobreviver sem o Derek.
"Você sabe o que o Derek me disse hoje?" Minha voz era suave. Letal. "Você sabe que ele trouxe outra mulher para casa? Para fazer dela sua esposa. Para fazer dela Luna."
Observei cuidadosamente o rosto dela.
E eu vi. A hesitação. A culpa. O jeito que seus olhos se abaixaram.
O silêncio era alto o suficiente para me esmagar.
Ela já sabia.
Observei o jeito que os lábios dela se curvaram para baixo, como ela desviou o olhar-como se seus olhos não conseguissem encontrar os meus. Confirmação. Fria e devastadora.
Diana não disse uma palavra. O silêncio entre nós se intensificou, estendendo-se como uma lâmina suspensa no ar.
Quando ficou claro que ela não ia falar, quebrei o silêncio eu mesma, cada palavra pesada e cortante.
"Então é verdade," eu disse. "Você já sabia. Você já aceitou a Maya como esposa do Derek. Como a Luna. É isso? Você acha que ela é melhor do que eu?"
Minha voz não vacilou. Precisava ouvir - da boca dela. Precisava saber por que ela deixou isso apodrecer em silêncio enquanto eu ficava ao lado dela, leal através de cada tempestade.
Diana baixou a cabeça, e finalmente falou.
"Não importa o que eu acho," ela disse, a voz quase um sussurro. "Derek e Maya fizeram tanto no campo de batalha. O rei aprovou tudo. Minha opinião... já não tem mais peso."
Soltei um suspiro agudo-uma risada sem humor. Me virei para ir embora, mas sua mão frágil alcançou a minha.
"Eliza, por favor," ela disse. "Você tem que entender. O que eles fizeram-salvou essa alcateia. Nos deu um futuro. Separá-los agora seria visto como tolice. A alcateia já está do lado deles."
Ela me olhou com olhos cheios de súplica. "Fique. Mesmo que as coisas com o Derek não possam ser consertadas, você pode ficar. Eu posso te adotar. Fazer de você minha filha no nome. Você ainda pode ajudar a liderar a alcateia. Ainda ser Luna. É melhor do que ser apenas amante dele, não é?"
Suas palavras eram um veneno envolto em seda.
Eu a encarei. Lentamente, friamente.
Então ela já sabia. E não apenas não havia dito nada-ela estava apoiando isso. Ela queria que eu entregasse o título. Que sorrisse enquanto era despojada de tudo pelo que havia sangrado. Que os ajudasse a manter o controle, só não como esposa dele.
Uma careta se instalou no meu rosto como aço.
Me levantei devagar, arrastando minha mão da dela.
"Todo esse tempo," disse, minha voz tensa, "você só me manteve por perto por causa do que eu trouxe para essa alcateia. A riqueza. As alianças. Era tudo que eu sempre fui para você."
O rosto de Diana se contraiu. "Isso não é verdade."
"Cansei de fingir," retruquei. "Você nunca se importou. Você só precisava de alguém para proteger a reputação do seu filho. Alguém para manter a casa unida enquanto ele fugia para a guerra - e voltava com outra mulher no braço."
"Eliza-"
"Não", interrompi. "Derek não aprendeu traição no campo de batalha. Ele aprendeu aqui. Com você."
Virei as costas para ela.
Atrás de mim, ouvi movimento. Cobertores se mexendo. Então a voz dela, aguda e frágil.
"Agora escute aqui. Não vou permitir que você me insulte ou ao meu filho. Eu não-"
As palavras dela se dissolveram em tosse-violenta, cortante. Me virei, observei enquanto o corpo dela se encolhia, as mãos agarrando a garganta.
Antes, eu teria entrado em pânico. Chamado por ajuda. Segurado sua mão.
Mas agora, não.
Ela estendeu a mão para mim, os olhos marejados, a boca se abrindo em um pedido silencioso.
Eu apenas olhei.
Depois dei de ombros.
"Você vai ficar bem," disse coma voz fria e dura. "Sua nova família vai cuidar de você. Espero que trair minha confiança tenha valido a pena."
Os olhos dela se arregalaram, em um choque de pura compreensão.
Ela tinha me perdido.
Virei as costas e saí, deixando-a sozinha com as máquinas e seu arrependimento.
Eu não sabia o que faria a seguir.
Mas de uma coisa eu tinha certeza: não ficaria ali sendo tratada como um nada.
Eles queriam me tirar o título de Luna? Que tirassem.
Mas que estivessem preparados para arder por isso.
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