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Capa do romance A Rosa Proibida do Don

A Rosa Proibida do Don

Sophia levava uma vida simples na Sicília, focada em quitar dívidas como dançarina de flamenco. Tudo muda quando ela presencia um crime brutal em uma festa de gala. Agora, ela está na mira de Alessio Ricci, o implacável Don da máfia italiana. Para garantir o silêncio dela, ele decide mantê-la sob custódia, mas a proximidade desperta um desejo fatal. Em meio a traições e segredos, essa paixão proibida ameaça o destino de ambos nesse perigoso submundo.
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Capítulo 3

A perspectiva de juntar tantos euros, ainda que dançando por meses, trouxe um raro alívio para Sophia enfrentar aquele expediente tão tenso.

Sempre que notava os olhos azuis de Alessio sobre si, Sophia desviava o olhar e se concentrava no trabalho, se agarrando aos pensamentos positivos.

Em dado momento, Lorenzo se afastou da mesa de seu óbvio chefe e os vinte seguranças, devagar, deixaram um salão basicamente vazio para trás.

Os poucos clientes que permaneceram após a dança também partiram logo — homens demais de terno para parecer algo comum.

Alessio só fez seu pedido quando seu convidado chegou. Era um homem de meia-idade, conhecido por deter alguns dos negócios hoteleiros da comuna.

Era o tipo de refeição que homens de negócios escolhiam para preencher os silêncios incômodos.

— Por que tanto olha para lá? — Álvaro parou às costas da moça que, no balcão, muito olhava Alessio.

— Sei lá… devo ser masoquista — ironizou.

— Toma! — Estendeu a mão fechada para ela.

A moça estendeu e ele deixou as oito notas de cem euros em sua mão. Sophia chegou a soltar o ar dos pulmões, com alívio por finalmente receber.

— É o dinheiro da dança, do trabalho do dia e o adiantamento. — Álvaro deu uma piscadela. — Ele não foi nada fácil, mas não pode fugir, é um homem bom.

— Pode me cobrir? Vou jantar aqui…

— Por que não deixa o orgulho de lado e eu ajudo com as compras, ao menos dessa semana? — sugeriu.

Acanhada, a moça apenas fugiu o olhar dele.

Não era só por ser orgulhosa, mas sabia dos sonhos do amigo de largar tudo aquilo para estudar.

Ela se sentiria um tipo fajuto de vilã se acabasse aceitando essas ajudas financeiras, afinal, aquilo era como tentar esvaziar o oceano com um balde furado.

— Como está o aluguel? — Ele a perguntou.

— Vou tirar cem daqui e fecho o dinheiro — falou cabisbaixa. — Às vezes, parece que tudo seria melhor se eu simplesmente tivesse morrido com meu pai.

— Não, não fala isso! — Álvaro meneou a cabeça sem parar, virando para ela. — Nem pense nisso!

Algumas lágrimas já se aventuraram no rosto da moça e ele apenas a abraçou. Nem conseguia pensar em piadas quando seu humor piorava tanto.

— Vou pegar uma água com açúcar… — Ele a guiou até um dos bancos. — Você se senta aqui e me espera voltar… até lá, não se desespere muito!

Sophia apenas assentiu, de cabeça baixa.

Aceitou a água com açúcar do amigo, as mãos estava levemente trêmulas. Precisava de muitos mais minutos para respirar fundo e se acalmar…

— Sophia! — Mas, Giuseppe a impediu disso.

Levantando de imediato, por hábito, a moça olhou na direção e o homem de aparência madura, não tão desgastada quando sua idade real, falou:

— Uma de suas mesas está pedindo a conta.

— S-sim, senhor! — Ela assentiu rápido.

Foi como um furacão, ela correu ao banheiro e lavou o rosto — sem perder tempo com a maquiagem.

Três tapinhas no próprio rosto e ela já se apressou até a mesa onde Alessio já estava sozinho. O relógio marcava meia hora para o fim do expediente.

A moça lhe apresentou a nota e ele nem olhou; tirou três notas de cem para entregá-la. Ainda fitou seus olhos enquanto, espantada, ela olhava as notas.

— Fique com o troco! — sorriu e se levantou.

Sophia permaneceu imóvel.

Ainda olhou por sobre os ombros ao vê-lo passar e teve a impressão de que seu sorriso se alargava.

“Ele está flertando comigo?”, ela se perguntou, engolindo em seco e tentando imaginar o quanto aquilo seria uma confusão ainda maior em sua vida.

Fechou o caderninho da nota e suspirou. Eram quase duzentos euros de gorjeta — uma das maiores que ela já tinha recebido em toda a sua vida!

Seguiu para cuidar da louça à mesa, já passou um pano na mesa e no chão, organizou as cadeiras, antecipando o fechamento do restaurante.

Lorenzo era o último cliente no salão. Ainda bebia da mesma jarra de vinho, sem a menor pressa.

Sophia seguiu em sua direção a passos lentos.

— Senhor! — invocou-lhe. — E-eu só disponho, agora, de quinhentos euros… para te entregar… isto é, se eu não quiser acabar morando na rua — suspirou.

— O meu antigo chefe era muito paciente, moça. — Ele fitou seus olhos. — O pai do meu antigo chefe, tinha um gosto particular pela sua família…

Ela abaixou a cabeça, já esperando bomba.

— Mas… ventos de mudança estão soprando para nós e, se eu fosse você, quitaria esta dívida logo! — O duro tom de voz estremeceu o íntimo da moça.

— E-eu não tenho como! — Meneou a cabeça.

— Existem muitas formas diferentes de pagar… sabia? — Ele a mediu de cima a baixo. — É bonita… — Levou a mão à sua cintura. — O jeito como dança mostra quão bem serpenteia esse corpo… — sibilou.

— E-eu não posso fazer isso. — Meneou a cabeça.

Queria se afastar, mas preferia não os combater — seu humor era muito volátil e um aparente convite ou conselho podia virar uma ordem num instante.

— Por que não?

— O pai se reviraria onde está! — Uma lágrima correu seu rosto quando a mão boba subiu aos seus seios. — Sei que ele não mais olharia por mim…

A pele queimava com o toque, como se fosse marcá-la para nunca mais sair. O cheiro do vinho no hálito misturava ao perfume, deixando-a nauseada.

— É perfeita! — falou por entre os dentes.

— Sophia, já está pronta? — Álvaro foi quem, à distância, acabou interrompendo a conversa deles.

Sutil, o homem tirou a mão, olhando na direção do rapaz com descontento. Álvaro fingia estar organizando os copos no balcão, mas notou o abuso.

— Q-quase! — A moça falou alto. — Toma!

Ela lhe estendeu quinhentos euros e ele tomou, contou rápido, apenas para voltar a observar a moça.

— Voltarei logo, Sophia… — Ele se levantou. — Já chegou fugida aqui… então, é bom nem pensar em fugir da gente… Somos muito melhores que os outros!

Suor frio escorreu ao ouvir aquele sussurro.

Assim que o homem saiu, ela se apoiou na mesa, as pernas tremiam tanto que não a sustentavam. Não tardou para Álvaro chegar correndo para ampará-la.

— E-eles vão-

— Não, eles não vão! — Álvaro a interrompeu.

— Vão! — A fala desesperada chacoalhou o coração do rapaz, que apenas a envolveu para ajudá-la a sentar. — Vão… eu sei que vão… e-eu vou…

Álvaro a deixou com suas lamúrias para pegar outro copo de água com açúcar. Voltou a passos apressados — isso está piorando rápido, lamentava.

A moça bebeu sua água aos poucos…

Evitava se olhar, mas o nojo era inescapável. Onde ele tocou, sua pele parecia suja — tomaria um banho longo para tentar se livrar da sensação.

— Te dou uma carona para irmos no tal hotel, colhemos informações das candidaturas… do evento… o que você me diz? É uma boa ideia! — Álvaro sugeriu.

— Esse dinheiro me ajudaria muito — assentiu.

— Em quanto está essa dívida? — Temeu arguir.

— Cinquenta mil.

— Uau, não cheguei a poupar isso tudo! — Ele arregalou os olhos. — Você já deve ter dado muito mais do que isso, não? — Ele franziu o cenho.

— Pfff… trinta mil, eu já devo ter pago só de juros, Al! — Ela o olhou com melancolia. — Eu vou… não… eu preciso conseguir! — Tornou a respirar fundo.

Logo, uma das épocas mais agitadas do ano iniciaria. Julho e agosto eram meses que, juntos, podiam rivalizar com o resto do ano em feriados.

Não somente pela quantidade de dias em que havia festividades, mas principalmente por ser um momento de maior fluxo turístico na cidade.

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