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Capa do romance A Refugiada.

A Refugiada.

Uma mulher negra e batalhadora vê sua vida desmoronar devido ao vício do pai. Sem saber que ele deve fortunas para a máfia americana, ela quase paga com a vida pelos erros dele. Após escapar por pouco de um destino fatal, ela se vê perdida e sem memórias do próprio passado. O que aguarda essa sobrevivente em um mundo de perigos e amnésia? Descubra uma história intensa de máfia e mistério onde o amor surge à primeira vista em meio ao caos.
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Capítulo 2

Santiago Romero.

20:25 ― Bogotá. ― Colômbia.

Levei o meu charuto até a boca ao observar o Charles e os outros capangas batendo no infeliz que me deve uma boa quantidade de dinheiro.

― Por favor, perdoname. (Por favor, me perdoe.)

― Perdonar?( Perdoar?) ― Perguntei com um pequeno sorriso. ― Você me deve uma boa quantia em dinheiro, devo lhe perdoar por isso?

― E-E-Eu vou pagar... Eu juro!! ― Neguei com a cabeça.

― Eu lhe dei dois malditos meses para poder me pagar, o que você fez? Me diga? ― Ele engoliu seco.

Me aproximei dele e o Charles o obrigou a ficar de joelhos.

― Me diga, Thiago. O que você fez com o meu dinheiro?

Ele começou a chorar e isso só me estressou mais ainda, segurei o seu maxilar e apaguei o meu charuto em sua bochecha o fazendo gritar de dor.

― Responde carajo!!! (Responda caralho!!!) ― Gritei e o mesmo falou.

― E-E-Eu gastei... Mas eu vou pagar!

Apertei o lugar onde está ferido o fazendo choramingar de dor.

― Não vai ter a próxima vez, Thiago. Eu ainda fui muito gentil com você por ter lhe dado dois meses.

Me levantei e peguei a arma da minha cintura e coloquei na sua boca.

― Tem sorte de eu não matar a sua família, eles vão viver por causa de você, sua vida pela deles. ― Atirei sujando minha mão de sangue.

O Charles me entregou um paninho e limpei as minhas mãos e joguei no pano na cara do infeliz morto.

― Corte o corpo dele e jogue para os cachorros, tenho certeza que estão famintos. ― O mesmo acenou.

― Sim, meu senhor.

Andei até o carro que está me esperando e entrei já pegando outro charuto, sim, eu sou viciado em fumar.

― Para onde, mi señor? (meu senhor?) ― Meu motorista particular perguntou.

― Para casa, Jonas. ― Falei ríspido.

― Certo.

Sinto o carro começar a andar e soltei um pequeno suspiro.

Meu nome é Santiago Romero, tenho quarenta anos e sou o líder da máfia colombiana. Para eu poder me tornar um líder, foi algo bastante difícil já que eu não era o herdeiro e sim o meu irmão mais velho. Toda a minha família me renegava por eu ser adotado, minha mãe sempre quis ter outro filho e nunca conseguiu, eu fui abandonado pela minha família biológica no meio da rua quando eu tinha dez anos. ― A família Romero me encontrou e me acolheu, por alguns anos foi tudo flores, mas logo tudo se tornou um grande pesadelo. Meu corpo todo tem algumas cicatrizes que escondo por baixo das tatuagens, todos eles me maltratavam e me faziam o bichinho de estimação deles.

Até que um certo dia a máfia Rússia invadiu a Colômbia e matou toda a minha família, eu escapei por estar preso no porão todo machucado pelo o que os infelizes fizeram comigo. Depois daquele dia eu assumi a máfia colombiana e comecei os negócios, mudando várias coisas, ganhei inimigos por acharem que eu era inexperiente, eu era sim, mas não burro o suficiente para cair em armadilhas feitas por eles. ― Para chegar onde eu cheguei hoje, passei por muitas coisas que ninguém aguentaria, fui traído várias vezes, teve bastante invasão de máfias rivais querendo assumir a Colômbia, só fez eu ganhar mais cicatrizes e respeito.

Por causa de tudo que eu passei, eu odeio toques de pessoas e quando alguém me toca, a única coisa que eu quero fazer é matar essa pessoa por ter ousado me tocar. É um trauma de infância que eu tenho e não gosto de falar sobre isso.

Saí dos meus pensamentos com o carro freando fortemente.

― Que porra foi essa, Jones!!!? ― Bradei irritado.

― Sinto muito, meu senhor. É que apareceu uma garota.

Franzo a testa confuso e desci do carro e o mesmo também desceu, vejo uma linda moça parecendo está desorientada.

― Ei, está tudo bem? ― Perguntei me aproximando dela.

A mesma me olhou e eu prendi a respiração.

Puta que pariu! Que mulher linda, eu nunca vi algo assim.

Percebi que ela iria desmaiar e rapidamente a segurei em meus braços, mordi os lábios por estar segurando alguém. Respirei fundo e a peguei no colo indo para o carro, a coloquei sentada no meu colo com cuidado, a mesma cheira a fumaça.

― Para o hospital agora!!! ― Falei ordenando.

― Sim, senhor.

Peguei o seu braço com cuidado e vi uma grande queimadura.

― ¿Qué te pasó niña?(O que aconteceu com você garota?)

Ao ver o quanto a mesma está tão machucada, senti uma grande e enorme raiva ao pensar naquelas pessoas que fizeram mal a ela. Passei a mão com cuidado em seu rosto e ela está tão pálida e isso me deixou muito preocupado, a minha preocupação só aumentou quando vi sangue em sua cabeça.

― Acelere!!!! ― Falei irritado por esta demorando tanto.

― E-Estamos chegando!

Que preocupação é essa? Eu nunca senti algo assim por alguém? Que porra está acontecendo comigo?

Não é hora de pensar nisso, essa garota precisa urgentemente de socorro médico.

21:00 ― Hospital ― Bogotá. ― Colômbia.

― Chegamos, meu senhor! ― Jones avisou.

― Abra a maldita porta!!

Ele rapidamente desceu do carro e abriu a porta para mim, desci com ela em meus braços e fui andando rapidamente para dentro do hospital, meu terno ficou sujo de sangue.

― Alguém ajuda aqui!!!! ― Falei alto para chamar atenção dos médicos.

Logo veio uma equipe com uma maca.

― A coloque aqui.

A coloquei com cuidado e foram levando ela e eu acompanho, não quero deixá-la sozinha.

― Sinto muito, senhor. Mas não pode passar por aqui. ― Vejo que eles a levam para sala de cirurgia.

― Ela vai ficar bem? ― Perguntei ríspido para ela.

― Iremos fazer o possível.

Segurei o braço dela com força, a única coisa que gosto sobre o meu problema com o toque, é machucar as pessoas, ai eu gosto de tocá-las.

― É melhor que ela fique bem, doutora. Se não é a sua vida e daqueles médicos que vão está em risco! ― A mesma tremeu toda e isso me deixou muito satisfeito. ― Agora vá cuidar daquela garota!

A deixei ir e ela rapidamente correu para sala de cirurgia.

Eu preciso saber quem é ela, o que aconteceu com ela, preciso saber de tudo. Mas, preciso saber o seu nome.

Me sentei na cadeira e suspirei, porque eu ainda estou aqui? E porque eu salvei essa garota. O que está acontecendo comigo? Porque eu sinto essa sensação de proteção com essa menina?

Estou ficando louco, isso sim.

****

Levantei rapidamente assim que vi o médico se aproximando de mim.

― E a garota!? ― Questionei friamente o fazendo se assustar pelo o meu tom.

― Ela está bem, a cirurgia foi um sucesso. ― Isso me fez suspirar um pouco aliviado. ― Só que tem um problema.

― Qual problema?

― A pancada na cabeça dela foi muito forte e é capaz dela não lembrar de absolutamente nada.

Passei a mão no rosto frustrado com isso.

― Tem alguma possibilidade dessa informação ser falsa? ― Perguntei.

― Eu sinto muito, mas não. O seu cérebro mostrou graves problemas e tem uma grande possibilidade dela não lembrar nem quem ela é. Nada a lembrar,

Suspirei cansado.

― E quando ela vai lembrar?

― Bom, aí que tá outro problema.

― Puta merda, fala logo tudo de uma vez caralho!! ― Rosnei irritado o fazendo se assustar.

― É que.... Tem... Tem uma grande possibilidade quando ela lembrar do passado.... Talvez ela não se lembre das novas memórias.

― Porra!! Isso é realmente possível? ― Ele acenou com a cabeça. ― Ela tem mais algum ferimento?

― Só algumas queimaduras que já foram tratadas, a fumaça em seu pulmão já foram retiradas. A mesma se encontra bem, o problema vai ser quando ela acordar, a mesma vai está muito assustada por não lembrar de nada. É como se ela acabasse de nascer.

― Eu vou me responsabilizar por ela, todo o custo eu vou pagar. ― Ele acenou com a cabeça. ― Quando ela vai acordar?

― Bom, como ela estava muito fraca e agora está sedada, daqui a dois dias no máximo.

Acenei com a cabeça.

― Tudo bem. Daqui a dois dias estarei de volta, cuidem dela se não vão ter um grande problema.

Dei as costas para ele sem esperar a sua resposta, saí do hospital e entrei no carro o Jonas me olhou sem saber o que fazer.

― Para casa, Jonas!

― S-Sim, senhor.

Cruzei as pernas e passei a mão na testa cansado.

Porque essa garota me chamou tanta atenção assim? Por que esse desejo de protegê-la?

― Droga.

São tantas perguntas e nenhuma única resposta.

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