Seguir
Capítulos
Compartilhar
Capa do romance "A Secretária do Alfa"

"A Secretária do Alfa"

Helena Albuquerque recomeça sua vida na Blackwood Corporation sob o comando do gélido Dante Blackwood. Entre mistérios noturnos e uivos na floresta, ela descobre que seu chefe é, na verdade, um alfa poderoso em um mundo de matilhas e leis ancestrais. Enquanto a paixão floresce, Dante enfrenta traições e tradições que proíbem seu vínculo com uma humana. Agora, Helena precisa sobreviver aos perigos sobrenaturais de um amor que pode custar sua própria vida.
Capítulos
Compartilhar

Capítulo 1

A chuva caía pesada sobre Hollow Creek quando o ônibus finalmente atravessou a estrada cercada pela floresta. O som constante das gotas batendo contra o teto metálico criava um ruído monótono e quase hipnótico dentro do veículo. Helena observava as árvores escuras através da janela embaçada enquanto apertava os dedos contra a alça da bolsa no colo. A cidade parecia distante do restante do mundo, escondida entre montanhas cobertas por névoa constante.

Não era o lugar onde imaginava recomeçar a própria vida.

Mas também não tinha muitas escolhas.

O reflexo cansado no vidro devolveu a imagem de uma mulher exausta demais para continuar lutando contra o orgulho. Os últimos meses tinham sido uma sequência interminável de contas atrasadas, entrevistas humilhantes e portas fechadas na própria cara. O aluguel antigo vencera duas vezes. O cartão de crédito estava bloqueado. O telefone passava mais tempo silencioso do que tocando.

Ela ainda conseguia ouvir a voz da antiga gerente dizendo que “o perfil dela não combinava com a empresa”.

Perfil.

Helena quase riu sozinha.

Na prática, aquilo significava apenas que haviam escolhido alguém com menos olheiras, menos problemas e um sorriso mais convincente.

Então surgiu a Blackwood Corporation.

O anúncio parecia bom demais para ser real.

Salário absurdamente alto.

Moradia temporária incluída.

Benefícios incomuns para uma empresa localizada em uma cidade pequena e esquecida no meio das montanhas.

Helena pesquisara sobre a companhia antes de aceitar, mas encontrara pouco. Quase nada, na verdade. Alguns artigos financeiros vagos, números impressionantes de crescimento e fotos antigas do prédio principal. Nenhuma entrevista relevante. Nenhuma informação concreta sobre o dono.

Aquilo deveria ter sido um alerta.

Mesmo assim, ela aceitara.

Porque precisava.

O ônibus desacelerou devagar até parar diante da pequena rodoviária da cidade. Helena levantou-se junto dos poucos passageiros restantes e desceu carregando apenas uma mala média e o próprio cansaço. O ar frio atingiu seu rosto imediatamente, atravessando o tecido do casaco.

Hollow Creek tinha cheiro de terra molhada, madeira antiga e alguma coisa estranhamente selvagem.

O lugar parecia silencioso demais.

As luzes dos postes piscavam sob a chuva enquanto poucos moradores caminhavam depressa pelas calçadas estreitas. Ninguém permanecia muito tempo do lado de fora. Era como se todos estivessem tentando chegar em casa antes de alguma coisa acontecer.

Helena puxou a mala até o único táxi parado próximo à entrada.

O motorista era um homem grisalho, de expressão fechada, que apenas assentiu quando ela informou o endereço do apartamento alugado.

O carro arrancou lentamente pelas ruas vazias.

Durante os primeiros minutos, ninguém falou nada.

Helena observava a cidade pela janela. As construções eram antigas, quase todas feitas de madeira escura e pedra. Algumas lojas ainda permaneciam abertas apesar do horário, mas os comerciantes fechavam as portas com rapidez incomum assim que a chuva aumentava.

Não havia barulho.

Nem música.

Nem trânsito.

Nem pessoas conversando.

Aquilo fazia Hollow Creek parecer uma cidade abandonada.

— Você veio trabalhar pros Blackwood? — perguntou o motorista de repente, ajustando o retrovisor.

Helena desviou os olhos da janela.

— Sim. Começo amanhã.

O homem soltou um ruído baixo, quase desconfortável.

— Entendo.

Ela esperou o restante da frase.

Mas ele permaneceu em silêncio.

— A empresa é tão ruim assim? — perguntou Helena depois de alguns segundos.

O motorista hesitou antes de responder.

— Não é questão de ser ruim.

— Então é o quê?

Os dedos dele apertaram o volante.

— Gente da cidade evita falar sobre os Blackwood.

Aquilo despertou imediatamente sua curiosidade.

— Por quê?

O homem lançou um olhar rápido pelo retrovisor.

— Porque é mais seguro assim.

Helena sentiu um arrepio leve percorrer os braços.

Aquilo soava ridículo.

E ainda assim…

O desconforto permaneceu.

— Você está tentando me assustar? — perguntou ela, tentando soar despreocupada.

— Não preciso.

A resposta veio rápida demais.

Depois disso, o motorista não falou mais nada durante o restante do trajeto.

Aquilo a incomodou mais do que deveria.

O apartamento alugado ficava em um prédio pequeno próximo ao extremo da cidade. Não era bonito, mas parecia limpo e organizado. Helena agradeceu ao motorista, pegou a mala e entrou rapidamente para escapar da chuva.

O silêncio do apartamento era quase sufocante.

Ela deixou a bagagem ao lado da cama e caminhou devagar até a janela da sala. Dali conseguia ver parte da floresta que cercava Hollow Creek. Mesmo à distância, as árvores pareciam densas demais.

Escuras demais.

O vento balançava os galhos altos de maneira inquietante.

Por um instante, Helena teve a sensação absurda de estar sendo observada.

Como se existisse alguma coisa escondida entre as árvores.

Esperando.

Ela fechou a cortina imediatamente e soltou uma respiração curta, irritada consigo mesma.

— Ótimo. Já estou ficando paranoica.

Tentou ignorar a sensação tomando um banho quente antes de dormir, mas o desconforto persistiu. E naquela noite, mesmo cansada, demorou horas para conseguir pegar no sono.

Na manhã seguinte, acordou antes do despertador tocar.

O céu permanecia cinzento, coberto por nuvens pesadas. A chuva diminuíra, mas a névoa parecia ainda mais densa do que na noite anterior.

Helena vestiu a melhor roupa social que possuía, prendeu o cabelo em um coque baixo e encarou o próprio reflexo no espelho por alguns segundos.

Parecia cansada.

Mas apresentável.

Precisava ser suficiente.

Saiu cedo do apartamento e pegou outro táxi até a Blackwood Corporation.

Quanto mais se afastavam do centro da cidade, mais vazias as ruas ficavam.

A floresta reapareceu ao redor da estrada.

Densa.

Silenciosa.

Imensa.

Então o prédio surgiu entre a névoa.

Helena desacelerou involuntariamente ao vê-lo.

A Blackwood Corporation parecia deslocada da realidade. Grande demais. Escura demais. As paredes de pedra negra e os enormes vidros fumês davam ao lugar uma aparência muito mais próxima de uma fortaleza do que de uma empresa.

O prédio não parecia acolhedor.

Parecia observar quem se aproximava.

Os portões de ferro se abriram lentamente quando o táxi estacionou diante da entrada principal.

Helena agradeceu o motorista e desceu.

O vento frio atravessou suas roupas imediatamente.

Ela ergueu os olhos para o topo do edifício mais uma vez antes de entrar.

Do lado de dentro, tudo era silencioso.

Funcionários caminhavam pelos corredores de cabeça baixa, evitando conversas longas e contato visual prolongado. Ninguém parecia relaxado naquele ambiente. O som dos saltos de Helena ecoava pelo saguão amplo enquanto ela tentava ignorar o desconforto crescente no estômago.

O lugar era bonito.

Luxuoso até.

Mas havia alguma coisa errada ali.

Alguma coisa invisível.

Uma recepcionista ergueu os olhos rapidamente quando Helena se aproximou.

— Helena Albuquerque?

— Sim.

A mulher fechou a pasta que organizava sobre a mesa.

— O senhor Blackwood está esperando.

Aquilo fez Helena franzir a testa.

Ela chegara vinte minutos adiantada.

— Ele sabe que eu já cheguei?

— Sim.

A recepcionista levantou-se imediatamente.

— Venha comigo.

Os corredores internos eram ainda mais estranhos. Havia poucos quadros, pouca decoração e nenhuma janela aberta. O ar parecia frio demais apesar do aquecimento central.

Helena percebeu outra coisa enquanto caminhavam.

Todos os funcionários pareciam tensos.

Alguns desviavam do caminho assim que viam a recepcionista passar. Outros mantinham os olhos baixos, como se qualquer distração pudesse causar problemas.

O silêncio era constante.

Pesado.

A mulher parou diante de uma porta dupla de madeira escura.

— Pode entrar.

Então saiu rápido demais.

Como se não quisesse permanecer ali por mais um segundo.

Helena respirou fundo antes de bater.

Uma voz grave respondeu do outro lado.

— Entre.

Ela empurrou a porta lentamente.

O escritório era enorme.

As paredes escuras combinavam com o restante do prédio, mas havia algo sufocante naquele ambiente específico. Talvez o silêncio absoluto. Talvez o cheiro forte de madeira e café amargo. Talvez o homem sentado atrás da mesa.

Dante Blackwood ergueu os olhos do computador.

E Helena sentiu o próprio corpo travar.

Ele era absurdamente bonito.

Mas não de uma forma comum.

Havia algo intimidador nele. Algo perigosamente controlado.

Os olhos cinzentos analisaram Helena de cima a baixo sem qualquer pressa. O maxilar forte permaneceu rígido. O terno preto parecia moldado perfeitamente ao corpo alto e largo.

Ele não parecia apenas um homem rico.

Parecia alguém acostumado a dominar qualquer ambiente em que entrasse.

Por alguns segundos, ninguém falou nada.

Então Dante se levantou.

O movimento foi lento.

Predatório.

Helena não soube explicar por que aquela palavra surgiu em sua cabeça imediatamente.

Talvez porque existisse alguma coisa feroz escondida sob a calma dele.

Algo que ela não conseguia definir.

— Helena Albuquerque — disse ele, aproximando-se. A voz era baixa, firme e perigosamente calma. — Finalmente chegou.

Ela tentou ignorar o arrepio que percorreu sua nuca.

— Senhor Blackwood.

Dante parou perto demais.

Helena percebeu o cheiro dele antes de qualquer outra coisa.

Madeira.

Chuva.

E algo selvagem.

Algo impossível de identificar.

Os olhos dele se estreitaram discretamente enquanto observava o rosto dela.

Então desceram pelo pescoço.

Pelos cabelos presos.

Pelas mãos.

Por um instante, a expressão fria vacilou.

Como se tivesse sido pego de surpresa por alguma coisa.

Algo que claramente não esperava encontrar.

Então voltou ao normal.

Controlado.

Impenetrável.

— Seu currículo é melhor do que imaginei — disse ele.

— Obrigada.

— Espero que saiba trabalhar sob pressão.

Helena sustentou o olhar dele.

— Sei.

Os dedos de Dante bateram lentamente sobre a mesa atrás dele.

O som ritmado ecoou pelo escritório silencioso.

— Aqui existem regras específicas.

— Certo.

— Não faça perguntas sobre assuntos internos da empresa.

Aquilo foi tão direto que Helena piscou.

— Tudo bem…

— Não circule sozinha após as dez da noite.

Ela franziu a testa.

— Perdão?

— Hollow Creek não é uma cidade segura.

O tom dele não parecia preocupado.

Parecia um aviso.

Helena cruzou os braços lentamente.

— Isso deveria me preocupar?

Os olhos cinzentos encontraram os dela novamente.

Intensos.

Fixos.

— Depende da sua capacidade de seguir instruções.

O desconforto no estômago aumentou.

Dante desviou o olhar pela primeira vez.

— Megan vai lhe mostrar sua sala.

A conversa aparentemente terminara.

Helena assentiu e virou-se em direção à porta.

Mas antes que conseguisse sair, a voz dele voltou a ecoar atrás dela.

Mais baixa dessa vez.

Mais estranha.

— E mantenha distância da floresta.

Ela olhou por cima do ombro.

Dante continuava parado exatamente no mesmo lugar.

Observando.

Imóvel.

Como um animal esperando alguma reação.

— Entendido — respondeu ela.

Os olhos dele permaneceram fixos nela por mais alguns segundos.

Intensos demais.

Quando Helena finalmente saiu do escritório, conseguiu respirar direito outra vez.

Mesmo assim, a sensação permaneceu.

Aquela empresa escondia alguma coisa.

E Dante Blackwood era o centro dela.

Você pode gostar

Capa do romance A Loba Branca Rejeitada do Alfa
8.6
Na estreia de sua exposição, a artista Ômega descobre pela TV que seu companheiro Alfa, Caio, a trocou por outra fêmea para unir alcateias. Humilhada e apagada de suas próprias conquistas bilionárias, ela decide que quatro anos de submissão bastam. Ao receber uma ordem fria dele, ela arquiteta uma vingança silenciosa: um documento de rejeição oculto em uma transferência de bens. Confiante em sua superioridade, o Alfa assinará o fim do laço sem notar.
Capa do romance A Redenção do Alfa
8.6
Criado sob as ordens de um líder cruel, Tristan Tybalt suportou abusos até que a perda de sua amada o levou a matar o Alfa de Maldagam. Agora no poder, o novo protetor dos fracos assume a missão de escoltar uma bela santa para cumprir uma antiga profecia. No entanto, a conexão avassaladora entre o lobo e a jovem ameaça o destino da nação. Entre raças inimigas e um amor proibido, Tristan deve decidir se seguirá o legado ou seu coração ferido.
Capa do romance Amor Além da Vida e Morte
8.6
Três anos após o acidente fatal de Rafael, a jornalista Maria Eduarda ouve a voz do falecido marido pelo rádio do carro. A revelação é chocante: sua morte não foi acidental. Ignorada pela polícia e pelo inspetor Silva, Duda descobre que Carolina, sua melhor amiga e confidente, está envolvida na tragédia. Consumida por uma fúria fria, a viúva abandona o luto para investigar a traição. Ela usará suas habilidades para expor a verdade e se vingar de todos os culpados.
Capa do romance Daughter of the Night
8.5
Rejeitada pelos próprios pais desde o nascimento, Lua Celest cresceu em total abandono, recebendo apenas o básico para sobreviver. Apesar de sua trajetória indigna, ela possui um potencial extraordinário oculto em seu corpo e mente. Agora, a jovem enfrentará desafios brutais para provar seu valor e reivindicar seu lugar sob a luz. Determinada, ela lutará para superar os estigmas sombrios impostos por outros e conquistar o reconhecimento que merece.
Capa do romance De Renegada Rejeitada à Rainha do Alfa Supremo
9.4
Três anos após ser rejeitada, volto à antiga alcateia como a Luna do Alfa Supremo. Disfarçada, sou humilhada por Augusto, meu ex-companheiro, que insulta meu filho. Quando a parceira dele me fere com prata ao atacar a criança, meu segredo como a Loba Branca é exposto. O chão treme e meu marido invade o salão com fúria assassina. Ao ver meu sangue real derramado, ele ordena o fechamento das portas: ninguém sairá vivo daquele lugar.
Capa do romance GAIL, A POUSADA DOS HORRORES!!!
7.9
Após a queda do voo 3216, vinte e um sobreviventes buscam refúgio em uma pousada isolada enquanto aguardam socorro. A esperança de resgate logo se transforma em um pesadelo sangrento quando uma passageira é morta e uma arma some. Gail, a Raposa Selvagem, inicia sua vingança implacável, eliminando uma vítima por dia através de métodos cruéis. Cercados pelo mistério, o desespero e o terror crescem entre os restantes enquanto a contagem de corpos aumenta sem parar.