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Capa do romance A Secretária do Chefe

A Secretária do Chefe

Nicole Santoro é a secretária perfeita, mas sua relação com o chefe, Valentin Salvatore, é um campo de batalha repleto de discussões e jogos de poder. Ela desafia a impulsividade dele, enquanto ele tenta decifrá-la. Após uma noite inesperada, a tensão se transforma em uma química avassaladora. Agora, ambos precisam lidar com as novas regras dessa união, enfrentando inseguranças e um sentimento real que surge em meio ao fogo e à arrogância.
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Capítulo 3

Meu humor está terrível no dia seguinte ao caos.

Eu deveria me acostumar com isso, afinal, não é a primeira vez que acontece. Pelo visto, não será a última. O que tem de errado com os homens? Por que sempre sou atraída pelos emocionados, quando tudo o que quero é um cafajeste que queira as mesmas coisas que eu?

Não me julgue. Não é que nunca vou querer sossegar, construir uma família, ficar o resto da minha vida com uma pessoa só. Quero isso, em algum momento. Só não agora. Tudo está instável demais na minha vida. Começando pela minha carreira, que não foi bem o que planejei para meu futuro.

A meta de todo trabalhador é progredir, subir de cargo, ser reconhecido fazendo o que ama. E isso já aconteceu comigo um dia. Quando arrancaram tudo isso de mim, fui obrigada a aceitar um emprego como secretária, ganhando até bem, mas tendo que aceitar um chefe carrasco de brinde. Não tinha experiência na área assim que me aceitaram na vaga, há três anos, só que meu currículo é excelente e estavam desesperados atrás de alguém.

Agora entendo o motivo.

Chego mais cedo do que estou acostumada, porque não consegui pregar o olho e estava ficando agoniada por ver o sol nascendo, então mal deu seis horas e me arrumei para vir à empresa. Pelo menos o trabalho tem um grande poder de ocupar meu tempo e me fazer esquecer as confusões em que me meto.

Se tivesse um livro sobre a minha vida, meus encontros seriam trágicos e cômicos ao mesmo tempo, porque tem coisas que só acontecem comigo mesmo. Juro. Se eu te contasse tudo...

Quando coloco a bolsa em cima da minha mesa, enfio a cabeça, que começa a latejar pela noite sem dormir, entre as mãos e solto um suspiro alto, preparando-me mentalmente para o expediente. Seria uma puta sorte se Valentin tivesse que passar o dia todo fora do escritório, sem necessitar de mim para nada, mas não posso pedir demais. Eu teria que ter sorte, e isso não faz parte da minha vida, infelizmente.

Sei que ele já chegou mesmo que seja cedo demais, porque Valentin sempre madruga. É impossível chegar antes dele. Já cheguei a me perguntar se ele vai embora. Tudo o que me prova que vai para casa é a mudança de roupas, mas que horas o homem encaixa a vida social nessa rotina insana que ele tem?

Vou até a copa e preparo dois cafés, um forte e sem açúcar para mim e um descafeinado para Valentin. Tomo um gole do meu e volto para o local de trabalho. Deixo uma xícara em cima da minha mesa e vou até a sala do meu chefe. Sem conseguir colocar um sorriso falso na cara dessa vez, bato na porta e espero sua autorização para que eu entre.

Abro a porta devagar e o cheiro do seu perfume me atinge. A sala sempre fica assim, mesmo que seja de noite. Como ele faz para durar tanto? É como se o aroma impregnasse em cada canto do lugar. Pelo menos é gostoso. Porque se fosse ruim, além de aguentar a personalidade intragável, eu teria que respirar um ar impuro.

- Bom dia, senhor Salvatore. Cancelei a reunião do almoço, como me pediu. Posso manter a das quatro horas?

Falo tudo muito rápido, enquanto deixo a xícara em cima da sua mesa. Quando olho para meu chefe, ele parece surpreso por me ver ali. Não sei se devido ao horário ou por eu ter seguido a sua orientação de ficar sóbria. Não que tenha obedecido a ele, de qualquer forma. Só não gosto de beber em excesso quando vou me encontrar com algum carinha. Nunca. Apenas alguns drinks, dentro do meu limite. Não confio em homem nenhum o suficiente para ficar vulnerável a esse ponto.

- Caiu da cama, senhorita Santoro?

- Não, senhor. Quis chegar mais cedo para adiantar umas coisas. - conto a meia-verdade e o encaro, entrelaçando meus dedos em frente ao corpo, esperando pela sua análise minuciosa de todos os dias. Tenho para mim que me encara em busca de algo para usar contra mim.

- Seu encontro não foi bom?

- Creio que isso não seja da sua conta - rebato, ácida, sentindo uma pontada na cabeça.

- É da minha conta quando sua vida pessoal começa a interferir no seu desempenho e no dia a dia da minha empresa, senhorita Santoro.

- É? E quando foi que isso aconteceu? - pergunto, soltando uma risada irônica, desprovida de humor.

Se fosse em outro momento, poderia continuar tentando ser uma pessoa melhor, mas o senhor Salvatore me pegou em um péssimo dia. Se ele acha que pode dar pitaco na minha vida, ignorando que é apenas meu chefe, eu também posso ignorar isso.

- Posso citar uma lista longa - ele fala, agindo de forma premeditada.

Quando se levanta da sua cadeira, sou obrigada a subir bastante a cabeça para continuar travando a batalha silenciosa de olhares, porque o filho da mãe é alto demais e eu sou muito baixa. Até nisso a gente é oposto.

Enquanto dá passos lentos para perto de mim, me mantenho parada. Ele nunca chega muito perto, como se colocasse uma barreira invisível entre nós, e agradeço porque senão ficaria muito distraída. Respiro de forma ruidosa, tentando controlar o mau temperamento.

- Quer que eu a cite para você? - pergunta sério, sem qualquer resquício de ironia ou brincadeira na voz grave e rouca.

- Eu adoraria ouvir, senhor!

- Bom, primeiro, suas ressacas frequentes. Não ache que me engana, senhorita Não adianta trocar as lentes pelos óculos de grau de armações enormes para tentar esconder os olhos fundos, ou usar um perfume mais forte para disfarçar o odor do álcool que gruda na sua pele.

Ok, ele conseguiu me deixar sem reação com essa.

Não pensei que ele fosse observador a esse ponto. O homem mal me olha! Como pode perceber o dia que uso óculos ou não? E não tenho culpa se quando bebo mais do que o normal nas saídas com Nat e Maya, meu corpo exala! Deve ser meu tipo sanguíneo incompatível com a bebida, só pode. Não importa quantos banhos eu tome, o traíra do meu corpo sempre me entrega.

- Vamos ver o que mais... - Valentin se afasta de mim apenas o suficiente para se apoiar na sua mesa, os braços cruzados em frente ao corpo, destacando ainda mais os músculos que não se escondem mesmo com a camisa social. - Também tem suas mudanças de humor, claro, quando algo na sua noite não sai como você gostaria. O estresse, o tom arisco que usa com o seu chefe e a sua completa falta de paciência para a idiotice dos demais funcionários.

Ai meu Deus!

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